Recebi uma enxurrada de e-mails me "obrigando", ao preço de ser taxado de insensível e burro, a assinar uma petição online e assistir um vídeo onde atores da Globo defendem os pobres coitados dos índios e animaizinhos que vivem nas redondezas de onde começou-se a construir a usina de Belo Monte. Esse vídeo parece uma matéria do Globo esporte, cheio de metáforas suuuper transadas, jogos de câmera, fundo de cores sólidas e pessoas bonitas e saudáveis falando frases de efeito na tela, sempre com aquele toque de ironia que despreza qualquer ideia contrária à que está sendo dita. Coisa toda modernoza, bem pensada, bem produzida, mas com conteúdo tão raso quanto uma poça d'água. Engraçada a preocupação da classe artística (milionária) com os fracos e oprimidos. Incrível o engajamento desse pessoal, num momento em que o país está vivendo um momento tão bom politicamente, sem nenhum escândalo, com um combate tão eficiente à corrupção. Só o processo de investigação do mensalão custou aos cofres públicos mais de 20 milhoes de reais, sem que nenhum, absolutamente nenhum culpado, tenha sido preso ou devolvido um centavo sequer. Dentro desse cenário, onde quase não há do que protestar, precisamos voltar todo nosso foco para essa questão da usina, tudo o mais é irrelevante. Se você quer "fazer sua parte para um Brasil melhor e mais justo", o primeiro passo é assinar a petição. Hoje em dia basta dar um "like" que o sujeito já cumpriu seu dever cívico... Bela mensagem.
Então, vamos ao que interessa...
Apesar de se tornar a 3ª maior do mundo, a usina será uma das hidrelétricas que menos vai desmatar do mundo, talvez a campeã. O sistema é altamente complexo, foi pensado de modo a para minimizar os impactos ambientais. Tudo que foi exigido pela legislação foi cumprido, o que inclui audiências com - principalmente, mas não somente - os indígenas (por sinal, não haverá invasão em terras indígenas no local da obra). A arrecadação dos municípios da região (direta ou indiretamente afetados) crescerá muito em relação à média.
Nunca se fez um empreendimento tão grande, com tantas exigências ambientais e sociais. Uma das exigências, diga-se de passagem, é o PDRS Xingú: um plano de investimentos sociais (R$500 milhões) para possibilitar que não somente se reduzam impactos negativos, mas também que se potencializem os positivos, em região muito maior do que a da construção da hidrelétrica. Uma região pobre, chutaria eu, que muito pobre. Sem contar que a parte do ano em que ela funcionará é quando chove na região e aquela na qual todas as outras hidrelétricas não-região-norte (Itaipú, por exemplo) estão em fase de seca. Ou seja, trata-se de geração de energia limpa (mesmo que ocasione desmatamento) com o menor impacto ambiental possível, preocupação em termos de desenvolvimento regional, e dentro de um planejamento energético (assim se acredita) sério.
O projeto dessa usina vem sendo estudado desde 1975! São brasileiros muito bem qualificados estudando SERIAMENTE os impactos da obra, e as necessidades energéticas do país. O Brasil é pioneiro nisso, e tem de aproveitar suas potencialidades. Claro que existe m outras fontes de energia, mas daí a usar isso como argumento para a não construção de novas hidroelétricas, ainda por cima com essa defesa boboca de "respeito aos povos indigenas", bom..... Não me parece justo que uma parcela mínima da população (menos de 1%) tenha o monopólio para exploração de recursos naturais que pertencem a todo o país. Mais errado ainda são os atores da Globo vindo a público, dando a entender que são os defensores dos fracos e oprimidos e estão interessados nas "causas ambientais" ou "preservação da cultura indigena". Beira o ridículo ver pessoas que não entendem absolutamente nada do assunto que falam, defendendo posições sem embasamento algum, como se todos os estudos feitos por profissionais especializados fossem desprezíveis, inúteis e sem fundamento. É uma velha mania da classe artista brasileira. Tenho a impressão que a vontade de aparecer é tão grande que eles não se importam mais com o que vão defender... O que importa é ganhar apoio popular, divulgar uma imagem "bonitinha" para assim conseguir melhores contratos de marketing e propaganda junto à empresas de cerveja, telefonia, super mercado, etc... Me sentiria ultrajado se fosse um ambientalista sério e visse uma defesa tão esdrúxula a respeito de um assunto tão importante. Em matéria de campanha feita por "artista engajado", fico com o Gustavo Acioli, diretor desse curta metragem: http://www.youtube.com/watch?v=dVoAqGKQeeU
Voltando a falar da construção da usina, outra consequência muito importante será o aumento da oferta de energia, diminuindo o preço e facilitando que pessoas sem acesso a luz - ou que acessam e não pagam -, passem a ter (e a pagar, já que o "gato" não vai compensar mais) pela energia. Isso viabiliza projetos de expansão de serviços bancários, internet banda larga, fora indústrias (apesar de que não acho interessante o estimulo a indústrias pesadas, pois o emprego que gera é muito desqualificado e sem valor agregado). Programas sociais, como o bolsa família, por exemplo, dependem de que haja estrutura nas cidades atendidas e essa estrutura não é algo que cai do céu, depende de energia e de custos que viabilizam sua implementação.
Acredito que a quantidade de brasileiros que se beneficiarão da construção da hidroelétrica supera, e muito, a meia dúzia de índios vestidos de bermuda tactel que cismam em manter uma fazendinha - ou pelo menos é o que dizem as pessoas contrarias a construção - JUSTAMENTE nos arredores de onde a usina será construída. Eu também quero morar de graça num lugar perto do rio, recebendo ajuda do governo para ter tudo que preciso. Também sou obrigado a me adaptar a um mundo que não necessariamente reproduz os valores que julgo corretos. Não escolhi o contexto onde nasci e faz parte da vida me adaptar a realidade da minha época, do ambiente ao meu redor e às pessoas que me cercam. Isso significa viver em sociedade. Houve épocas em que, para que esses processos de adaptação ocorressem, eram necessárias guerras, onde o mais forte impunha sua vontade perante os demais. Com o tempo, as pessoas foram observando que, no longo prazo, a melhor forma de resolver esses conflitos é utilizando meios democráticos. É essa crença que viabiliza a existência de um regime que preserva a liberdade individual e propicia a pluralidade de ideias entre indivíduos de um país, sem derramamento de sangue quando há divergências de opiniões.
Não entendo a necessidade que as pessoas têm de ter pena dos índios (resisto a pensar que é SÓ PARA PARECEREM "BOAZINHAS"). Não é porque o número de pessoas que vivem ao relento na floresta diminui que a cultura indígena morre. Não é obrigando quem não compartilha dos valores indígenas a aceitá-los - dizer que índio tem DIREITO a terra é obrigar o cidadão brasileiro a aceitar valores diferentes dos que a sociedade aceita como legítimos -, que se estará garantindo o melhor para os próprios índios. A cultura crista, judaica, budista, e muitas outras formas de pensar continuam existindo e se adaptando ao que as próprias pessoas que compartilham paradigmas em comum acham pertinente. Como se o tempo e a evolução das sociedades fossem uma espécie de filtro, que mistura ou deixa passar as formas de pensar por entre os vãos, que seriam justamente as dinâmicas e interações das pessoas.
A densidade demográfica de indígenas vem diminuindo com o tempo e é ingênuo pensar que isso se dá "porque o homem branco é malvado e obriga os índios a serem brancos". É um movimento da própria sociedade absorver (ou não) culturas estranhas a ela, mudar (ou não) a forma de pensar. Você acha que um ser humano que vive sob o comando de um cacique, tendo que caçar o que come, viver cheio de carrapato, dormir com frio, passar por rituais torturantes, ter uma expectativa de vida de 50 anos, ao se deparar com uma realidade totalmente diferente, vai deixar de se seduzir? Eu acho que existe uma tendência muito maior no sentido de aproxima-lo dessa "nova" realidade do que o contrario. Imagine que, no limite, vão sobrar poucos índios "de verdade". Me parece logico pensar que esses índios serão aqueles hierarquicamente mais bem posicionados dentro da "tribo". É claro que eles vão protestar, não vão querer largar o posto de poder que têm, mas é justamente pra resolver esse tipo de impasse que existe a democracia. Não fosse assim, só na base da guerra. Não faz sentido argumentar que "eles chegaram primeiro e por isso são donos". Os recursos têm valor e os índios exploram esse valor, mesmo sem a usina, com a diferença de que é para o beneficio de uma parcela mínima da população (eles próprios, os índios). Se vivêssemos em épocas remotas, quando a ideia romântica de índio era mais próxima do que se fala hoje, haveria disputas entre tribos interessadas em explorar tais recursos. Os índios não viviam em um mundo cor de rosa, amando-se uns aos outros. O que se faz hoje em dia é uma completa artificialização indígena, meio que transformando o índio num animal em extinção. Não consigo concordar com essa ideia. Se querem explorar um recurso natural do meu pais, precisam ter de respeitar as mesmas regras que eu. Se querem ser outro pais, fiquem a vontade para buscar meios de independência frente ao resto do planeta.
Existe um movimento de MANTER os índios num estado parado no tempo, como se a cultura deles fosse algo imaculado, que deve ser preservada custe o que custar, uma espécie de fóssil. Tenho minhas duvidas quanto a essa maneira de "preservar certa cultura". Acredito que é muito mais orgânico que haja uma coisa mesclada, uma tendência de integração, do que o oposto. Entender a questão pensando em facilitar essa integração me parece mais construtivo em todos os sentidos. Obrigar que uma cultura continue existindo estaticamente, com politicas que favoreçam o isolamento, bom... Não sei se é o melhor caminho.
Outra crítica feita à construção da usina diz respeito ao uso de dinheiro publico. Pois bem, hoje 51% dos acionistas da Norte Energia são privados. A grande maioria das hidrelétricas são feitas assim, pois se mais da metade dos recursos forem públicos, haverá inevitavelmente uma enorme burocracia para qualquer gasto que seja feito na obra (licitações e etc), aumentando assim o tempo de construção e inviabilizando projetos dessa magnitude.
O empréstimo que o BNDES dará para o projeto será feito 80/20, ou seja, 80% dívida e 20% participação direta. É dinheiro público entrando na dívida, e não no caixa da cia. Dívida essa que muito probabilidade será paga, visto que os contratos de venda de energia são longos, então a previsibilidade de fluxo de caixa é muito grande, e já está feita. Não foram um bando de irresponsáveis que aprovaram deliberadamente o gasto de bilhões em uma obra qualquer. É o contrário do que ocorre com todos os projetos culturais e artísticos no Brasil, onde o Governo dá dinheiro a fundo perdido para financiar projetos pessoais de artistas alinhados com a ideologia de quem estiver no Governo no momento.
Quanto à questão técnica, a grande crítica que fazem a esses novos grandes projetos de hidrelétricas do AM é o fato de serem hidrelétricas a fio d'agua. Isso significa que eles reduzem o reservatório para amenizar o dano ambiental. Muitos alegam que esse procedimento tira a segurança do sistema (mas eles não eram a favor da preservação ambiental?), já que, por ter reservatórios menores, você está mais sujeito a um racionamento, então precisa entrar com mais termelétricas para garantir possíveis falhas. Porém o que se esquece é que a construção dessa usina faz parte de um plano energético cujo objetivo é justamente aumentar a eficiência e redundância, diminuindo os impactos ambientais.
Quanto ao fato de a empresa produzir um terço da energia que é capaz de produzir, bobagem pura. Itaipú gera metade do que é capaz. Isso é normal, nenhuma hidrelétrica produz tudo que é capaz de produzir, isso aumentaria os gastos com manutenção e diminuiria a vida útil dos equipamentos que compõe a estrutura física da usina.
Sim, o projeto é duvidoso, existem críticas.. mas um videozinho irritante desse não me diz nada. Nós brasileiros deveríamos estar orgulhosos por sermos pioneiros em alguma coisa, por estarmos conseguindo desenvolver tecnologias e soluções próprias adequadas às nossas potencialidades. É muito triste essa mania que temos de desvalorizar "o que é nosso". Não podemos pensar que as riquezas da nação se resumem a novelas e futebol. Isso aí só interessa ao elenco da rede globo, que há muitos e muitos anos vive de conseguir manipular as pessoas pra ganhar dinheiro e poder. Em se tratando dessa campanha patética, parece que essa estratégia continua funcionando.
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ResponderExcluir"pobres coitados dos índios e animaizinhos que vivem nas redondezas", e depois você ainda quer ter moral com seu "textinho". Ninguém te obriga a nada, você assina se quiser ou não, e não se sinta ameaçado com o número de convites que recebeu para assinar a petição. Não precisa focar só nesse assunto, como você propôs. O tempo não para, será q você não consegue pensar em outros problemas além desse? Ou você quer focar em todos? Não foi feliz em expressar suas idéias... Respeito sua opinião, os argumentos do ponto de vista teórico são até consideráveis, mas o jeito que você começou o texto... Durante a continuidade da leitura até parece que fez um copia e cola bem medíocre dos benefícios que essa usina trará. Por que, no limite, se você soubesse realmente firmar sua posição defendendo a construção, não iniciaria o texto de maneira tão lastimável.
ResponderExcluirpobres coitados dos indios ou nao, eles nao terao q sair do lugar q ja estao. o projeto foi feito de modo q nao desapropriem as terras indigenas.
ResponderExcluirvc foi feliz em expressar suas ideias. como o tempo nao para, temos q construir logo essa usina e continuar com o projeto energetico do pais q visa construçao de dezenas de usinas, muitas delas na amazonia mesmo. gostei mt do inicio do texto. vc atacou logo na ferida. e depois ainda fiquei sabendo que o video eh um baita plagio de um americano insentivando os povo a votar, chamado "5 friends uncensored".
Cheguei à minha conclusão: não é minha luta... não tem nada a ver comigo. Se decidirem não construir por causa dos índios, fico feliz pelos índios e sinto muito pelo desenvolvimento do Brasil (nem tanto). Se construírem, tanto pior... Teremos um estado nacional mais forte, e seremos capazes até mesmo de reforçar nossa posição de país imperialista da América do Sul. três vivas para a indiferença!
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