<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288</id><updated>2011-11-23T18:42:01.231-08:00</updated><title type='text'>Ponteiro Apontado</title><subtitle type='html'>Tudo pode ser verdade na mesma proporção em que pode ser mentira.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>126</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3769414154566163367</id><published>2011-11-17T10:22:00.001-08:00</published><updated>2011-11-17T13:17:27.897-08:00</updated><title type='text'>O pseudo-engajamento dos artistas da Globo</title><content type='html'>&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Recebi uma enxurrada de e-mails me "obrigando", ao preço de ser taxado de insensível e burro, a assinar uma petição online e assistir um vídeo onde atores da Globo defendem os pobres coitados dos índios e animaizinhos que vivem nas redondezas de onde começou-se a construir a usina de Belo Monte. Esse vídeo parece uma matéria do Globo esporte, cheio de metáforas suuuper transadas, jogos de câmera, fundo de cores sólidas e pessoas bonitas e saudáveis falando frases de efeito na tela, sempre com aquele toque de ironia que despreza qualquer ideia contrária à que está sendo dita. Coisa toda modernoza, bem pensada, bem produzida, mas com conteúdo tão raso quanto uma poça d'água. Engraçada a preocupação da classe artística (milionária) com os fracos e oprimidos. Incrível o engajamento desse pessoal, num momento em que o país está vivendo um momento tão bom politicamente, sem nenhum escândalo, com um combate tão eficiente à corrupção. Só o processo de investigação do mensalão custou aos cofres públicos mais de 20 milhoes de reais, sem que nenhum, absolutamente nenhum culpado, tenha sido preso ou devolvido um centavo sequer.&amp;nbsp; Dentro desse cenário, onde quase não há do que protestar, precisamos voltar todo nosso foco para essa questão da usina, tudo o mais é irrelevante. Se você quer "fazer sua parte para um Brasil melhor e mais justo", o primeiro passo é assinar a petição. Hoje em dia basta dar um "like" que o sujeito já cumpriu seu dever cívico... Bela mensagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Então, vamos ao que interessa...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Apesar de se tornar a 3ª maior do mundo, a usina será uma das hidrelétricas que menos vai desmatar do mundo, talvez a campeã. O sistema é altamente complexo, foi pensado de modo a para minimizar os impactos ambientais. Tudo que foi exigido pela legislação foi cumprido, o que inclui audiências com - principalmente, mas não somente - os indígenas (por sinal, não haverá invasão em terras indígenas no local da obra). A arrecadação dos municípios da região (direta ou indiretamente afetados) crescerá muito em relação à média. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Nunca se fez um empreendimento tão grande, com tantas exigências ambientais e sociais. Uma das exigências, diga-se de passagem, é o PDRS Xingú: um plano de investimentos sociais (R$500 milhões) para possibilitar que não somente se reduzam impactos negativos, mas também que se potencializem os positivos, em região muito maior do que a da construção da hidrelétrica. Uma região pobre, chutaria eu, que muito pobre. Sem contar que a parte do ano em que ela funcionará é quando chove na região e aquela na qual todas as outras hidrelétricas não-região-norte (Itaipú, por exemplo) estão em fase de seca. Ou seja, trata-se de geração de energia limpa (mesmo que ocasione desmatamento) com o menor impacto ambiental possível, preocupação em termos de desenvolvimento regional, e dentro de um planejamento energético (assim se acredita) sério. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;O projeto dessa usina vem sendo estudado desde 1975! São brasileiros muito bem qualificados estudando SERIAMENTE os impactos da obra, e as necessidades energéticas do país.&amp;nbsp; O Brasil é pioneiro nisso, e tem de aproveitar suas potencialidades. Claro que existe m outras fontes de energia, mas daí a usar isso como argumento para a não construção de novas hidroelétricas, ainda por cima com essa defesa boboca de "respeito aos povos indigenas", bom..... Não me parece justo que uma parcela mínima da população (menos de 1%) tenha o monopólio para exploração de recursos naturais que pertencem a todo o país. Mais errado ainda são os atores da Globo vindo a público, dando a entender que são os defensores dos fracos e oprimidos e estão interessados nas "causas ambientais" ou "preservação da cultura indigena". Beira o ridículo ver pessoas que não entendem absolutamente nada do assunto que falam, defendendo posições sem embasamento algum, como se todos os estudos feitos por profissionais especializados fossem desprezíveis, inúteis e sem fundamento. É uma velha mania da classe artista brasileira. Tenho a impressão que a vontade de aparecer é tão grande que eles não se importam mais com o que vão defender... O que importa é ganhar apoio popular, divulgar uma imagem "bonitinha" para assim conseguir melhores contratos de marketing e propaganda junto à empresas de cerveja, telefonia, super mercado, etc... Me sentiria ultrajado se fosse&amp;nbsp; um ambientalista sério e visse uma defesa tão esdrúxula a respeito de um assunto tão importante. Em matéria de campanha feita por "artista engajado", fico com o Gustavo Acioli, diretor desse curta metragem: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dVoAqGKQeeU"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=dVoAqGKQeeU&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Voltando a falar da construção da usina, outra consequência muito importante será o aumento da oferta de energia, diminuindo o preço e facilitando que pessoas sem acesso a luz - ou que acessam e não pagam -, passem a ter (e a pagar, já que o "gato" não vai compensar mais) pela energia. Isso viabiliza projetos de expansão de serviços bancários, internet banda larga, fora indústrias (apesar de que não acho interessante o estimulo a indústrias pesadas, pois o emprego que gera é muito desqualificado e sem valor agregado). Programas sociais, como o bolsa família, por exemplo, dependem de que haja estrutura nas cidades atendidas e essa estrutura não é algo que cai do céu, depende de energia e de custos que viabilizam sua implementação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Acredito que a quantidade de brasileiros que se beneficiarão da construção da hidroelétrica supera, e muito, a meia dúzia de índios vestidos de bermuda tactel que cismam em manter uma fazendinha - ou pelo menos é o que dizem as pessoas contrarias a construção - JUSTAMENTE nos arredores de onde a usina será construída. Eu também quero morar de graça num lugar perto do rio, recebendo ajuda do governo para ter tudo que preciso. Também sou obrigado a me adaptar a um mundo que não necessariamente reproduz os valores que julgo corretos. Não escolhi o contexto onde nasci e faz parte da vida me adaptar a realidade da minha época, do ambiente ao meu redor e às pessoas que me cercam. Isso significa viver em sociedade. Houve épocas em que, para que esses processos de adaptação ocorressem, eram necessárias guerras, onde o mais forte impunha sua vontade perante os demais. Com o tempo, as pessoas foram observando que, no longo prazo, a melhor forma de resolver esses conflitos é utilizando meios democráticos. É essa crença que viabiliza a existência de um regime que preserva a liberdade individual e propicia a pluralidade de ideias entre indivíduos de um país, sem derramamento de sangue quando há divergências de opiniões.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Não entendo a necessidade que as pessoas têm de ter pena dos índios (resisto a pensar que é SÓ PARA PARECEREM "BOAZINHAS"). Não é porque o número de pessoas que vivem ao relento na floresta diminui que a cultura indígena morre. Não é obrigando quem não compartilha dos valores indígenas a aceitá-los - dizer que índio tem DIREITO a terra é obrigar o cidadão brasileiro a aceitar valores diferentes dos que a sociedade aceita como legítimos -, que se estará garantindo o melhor para os próprios índios. A cultura crista, judaica, budista, e muitas outras formas de pensar continuam existindo e se adaptando ao que as próprias pessoas que compartilham paradigmas em comum acham pertinente. Como se o tempo e a evolução das sociedades fossem uma espécie de filtro, que mistura ou deixa passar as formas de pensar por entre os vãos, que seriam justamente as dinâmicas e interações das pessoas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;A densidade demográfica de indígenas vem diminuindo com o tempo e é ingênuo pensar que isso se dá "porque o homem branco é malvado e obriga os índios a serem brancos". É um movimento da própria sociedade absorver (ou não) culturas estranhas a ela, mudar (ou não) a forma de pensar. Você acha que um ser humano que vive sob o comando de um cacique, tendo que caçar o que come, viver cheio de carrapato, dormir com frio, passar por rituais torturantes, ter uma expectativa de vida de 50 anos, ao se deparar com uma realidade totalmente diferente, vai deixar de se seduzir? Eu acho que existe uma tendência muito maior no sentido de aproxima-lo dessa "nova" realidade do que o contrario. Imagine que, no limite, vão sobrar poucos índios "de verdade". Me parece logico pensar que esses índios serão aqueles hierarquicamente mais bem posicionados dentro da "tribo". É claro que eles vão protestar, não vão querer largar o posto de poder que têm, mas é justamente pra resolver esse tipo de impasse que existe a democracia. Não fosse assim, só na base da guerra. Não faz sentido argumentar que "eles chegaram primeiro e por isso são donos". Os recursos têm valor e os índios exploram esse valor, mesmo sem a usina, com a diferença de que é para o beneficio de uma parcela mínima da população (eles próprios, os índios). Se vivêssemos em épocas remotas, quando a ideia romântica de índio era mais próxima do que se fala hoje, haveria disputas entre tribos interessadas em explorar tais recursos. Os índios não viviam em um mundo cor de rosa, amando-se uns aos outros. O que se faz hoje em dia é uma completa artificialização indígena, meio que transformando o índio num animal em extinção. Não consigo concordar com essa ideia. Se querem explorar um recurso natural do meu pais, precisam ter de respeitar as mesmas regras que eu. Se querem ser outro pais, fiquem a vontade para buscar meios de independência frente ao resto do planeta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Existe um movimento de MANTER os índios num estado parado no tempo, como se a cultura deles fosse algo imaculado, que deve ser preservada custe o que custar, uma espécie de fóssil. Tenho minhas duvidas quanto a essa maneira de "preservar certa cultura". Acredito que é muito mais orgânico que haja uma coisa mesclada, uma tendência de integração, do que o oposto. Entender a questão pensando em facilitar essa integração me parece mais construtivo em todos os sentidos. Obrigar que uma cultura continue existindo estaticamente, com politicas que favoreçam o isolamento, bom... Não sei se é o melhor caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Outra crítica feita à construção da usina diz respeito ao uso de dinheiro publico. Pois bem, hoje 51% dos acionistas da Norte Energia são privados. A grande maioria das hidrelétricas são feitas assim, pois se mais da metade dos recursos forem públicos, haverá inevitavelmente uma enorme burocracia para qualquer gasto que seja feito na obra (licitações e etc), aumentando assim o tempo de construção e inviabilizando projetos dessa magnitude.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;O empréstimo que o BNDES dará para o projeto será feito 80/20, ou seja, 80% dívida e 20% participação direta. É dinheiro público entrando na dívida, e não no caixa da cia. Dívida essa que muito probabilidade será paga, visto que os contratos de venda de energia são longos, então a previsibilidade de fluxo de caixa é muito grande, e já está feita. Não foram um bando de irresponsáveis que aprovaram deliberadamente o gasto de bilhões em uma obra qualquer. É o contrário do que ocorre com todos os projetos culturais e artísticos no Brasil, onde o Governo dá dinheiro a fundo perdido para financiar projetos pessoais de artistas alinhados com a ideologia de quem estiver no Governo no momento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Quanto à questão técnica, a grande crítica que fazem a esses novos grandes projetos de hidrelétricas do AM é o fato de serem hidrelétricas a fio d'agua. Isso significa que eles reduzem o reservatório para amenizar o dano ambiental. Muitos alegam que esse procedimento tira a segurança do sistema (mas eles não eram a favor da preservação ambiental?), já que, por ter reservatórios menores, você está mais sujeito a um racionamento, então precisa entrar com mais termelétricas para garantir possíveis falhas. Porém o que se esquece é que a construção dessa usina faz parte de um plano energético cujo objetivo é justamente aumentar a eficiência e redundância, diminuindo os impactos ambientais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Quanto ao fato de a empresa produzir um terço da energia que é capaz de produzir, bobagem pura. Itaipú gera metade do que é capaz. Isso é normal, nenhuma hidrelétrica produz tudo que é capaz de produzir, isso aumentaria os gastos com manutenção e diminuiria a vida útil dos equipamentos que compõe a estrutura física da usina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0in;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt;"&gt;Sim, o projeto é duvidoso, existem críticas.. mas um videozinho irritante desse não me diz nada. Nós brasileiros deveríamos estar orgulhosos por sermos pioneiros em alguma coisa, por estarmos conseguindo desenvolver tecnologias e soluções próprias adequadas às nossas potencialidades. É muito triste essa mania que temos de desvalorizar "o que é nosso". Não podemos pensar que as riquezas da nação se resumem a novelas e futebol. Isso aí só interessa ao elenco da rede globo, que há muitos e muitos anos vive de conseguir manipular as pessoas pra ganhar dinheiro e poder. Em se tratando dessa campanha patética, parece que essa estratégia continua funcionando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3769414154566163367?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3769414154566163367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2011/11/o-que-penso-sobre-belo-monte-e-campanha.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3769414154566163367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3769414154566163367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2011/11/o-que-penso-sobre-belo-monte-e-campanha.html' title='O pseudo-engajamento dos artistas da Globo'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-4495837349869762676</id><published>2010-11-19T21:28:00.001-08:00</published><updated>2010-11-19T21:29:06.609-08:00</updated><title type='text'>Pensamentos de um aluno sobre faculdade no Brasil</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;A faculdade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Eu poderia começar esse texto falando sobre a origem grega da palavra faculdade ou universidade, e a partir daí iniciar minha argumentação embasado linguisticamente, mas confesso que acho uma grande babaquice esse tipo de estratégia argumentativa. Em geral, quem faz uso dela são professores com preguiça de pensar numa boa maneira de explicar alguma coisa. Começarei, portanto, expondo minha opinião a respeito do que deveria ser uma universidade, não no que diz respeito ao funcionamento operacional, mas sim quanto ao propósito, quanto ao objetivo, quanto ao resultado provocado no principal ativo dessa instituição, que é o aluno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Antes que pareça que faço confusão entre universidade e faculdade, vale dizer que o objeto que está em discussão se refere ao ensino que decorre imediatamente após o término do ensino médio, ou seja, quando o indivíduo tem de procurar decidir qual rumo sua vida irá tomar, qual será seu trabalho, o que ele fará não só como meio de sobrevivência, mas também como de realização. Trata-se de uma busca fundamental para a satisfação existencial de um ser humano. O momento é de profunda incerteza, e justamente esse peso faz com que muitos jovens vacilem nessa escolha, mudem de idéia, sofram depressão, angústia, etc. É de fato algo muito difícil de se decidir, as opções são muitas, as restrições são muitas e o que se restringe com a decisão é ainda mais abrangente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Não é possível fazer tudo na vida, talvez esse seja o grande motivo do medo natural que existe perante a morte, se deparar com esse tipo de questão é algo que, para quem tiver consciente, é doloroso e angustiante. Não estou querendo fazer nenhum juízo de valor, se é algo bom ou ruim, apenas expondo uma situação inevitável. Essa decisão é tomada por todos, mesmo que seja não decidir nada. No Brasil, geralmente, quem opta por não decidir são os mais pobres, pois eles não têm “escolha”. Mas não quero entrar nesses méritos. Estou apenas localizando precisamente o objeto cujo propósito quero discutir: a universidade (ou faculdade, tanto faz).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Afinal, qual objetivo de uma universidade? Talvez uma resposta que consiga se encaixar em qualquer definição seja a de que o objetivo deve ser auxiliar, encaminhar, dar uma direção aos desejos confusos dos alunos no sentido de oferecer a eles os meios pelos quais conseguirão encontrar o que gostam de fazer. Antes de pensar em preparar pessoas para o mercado de trabalho, a faculdade deve oferecer subsídios para que o estudante consiga encontrar o melhor caminho para extravasar seus desejos. Adequar essas escolhas ao mercado de trabalho não deixa de ser um propósito importante, mas é secundário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;É uma definição meio romântica, mas ainda assim muito prática e pertinente dentro da realidade que está imposta a todos os jovens. Existem milhares de problemas relacionados às universidades brasileiras, principalmente as públicas, mas o pior deles certamente está ligado ao cenário que encontramos ao aplicar a noção que acabei de definir ao contexto delas. Não conheço nenhum aluno que tenha saído satisfeito de seu curso de graduação. (Tudo bem, estou me restringindo ao meu universo, mas o simples fato de existirem tantas pessoas insatisfeitas já é suficiente). Tenho a impressão que alguém simplesmente injeta as disciplinas a esmo nos cursos, somente por burocracias, pra cumprir tabela, e conseguir aprovação dos órgãos governamentais. O resultado disso é a desmotivação de muitos professores, que passam a dar aula só por ter de dar aula e a natural contaminação dos alunos que, além de aturar tais professores desmotivados, são obrigados e aprender assuntos absolutamente desconectados da realidade e dos seus desejos. Eles passam a fazer disciplinas também por tabela, a estudar por estudar, a ver a faculdade como um jogo de vídeo game onde os pontos são as notas, como se permanecessem na infância. Eles não conseguem concretizar seus desejos, aprimorar suas aptidões, viram especialistas em resolver problemas burocráticos, decorar livros, fórmulas, citações, teorias. O importante passa a ser se adaptar a faculdade, conseguir passar nas matérias e ter o diploma. Encontrar um emprego, uma atividade, um ofício que proporcione a concretude de seus desejos? Isso não é mais importante. A idéia de que temos que trabalhar a vida inteira fazendo o que não gostamos, para só “aproveitarmos” os fins de semana e a aposentadoria está cravada no cerne da estrutura de ensino. Será que tem que ser assim? Faz sentido escolher fazer algo que não se gosta durante 50 anos para que durante os outros 10, se consiga fazer o que gosta? Não é a resposta a essa pergunta que me preocupa, o que me preocupa é o fato haver tão pouco questionamento sobre o assunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;O ensino está cada mais chato, mais massante e, pior, mais inútil. Presenciei inúmeras vezes alunos (colegas) abandonando habilidades em prol de projetos absolutamente desnecessários, pesquisas e trabalhos sobre o vazio, ou sobre algo próximo dele. Poucos cursos conseguem fugir a essa regra, e os que conseguem, o fazem mais pelo contato do aluno com o mundo não acadêmico do que qualquer outra coisa. O estudante passa a ter de procurar fora da universidade a melhor maneira de satisfazer-se, caso contrário, viverá numa eterna dúvida quanto a carreira escolhida. Essa incerteza invariavelmente o trará a certeza da escolha errada, o fará mudar de curso, navegar por carreiras e instituições sem conseguir encontrar em nenhuma algo que lhe traga satisfação. Em suma, o estudante vai se sentir um merda. O número de transferências, cursos não concluídos, matrículas trancadas pode dar uma boa perspectiva disso tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Ao final da graduação, grande parte dos alunos, sem ter encontrado o que os satisfaça, acabam dando continuidade à vida acadêmica através de mestrados que não passam de extensões dos trabalhos sugeridos pelos professores. E os fazem como quando eram graduandos, sem vontade, maquinalmente, por fazer, pra ter um titulo e pegar o diploma. Há exceções, é claro, mas são poucas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-4495837349869762676?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/4495837349869762676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/11/pensamentos-de-um-aluno-sobre-faculdade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4495837349869762676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4495837349869762676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/11/pensamentos-de-um-aluno-sobre-faculdade.html' title='Pensamentos de um aluno sobre faculdade no Brasil'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1637221801231067223</id><published>2010-07-09T18:56:00.001-07:00</published><updated>2010-11-19T21:24:52.023-08:00</updated><title type='text'>Pequena Carta a F. Negreiros</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Meu caro,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Que bom poder ligar o computador para um fim que não tem a menor dependência da Internet. São tão poucos ultimamente... Mas enfim, não é sobre isso que quero falar. Na verdade, quero apenas fazer uma pergunta. Antes de fazê-la, vou citar a inspiração, para dessa forma deixar claro que não há nenhuma intenção maliciosa na indagação. Albert Camus, no livro A Queda, discute muito a questão da seriedade, da falta dela principalmente. Eu mesmo vejo isso nos meus momentos de cenarização. Por exemplo, quando pego um ônibus e reparo nos garçons, porteiros, faxineiros, pedreiros, office-boys, enfim, pessoas mais humildes fora de seus ambientes de trabalho, entrando todos vestidos de rapper, com celular tocando funk pornográfico no volume máximo, não consigo deixar de achar ridículo essas pessoas reclamarem de seus salários. Não estou considerando, é claro, as circunstâncias que levaram a, digamos, essa espécie de falta de sensibilidade deles. Quando digo falta de sensibilidade, me refiro ao fato dessa pessoa não perceber que ela própria, se tivesse de empregar alguém em sua empresa, jamais contrataria alguém que se comportasse como ela se comporta. É sob essa perspectiva que a reclamação do salário vai soar contraditória. Voltando ao Camus, ele nos leva a pensar que existem 3 tipos de pessoas no mundo: as que se acham sérias mas que os outros não levam a sério, as que se acham sérias e têm esse respeito dos outros, e as que não se acham sérias. Dito isto, pergunto: em qual dessas categorias você se enquadraria? em qual enquadraria Erasmo Patajornas? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Impacientemente,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;MLF&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1637221801231067223?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1637221801231067223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/07/pequena-carta-f-negreiros.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1637221801231067223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1637221801231067223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/07/pequena-carta-f-negreiros.html' title='Pequena Carta a F. Negreiros'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-6972276605467604695</id><published>2010-07-09T09:38:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T09:39:36.861-07:00</updated><title type='text'>Tele-tela</title><content type='html'>- É claro que eu prefiro ler do que ver televisão.&lt;br /&gt;- Sim, mas você não pode desmerecer quem tenha outra opinião. É uma questão de gosto...&lt;br /&gt;- Não estou desmerecendo, e por mais bonito que seja essa discurso democrático, não posso deixar de formar uma opinião positiva a respeito de alguém que lê muito, da mesma forma como tenho uma predisposição negativa sobre alguém que passa o dia inteiro assistindo à televisão.&lt;br /&gt;- Pois é, eu não concordo.&lt;br /&gt;- Como não? Imaginemos uma pessoa que passe vinte e quatro horas lendo, todos os dias, e outra que no mesmo período ficou na frente de uma televisão...&lt;br /&gt;- Claro, ela pode ter assistido a vários filmes, documentários, histórias, romances...&lt;br /&gt;- Espera, deixa eu terminar!&lt;br /&gt;- Mas você volta a essa ladaínha de julgar quem assiste televisão, cria uma espécie de modelo aonde encaixar os outros. As pessoas não caixas fechadas,&lt;br /&gt;- Quê? Peraí! Não estou dizendo nada disso. Você me perguntou se eu prefiro livros ou televisão. O que quer discutir? Que não estou fazendo a coisa certa? Mas aí acontece uma contradição, não é? Pois se não posso dizer que livro é melhor, porque você poderia dizer que a televisão é?&lt;br /&gt;- Você começou a usar um argumento pra depreciar quem assiste muito televisão, e também...&lt;br /&gt;- Porra! Como assim? Eu simplesmente quis usar casos extremos pra mostrar os motivos da minha preferência. Não costumo usar a justificativa "é questão de gosto" pra tudo. Aliás, quanto mais puder evitá-la melhor.&lt;br /&gt;- Bom, primeiro que você disse,"é claro que eu prefiro ler". Não acha que nessa resposta existe um certo preconceito?&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;br /&gt;- E em segundo?&lt;br /&gt;- Segundo? Nada...&lt;br /&gt;- Você vai deixar eu terminar de dizer o que estava dizendo?&lt;br /&gt;- Claro, continua...&lt;br /&gt;- Naqueles casos extremos, quem ficou vendo televisão o dia inteiro, por muitos dias, certamente terá algum problema de saúde relacionado à intensa luz sobre os olhos. Já o leitor não sofrerá desse mal. Isso sem falar que o leitor lembrará de muito mais informações a respeito do que leu do que quem ficou assistindo televisão.&lt;br /&gt;- Não acho isso. O cara pode ter assistido a vários documentários, e inclusive aprender muito mais assuntos do que aquele que se limitou a ficar lendo.&lt;br /&gt;- Não sei onde você quer chegar. Conheço alguns exemplos de pessoas que assistem televisão o dia inteiro, nenhuma delas assiste documentários. Acho que se uma pessoa assistisse documentários durante 24 horas, ela aprenderia que não deveria fazer isso. Alguém que restringe sua cultura à novelas e seriados, e também aos filminhos comerciais americanos, é intelectualmente menos desenvolvida do que alguém que lê muito.&lt;br /&gt;- Quer dizer que se eu ler todas as obras do Paulo Coelho, serei "intelectualmente mais desenvolvido" do que alguém que estude o comportamento humano no Big Brother?&lt;br /&gt;- Olha só. Eu acho que você deu dois péssimos exemplos. Não quero mais discutir isso...&lt;br /&gt;- Como assim? Você é muito intransigente, não respeita a opinião dos outros!&lt;br /&gt;- Porra! Você parece maluco! Pede a minha opinião para tachá-la de intransigente? Me desculpe, mas prefiro ter uma opinião a respeito das coisas do que aceitar qualquer porcaria como valor pra minha vida.&lt;br /&gt;- Até aí tudo bem, mas você vai além e discrimina quem não tem essa mesma opinião.&lt;br /&gt;- Tenho certas convicções que não acho passíveis mais de serem discutidas. Demorei muito pra conseguir chegar a essas verdades. Foi fruto de muito pensamento, reflexão, experiência e leitura. Então, se você me pergunta minha cor predileta, eu digo azul, mas não há um motivo racional consciente pra essa preferência. Por outro lado, o reconhecimento que dou pra literatura é de natureza diferente. Está acima de uma mera questão de gosto pessoal. Essa questão de gosto pessoal se reflete muito mais no que você vai ler do que no fato de você ler ou não.&lt;br /&gt;- Mas a televisão pode funcionar como um facilitador dessa leitura, não acha? Ao invés de ter o trabalho de interpretar os caracteres, imaginar os cenários, podemos assistir tudo concretizado na nossa frente.&lt;br /&gt;- Continuo condenando aquele caso extremo. A televisão jamais substituirá a literatura. O processo de interpretação dos caracteres e a imaginação do cenário são justamente os elementos que criam a mágica toda. O que diferencia o homem do resto dos animais é precisamente essa capacidade de imaginar e de raciocinar, certo?&lt;br /&gt;- Certo, mas...&lt;br /&gt;- Se eu for pra academia exercitar meus músculos, ficarei mais forte. De maneira análoga, podemos pensar que, se eu exercito minha habilidade natural de raciocinio e imaginação, desenvolverei tais capacidades. Agora, te pergunto: Você acha condenável gostar de desenvolver virtudes como essas?&lt;br /&gt;- Claro que não condeno isso! Mas você desviou o assunto. Quem disse que a televisão não é capaz de desenvolver essas capacidades também?&lt;br /&gt;- Quem disso isso foi você, quando apontou a diferença entre o livro e a televisão.&lt;br /&gt;- Eu disse que a televisão facilitava...&lt;br /&gt;- Se sairmos do caso extremo, podemos melhorar essa discussão. A televisão pode ser complementar à literatura. Claro que é uma diversão válida. Mas não é saudável se restringir a ela. Fora que é um instrumento muito perigoso de controle político, social e econômico, mas aí entraríamos em outro assunto. Você compreende, a partir dos exemplos extremos que eu dei, o que quero dizer? Não desmereço a televisão, adoro assistir filmes, mas de maneira alguma posso considerá-la, no que diz respeito à minha vida, ao meu bem estar, ao meu gosto, mais importante que a literatura.&lt;br /&gt;- Compreender eu compreendo, mas não deixo de achar preconceito da sua parte. Há livros bons e livros ruins, há programas bons e programas ruins...&lt;br /&gt;- A diferença é que você escolhe os livros que quer ler né?&lt;br /&gt;- Não, isso não é uma diferença. Eu escolho também os programas.&lt;br /&gt;- Você pode dizer que escolhe, mas até que ponto essa escolha é consciente eu não sei. Independente disso, não vejo onde você quer chegar com esse argumento. Não contradiz absolutamente nada do que falei...&lt;br /&gt;- Paulo Coelho é bom?&lt;br /&gt;- Não gosto. Provavelmente os leitores dele fazem parte também da audiência de programas como Big Brother.&lt;br /&gt;- Definitivamente, você é muito intransigente!&lt;br /&gt;　&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-6972276605467604695?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/6972276605467604695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/07/tele-tela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/6972276605467604695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/6972276605467604695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/07/tele-tela.html' title='Tele-tela'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-4081984377552966754</id><published>2010-06-16T21:37:00.000-07:00</published><updated>2010-06-17T10:00:26.093-07:00</updated><title type='text'>Carta a F. Negreiros</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Em resposta a &lt;a href="http://supercarneiro.blogspot.com/2010/05/carta-m-lannes_25.html"&gt;http://supercarneiro.blogspot.com/2010/05/carta-m-lannes_25.html&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://supercarneiro.blogspot.com/2010/05/carta-m-lannes_13.html"&gt;http://supercarneiro.blogspot.com/2010/05/carta-m-lannes_13.html&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Maestro,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bela surpresa tive eu ao entrar hoje no seu blog a fim reler mais uma vez – sim, eu li uma vez, e depois outra, constituindo a releitura; digo, portanto, “reler mais uma vez”, pois estava na terceira tentativa -, entrei, retomando o assunto, no seu blog para me consultar de certas passagens da última carta. Lá me deparo com uma postagem exatamente no dia de hoje - vinte e cinco de maio -, em que você tratava de assuntos que iam desde o nosso projeto, até a criação de “vida artificial”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Jamais teria a ousadia de deixar de comentar tudo a respeito do espetáculo, e dessa transformação amorfa que você tão bem caracterizou. Nem me esqueceria de falar pormenorizadamente sobre a bela metáfora do rolo compressor, do novo que se renova, da “virtualidade da estagnação graças à constância do movimento”, não! Jamais faria uma coisa dessas. Mas por ora, vou me ater às cartas anteriores.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Na resposta à minha pergunta sobre espetáculo e esporte, você diz que finalmente chegou a Humanhá, que o proprietário havia retirado os móveis, e você olhava pela janela a ‘casa do mago’, na floresta! Havia também um trem, e o Tempo – com tê maiúsculo -, se diluía como açúcar em copo d’água. Está lembrado? Pois bem, gostaria de saber se existe alguma interpretação sobre isso, se o Tempo foi escrito conscientemente dessa forma, e se sim, por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Quanto à resposta para a pergunta que fiz na carta anterior, o que escreveste vai muito em linha com o que penso. De qualquer forma, ainda tenho a dúvida de saber se em algum momento o esporte já carregou consigo uma importância mítica genuína (a imagem do atleta, os jogos olímpicos); creio que se ainda existe alguma confiança no conceito de nação, o esporte teve muito a contribuir. Tenho convicção que ultrapassa esse conceito do espetáculo, mas ao mesmo tempo se vem confundindo tanto com ele, que me dá a impressão de ocorrer um processo de contaminação. É como se o esporte fosse contaminado pelo espetáculo, e o sintoma crônico dessa doença é justamente o espetáculo transformando tudo em espetáculo, ou seja, o esporte perdendo seu valor transcendente. Você não acha incrível a semelhança desse fenômeno com o que aconteceu com a arte?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Tome nota de todas as perguntas que venho fazendo ao longo desse texto, pois gostaria muito de ler sua conclusão a respeito delas. Aqui vai mais uma: na sua carta em resposta à minha carta, você diz que se demorou para escolher uma apóstrofe. A propósito, gostei da metáfora a respeito do sistema e do emprego do termo ‘apostrofado’, se referindo a mim; mas voltando à minha pergunta, o que te fez escolher ‘bravíssimo’? Vale ressaltar que achei uma bela apóstrofe, e me regozijo de ser adjetivado, ou melhor, apostrofado, dessa maneira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Confesso ter ficado surpreso com o efeito do que escrevi na última carta. Você fala sobre um conselho meu que te deu muito o que refletir. Quando li da primeira vez sua resposta, antes da citação textual, fiquei achando que &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;tal conselho se referia ao meu conto autobiográfico, quando nos tornávamos produtores de filmes (na verdade se referia ao conto da carta anterior, quando cenarizei). Estou dizendo isso só para que imagines qual não deve ter sido minha confusão no momento da leitura. De fato, foi bem observado que quando dei o conselho não o fazia calculadamente, aliás, também foi muito perspicaz de sua parte ter imaginado que eu não me lembraria dele, pois, ao reler meu próprio conselho, senti-me aconselhado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O que escreveste também me tocou bastante. Apesar de acontecimentos recentes que agiram como um balde de água fria frente aos nossos planos, ao ler o fragmento que faço questão de repetir textualmente, encontrei bons motivos para continuar qualquer luta e não desistir de sonhos que talvez alguém de espírito indeciso julgue exageradamente sonhador. Nós precisamos ter sonhos, o sonho é a expressão material do espírito!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;“Mesmo assim, por muitos que sejam os obstáculos para a compreensão dessas idéias, quero crer que, por um magnetismo espiritual, vamos um dia encontrar, espalhados pelo mundo ou dormindo em uma casa vizinha - que seja - indivíduos que perceberam a beleza do mundo natural e a natureza particular do homem, e nela, a sua própria beleza. E juntos poderemos descobrir coisas novas até um dia transcendermos ao ponto de tocar mesmo a massa adormecida das pessoas com a nossa Arte. Enquanto não encontramos nossos irmãos de espírito, teremos sempre a nós mesmos, e [a?] consciência disso, para nos divertir e brincar com o resto do mundo, como se fosse o nosso jardim secreto.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Espero que essa repetição lhe soe como soou a mim a releitura do conselho...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Mudando radicalmente de assunto, mas ao mesmo tempo mantendo-nos numa mesma linha de raciocínio, falemos sobre nosso projeto. Antes, ressalto que estamos infringindo uma regra muito séria ao tratar desse assunto aqui. Exceção feita, continuemos...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A idéia do projeto se baseou justamente na observação daquele jornal que citaste (o tal “Destak”). As pessoas – odeio ter de me referir assim aos sujeitos de minhas frases, mas enfim - as pessoas, lêem essa merda, digerem, acreditam e até gostam. Mas em termos práticos, o que de melhor elas poderiam ter? Estou sendo bem pragmático aqui. A idéia desse jornal é extremamente inteligente, pois há ali a formação de opiniões, sem falar em propaganda, e em público. As ocasiões são muito apropriadas. Lugares em que as pessoas esperam: pontos de ônibus, rodoviárias, aeroportos, salas de espera, trânsito... Lembro precisamente do dia que pensei no nosso projeto pela primeira vez. Estava num táxi indo para o Leblon, no sinal que cruzava o Humaitá havia umas mulheres distribuindo gratuitamente esse jornal e não houve sequer um motorista – é importante ressaltar as várias classes sociais atingidas – que se recusasse a receber. O taxista não só pegou e começou a ler logo depois, como pediu outro para dar ao seu amigo no ponto. E até elogiou o destak: “é de graça, mas não é ruim...”, foram mais ou menos suas palavras. Em suma, elas lêem pelo mesmo motivo que vêem big brother, para não pensarem em nada, para se distraírem, para o tempo passar mais rápido...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O que acontece na sociedade do espetáculo é um fenômeno muito interessante, pois esses assuntos que supostamente deveriam “aliviar” a mente da massa, começam a causar estresses e efeitos esquisitos: é o sujeito se suicida porque o time perdeu o campeonato; o outro tem uma crise nervosa porque lançaram um modelo de carro melhor que o dele; e assim por diante, passando por política, religião, moda, etc. Uma série de assuntos que, se um dia proporcionaram algum prazer para a humanidade, certamente hoje são fonte apenas de aborrecimento. “As pessoas” se irritam porque o cantor de pagode traiu sua esposa dançarina! Elas discutem esse assunto, LEÊM sobre esse assunto...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Enfim, tudo pra dizer que essa é uma brecha. É possível oferecer coisa melhor para os momentos de lazer das “pessoas”, é possível tentar fazê-las terem interesse na literatura, na filosofia, é possível tentar, não tenho dúvidas quanto a isso. É possível escrever uma história sobre uma dançarina e um cantor que não seja um simples instrumento de alienação, podemos e devemos tentar conseguir atingir essas “pessoas”, não existe esse conceito fixo de público alvo. Faço aqui uma analogia com relação a um fato que aconteceu contigo, meu caro, quando um músico se recusou a se apresentar com você. Concordo plenamente com tudo que disseste: “se um grande músico não é capaz de tocar com alguém que tenha menos experiência, talvez ele não seja um grande músico”. Portanto, se há um desinteresse geral pela literatura, acredite, os motivos são puramente pedagógicos, e é culpa de quem tenta – e de quem não tenta – esse estado de desculturização aparente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Escrevi um ensaio sobre arrogância recentemente e seria até bem apropriado colocar algumas considerações adicionais a esse respeito aqui. Resumindo numa única sentença: é preciso ter muito cuidado para não confundir arrogância com racionalidade; uma coisa é se colocar na posição cristã de Deus – dizendo que pode conseguir tudo que quer -, nesse caso, estar-se-ia sendo arrogante ao extremo, pois segundo a própria ideologia católica, nenhum humano pode ser Deus; outra coisa é um matemático afirmar que sabe fazer contas, neste caso é perfeitamente racional que ele saiba, não podemos tachá-lo de arrogante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Dito isto, continuando o assunto de tentar mostrar “coisas boas”, acho que o que mais nos faz diferente dessas “pessoas” seja o fato de percebermos justamente nuances como essa: de que os assuntos que deveriam ser prazerosos, acabam virando motivo de stress. Sim... Fomos muito mais a fundo nessa idéia, mas essa primeira constatação – que nos levou, talvez de forma inconsciente, para a literatura - é um consenso. Esse apontamento não é um juízo de valor, esse apontamento é racional, estatisticamente comprovado, o resultado é tão explícito que não preciso sequer enumerar as milhares de mazelas dessa sociedade de pessoas que não sabem mais o que é bom e ruim pra elas próprias. Creio que os jornais, a mídia, e praticamente toda a arte veiculada em massa, não são ruins porque a sociedade os consome, mas sim a sociedade está nesse estado calamitoso porque assiste a exemplos como big brother. Os heróis dos nossos tempos são pautados em nada, tornaram-se meras fábricas de dinheiro que tem a fama e o espetáculo como engrenagens. Mesmo os valores tão duradouros da moral cristã – que inegavelmente têm um grande herói mitológico, justificado metaforicamente como tal -, mesmo as religiões e até mesmo o que de bom havia no senso comum, como você mesmo salientou, se diluiu nessa gelatina que já começa a ficar turva e amorfa. Nós tivemos - e temos - a capacidade de perceber isso, cabe decidirmos o que fazer com ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Abusando mais uma vez da liberdade de conversar por cartas, mudarei de assunto abruptamente, mas não sem um bom motivo. Andei pensando: outra vantagem de conversar por escrito é poder falar na sua forma mais sublime, ou seja, com um texto formado a partir de inúmeros momentos de inspiração, o que nem sempre acontece numa conversa ao vivo. Claro que essa vantagem tem a ver com o tempo, pois a carta tem, teoricamente, mais tempo de ser elaborada. Isso sem falar que, em geral, passa por um processo de revisão que a fala jamais poderá ter. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Lembro-me da fundamental importância, em certas ocasiões, do nosso Maria Mancini, para que pudéssemos elevar nosso diálogo ao nível das cartas. Que interpretação você faz disso? Considere a questão do "estar sozinho" e o processo criativo, sem esquecer, é claro, de como o Maria age nesse sentido. A propósito, vale dizer, o Maria Mancini é a marca de charuto que Hans Castorp fumava quando “regia”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Desde algum tempo tenho me visto pensar, ou melhor, reger, a respeito do que será da minha própria vida. O que quero ser no futuro, qual caminho tomar, etc. Não sei se você já sente algo semelhante ao que vou tentar expressar, mas estou num determinado momento, ou pelo menos me sinto irremediavelmente próximo a ele – próximo num nível tangível -, em que as experiências passadas se assentam, como num processo de decantação, e eu preciso olhar a todas, aprender com elas, tomar lições, questionar tudo que for possível, até atingir o máximo de respostas e finalmente descobrir a direção que meu espírito deseja que meu corpo siga. É claro que não deixo de considerar todos os conselhos e sedimentos alheios. Inicialmente devemos aprender com nossos próprios erros - esse primeiro passo é primordial -, desse aprendizado resultará naturalmente, e dependendo do grau “dedicação do aluno”, a própria solução que o fará aprender com os erros dos outros. Ou seja, a partir da observação das escolhas que determinada pessoa fez na vida, em comparação com seu estado de espírito no momento, podemos ter avaliações a respeito do que queremos ou não nos tornar, e com isso julgar nossas decisões.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A racionalidade – vou fazer um pequeno parêntese - se encaixa justamente nesse ponto: o julgamento. Pois o primeiro “porque” que deve ser analisado é precisamente aquele que diz respeito à motivação de uma ação e não à ação em si. Para ser mais prático, de que adiantaria saber que um assassino matou alguém sem que se soubesse também o motivo que o levou a cometer tal atrocidade? Enfim, me refiro a algo que sequer consigo expressar direito com palavras, mas é o que dá sentido à literatura, à arte, e à própria ciência, é o que acaba morrendo quando deixamos de fazer julgamentos, quando aceitamos tudo num estado de perversa passividade, quando condenamos quaisquer julgamentos! Se alguém diz que essa idéia parece contraditória ao estado de afastamento da dualidade, argumento imediatamente dizendo que ela é exatamente o ponto de partida para esse afastamento, pois negar a natureza julgadora – inerente à nossa existência material -, não é nada mais do que separar o corpo do espírito, o alcançável do inalcançável. O espírito é julgador por estar atrelado ao corpo e o corpo julga por ter um espírito. Acreditar que a transcendência é óbvia, que será atingida por um estado de condenação dos julgamentos, é o primeiro erro, é o que aprendi com Thomas Mann.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Joseph Campbell disse: “A medida que nos afastamos da transcendência, criamos o dualismo.“ Essa frase tão simples é capaz de dizer algo absolutamente óbvio – se nos separamos do uno, criamos dois pólos antagônicos; se nos separamos de Deus, criamos dois pólos antagônicos -, e ao mesmo tempo carrega consigo uma verdade incapaz de ser expressa literariamente. Você não acha?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Retomando o assunto sobre o que ando pensando, quero relembrar o que escrevi em alguma de nossas correspondências a respeito do estoicismo na minha vida. Está se delineando uma daquelas sombras que antes eu não era capaz de ver nem o vulto. Um dia alguém me disse que a vida é como correr para pegar um ônibus; tomando essa metáfora como referência, diria que já enxergo o veículo, e ele parece parado me esperando... mas a rua é esburacada e está cheia de pedestres que me dão ombradas na direção contrária. Às vezes tenho medo de perder o ônibus, mas por sorte há quem ande na mesma direção que eu e me dê ombradas para frente... De qualquer forma, enquanto o dia não chega, continuarei me preparando para o “suicídio”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Imagino que tenhas lido a carta que mandei a nosso companheiro Beralto. Gostaria de aproveitar a oportunidade e te colocar uma das perguntas que propus a ele. Qual sua posição com relação a um ofício que lhe seja a fonte de sustento? Você se imagina com um emprego fixo, num escritório? Me parece que lhe é distante a simples idéia de “ter de se sustentar”, afinal, um viajante jamais terá de sustentar uma casa. De que maneira você encara essas questões? O que te faz superar aquele irresistível medo da miséria que volta e meia assola os homens de espírito?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Finalmente, quero falar sobre a síntese de vida artificial. Antes de entrar nos méritos filosóficos, sejamos práticos. Essa “manchete” cientificamente sensacionalista que colocaram para anunciar a descoberta é quase demagógica. Só não digo demagógica por completo, pois indiscutivelmente trata-se de um grande passo no que diz respeito à ciência. Nada foi criado no conceito estrito da palavra, na verdade o que Craig Venter fez, foi reorganizar trincas de bases nitrogenadas de maneira a reproduzir determinadas características. Ele não criou as seqüências, nem tampouco as produziu a partir de substância inorgânica; como eu disse, ele apenas mapeou – por isso quinze anos – as seqüências genéticas que determinavam certas características para uma espécie de bactéria, e de alguma maneira executou um processo de recorte e colagem a fim de “criar” outro organismo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O interessante nisso, foi que o novo DNA introduzido em outro organismo, foi capaz de alterar-lhe diversas funções metabólicas; de fato havia um novo ser, mas daí a dizer que a vida foi criada artificialmente é um grande equívoco e exagero.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(Ia transcrever aqui uma passagem de Thomas Mann que fala da arrogância da ciência que diz ser capaz de descobrir tudo, mas na verdade o que faz é só mudar as perguntas. Cada resposta leva a uma nova pergunta, mas não achei a passagem em questão...)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Deixando de lado essa questão conceitual, o que quero discutir é a possibilidade desse acontecimento se prolongar através dos anos até o ponto de o homem produzir homens tão perfeitos que se tornam imortais. Pois sempre existiu uma relação muito profunda entre a morte e a eternidade; ambas têm um mesmo significado no que diz respeito à incapacidade humana de representar o irrepresentável. São os mistérios que moveram a civilização ao longo de anos evolutivos até o ponto em que chegamos agora e até onde estaremos no dia em que o fenômeno da imortalidade acontecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Trazendo a problemática para o aspecto individual, faço a seguinte analogia: quando temos um grande pensador vivo, e surgem dúvidas filosóficas, ele as responde seja por meio de seus livros, suas obras, ou mesmo palestras ou outras coisas do gênero. Digo “Ele as responde” me referindo não ao fato de que dê respostas corretas, mas sim afirmando que fala suas opiniões, e elas, por algum motivo, atraem a simpatia de alguns. Eu poderia ir mais longe e ousar afirmar que esse modelo se aplica a todos os meios de conhecimento, mas não quero entrar nos méritos de cada um, e nem tenho ousadia suficiente. Voltando ao pensador, quando ele morre, e continuam a surgir as dúvidas filosóficas, quem tenta as responder, e sob a perspectiva do sábio, é nada mais que um especialista nos ensinamentos dele. Afinal, não há especialistas em Thomas Mann? Dostoevski? Freud? Hittler? Mozart? Einstein? Enfim... Poderia citar milhões, mas o importante é percebermos a existência de uma imortalidade nesse contexto, percebe? E, mais do que isso, uma imortalidade intrinsecamente ligada à morte. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;.............................................Parece muito vago o que penso? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Em outras palavras, assim como a civilização se impõe à sociedade por meios pedagógicos com o fim de possibilitar sua própria imortalidade, imagino que o homem busque, mesmo que num desejo inconsciente, mas acima de tudo biológico,&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;a sua própria imortalidade e a imortalidade daqueles de sua espécie, através da superação material da própria existência. Nesse sentido, não sei precisar quais seriam os sintomas ou os passos que levariam ao fim do mundo, mas quase venço minha timidez a ponto de afirmar que seria o fim da vida a concepção do homem imortal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Thomas Mann diz: “[Se] o ali é igual ao aqui, o passado é idêntico ao presente e ao futuro. Na imensa monotonia do espaço afoga-se o tempo. Onde reina a uniformidade, o movimento de um ponto a outro deixa de ser movimento. Onde isso acontece, já não existe o tempo.” Agora você me diga, meu caro maestro, sendo a vida uma associação entre tempo e espaço, onde um até se confunde com o outro, como podemos conceber uma existência sem tempo? Citando Kant, o tempo e o espaço são as intuições biológicas da vida; podemos conceber um espaço sem objetos, mas não podemos imaginar um objeto sem espaço; podemos pensar num tempo sem acontecimentos, mas é inimaginável um acontecimento sem tempo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ainda pretendo falar bastante, particularmente sobre Thomas Mann. Por ora, basta mencionar que tomei a difícil decisão de cartificar esse assunto – Thomas Mann -, ciente das conseqüências inerentes aos assuntos que tratamos aqui. De qualquer forma, gostaria de terminar com uma pergunta, que vai me servir de base para o início do que pode ser uma longa discussão. Você disse que o “Montanha Mágica” mudou sua vida, está lembrado? Qual foi a maior revelação que você tirou dessa leitura? Sua relação com o tempo mudou, sua relação com Deus mudou, sua relação com algum aspecto da sua vida mudou? Você consegue localizar esses pequenos aprendizados? Como se dá a influência da idade para uma leitura como essa (por mais culto que o sujeito seja, ao ler aos 16-17 anos esse livro, dificilmente vai apreender tudo)?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Meus olhos avermelhados cansam-se diante do papel branco; minha mente se embaralha de idéias e dúvidas. Siga-mos...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Santificamente,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;MLF&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-4081984377552966754?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/4081984377552966754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/06/carta-f-negreiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4081984377552966754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4081984377552966754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/06/carta-f-negreiros.html' title='Carta a F. Negreiros'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-5174115354812924598</id><published>2010-05-08T00:05:00.001-07:00</published><updated>2010-05-08T00:48:32.160-07:00</updated><title type='text'>Telegrama</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Posso ser um idealista infeliz&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas vou morrer idealista&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não posso deixar de apontar&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como alguém carrega uma carcaça&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com duas toneladas&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para ir no correio postar um cartão postal&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De vinte gramas?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por que as pessoas&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Compram tanques de guerra&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para andar pela cidade onde moram?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por que todos não vendem seus carros?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E constroem um super trem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nesse super trem todo mundo andaria junto&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por que alguém quer andar sozinho num tanque de guerra?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para postar cartas no correio?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não, elas não mandam mais cartas...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há algo absurdo? Não pode ser!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por mais que tudo indique que somos do modelo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não devemos deixar de apontar&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E muito menos de usar nossos próprios atos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ser, dentro do modelo, fora dele&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Posso ser um idealista feliz&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vou morrer idealista&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não posso deixar de apontar&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-5174115354812924598?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/5174115354812924598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/05/telegrama.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5174115354812924598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5174115354812924598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/05/telegrama.html' title='Telegrama'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-6891402292712111929</id><published>2010-04-29T22:26:00.000-07:00</published><updated>2010-04-29T22:28:36.317-07:00</updated><title type='text'>Pequena Carta a F. Negreiros</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Santíssimo companheiro,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Escrevo-te para fazer-lhe uma pergunta simples. Antes, porém, haverá um pequeno adendo que gerará certa ansiedade, da qual é praticamente impossível imunizar-se. Quando terminei de elaborar a pergunta relembrei meus tempos de colégio, e primordialmente as provas de história e geografia. A diferença é que essas questões escolares, por mais que houvesse esforço de minha parte, nunca conseguiram ter uma importância maior do que simplesmente “passar de ano”. Era uma época em que eu sequer sabia da existência da idéia de um “Deus personificado”, embora acreditasse piamente na existência desse “Deus”. Repare que esse “Deus personificado” é um termo ambíguo... Mas enfim... O que tenho em mente agora não é a repetição de coisas decoradas ou lidas em algum livro didático, assim como a resposta também não o será (esse é o princípio da evolução criadora!); justamente por isso fico ansioso para vê-la, não está escrita em lugar nenhum. Vamos à pergunta. Considerando a “filosofia mitológica”, isto é, a imagem do herói, e os argumentos básicos da sociedade do espetáculo, qual é o papel civilizatório do esporte? Esse termo – “civilizatório” – representa muito mais do que meramente história (aquela do colégio), entenda-se por ele tudo o que diz respeito à construção social, artística, psicológica de uma sociedade. Todas as culturas, e isso inclui a mitologia grega, por exemplo, têm rituais associados à “práticas esportivas” (incluo a dança nesse pacote), ou seja, há algo mais profundo nesse relacionamento – esporte vs civilização -, que ultrapassa a simplicidade do “pão e circo” característico dos nossos dias. Você consegue me dizer o que é?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Namaste!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-6891402292712111929?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/6891402292712111929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/04/pequena-carta-f-negreiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/6891402292712111929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/6891402292712111929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/04/pequena-carta-f-negreiros.html' title='Pequena Carta a F. Negreiros'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1099450625171145505</id><published>2010-04-29T21:43:00.001-07:00</published><updated>2010-05-10T17:54:55.657-07:00</updated><title type='text'>Sauna a vapor</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Lembro - uma dessas lembranças que não conseguimos descobrir porque lembramos - a primeira vez que entrei numa sauna a vapor. Era criança, na faixa de uns doze ou treze anos. Nunca tinha visto aquilo, achei um máximo, embora não tenha conseguido ficar mais do que trinta segundos lá dentro. Até aí, nada de estranho em não saber porque me lembro disso, afinal de contas, as primeiras experiências marcam profundamente um ser humano. O que não sei porque me lembro se refere ao diálogo que escutei, mesmo sem ter entendido nada quando ouvi. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Havia um casal de jovens, entre quinze e vinte anos, e dois homens velhos, com seus pra lá de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;cinqüenta&lt;/span&gt;, sessenta anos. A adolescente, esculturalmente bela, chamava a atenção de um dos senhores. Indiferente a isso, o casal discutia a respeito das convicções amorosas do jovem. A menina questionava se o rapaz realmente gostava dela, ou se preferia outra tal amiga sua, ao que ele respondia, sem certeza, que tinha certeza que era dela que gostava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Me mantinha encolhido no canto da sauna, já sem fôlego e olhando de soslaio na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;direção&lt;/span&gt; das vozes. Algum instinto me fazia pensar que olhar para o som, sem enxergar sua fonte, faria eu escutá-lo melhor. De qualquer forma, não tinha muito interesse no assunto, o que motivava era a superação de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;agüentar&lt;/span&gt; mais tempo lá dentro. E talvez aí venha minha maior fonte de estranheza em lembrar disso, pois o que me lembro com mais força é justamente a frase que um dos velhos disse ao outro, claramente se referindo de forma implícita à conversa dos jovens. Sei que “claramente implícito” soa paradoxal, mas foi isso mesmo... Ele disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“A natureza é muito sábia. Imagina se eu tivesse a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;inteligência&lt;/span&gt; que tenho hoje, na minha juventude? Não ia ter pra ninguém, eu namoraria todas as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;menininhas&lt;/span&gt;... Seria muita covardia, com a experiência que eu tenho, seria muita covardia. É por isso que só ganhamos experiência com o tempo, se já soubesse de tudo que sei hoje quando era adolescente, seria um Deus...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Nesse momento fiquei sem ar, e sai. Não sei se minha presença foi percebida, não olhei para trás. Saí pensando no que o velho acabara de dizer, mesmo tendo a impressão de aquilo ser uma asneira. Depois de anos, inclusive depois de ter entendido, ainda assim, essa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;idéia&lt;/span&gt; ocupou as profundezas da minha mente, aparecendo de vez em quando, sem mais nem menos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Claro que concordo com o velho, mas as palavras dele não deixam de ser uma asneira, como suspeitei quando jovem, mesmo sem saber que esse termo – asneira – existia. É absolutamente óbvio que existe uma relação profunda entre idade e experiência de vida. A relação entre a experiência e o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;objeto&lt;/span&gt; no qual se é experiente pressupõe justamente o tempo decorrido para se “&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;experimentar&lt;/span&gt;”. Esse fundamento básico vale tanto quando esse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;objeto&lt;/span&gt; é a própria vida – onde o tempo é representado pela idade – quanto quando o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;objeto&lt;/span&gt; é um instrumento musical que se deseja aprender. Sim, claro, existem aptidões especiais, mas essas só &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;servem&lt;/span&gt; para potencializar o processo de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;experimentação&lt;/span&gt;, sem deixar que o mesmo seja desnecessário. Mais uma vez não sei porque, mas penso que o velho, precisamente por ter falado aquilo, não tem essa aptidão para a vida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1099450625171145505?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1099450625171145505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/04/sauna-vapor.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1099450625171145505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1099450625171145505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/04/sauna-vapor.html' title='Sauna a vapor'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1800690040077592526</id><published>2010-03-14T17:31:00.001-07:00</published><updated>2010-03-14T17:37:08.526-07:00</updated><title type='text'>Pesquisa antropológica</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;1 - Você acha que cachaça é água?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;“Não, sob vários pontos de vista, olfativo, químico, físico, filosófico, metafísico, ontológico. São vários aspectos.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Independente do que eu achar, cachaça e água não são a mesma coisa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Se você pensar em termos semânticos, é.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não, por cauda do cheiro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Cachaça é água não. A cachaça vem do alambique e a água vem do ribeirão,...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não, eu acho que a cachaça só vira água a partir do momento que você tem o hábito de beber. Eu não tenho esse hábito, pra mim é um sofrimento beber cachaça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;2 - A batatinha, quando nasce, se esparrama pelo chão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Sim, assim como a menininha que dorme bota a mão no coração.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Algumas podem se esparramar sim, mas há outras que não, pois já várias batatas não esparramadas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Isso só acontece quando um pé de boi desgarrado, pisa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Batatinha fica debaixo da terra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não, pois ela nasce dura, se estivesse cozida talvez sim.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não, a batatinha quando nasce espalha ramas pelo chão. Mas a mamãezinha quando dorme, põe a mão no coração.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não sei, pois nunca vi a batatinha nascer.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;3 - Qual foi a reação da Dona Chica logo após eu ter atirado o pau no gato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Admirou-se, ficou admirada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Dona Chica se incomodou com o barulho do gato, mas no fundo não se importava com o felino.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Síncope, teve morte súbita.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Admirou-se.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Ficou com ódio.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Admirou-se do berrô que o coitado deu!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Admirou-se no berro que o gato deu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;4 - Você já foi ao tororó? Caso positivo, achou água lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nunca fui ao tororó.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nunca fui e não conheço quem tenha. Não deve ter água, se tivesse, alguém já teria bebido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não. Mas ao Itororó já.  Tinha muita água.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nunca fui.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nunca.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Eu fui lá sim, mas só achei a linda morena que no tororó deixei. Aproveita, minha gente!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nunca refleti sobre isso, não tenho opinião formada e não quero refletir.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;5 - Afinal de contas, por que o sapo não lava o pé (dizem que é porque não quer, mas essa resposta é muito génerica)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Porque ele não se conhece.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“O sapo oprime suas verdades, não se preocupa com autoconhecimento, nunca se colocou essa questão e não cabe a mim fazer isso se ele mesmo não fez.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Ele sente cócegas. O pé é o seu ponto S . Ele não conta, mas estudos científicos já comprovaram.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“O pé do sapo vive na água, portanto, já é limpo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Sapos não se higienizam, porém na ficção é sim uma resposta muito genérica.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Porque ele mora na lagoa, ora bolas, não precisa lavar o pé.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“É uma paródia com as crianças que não gostam de higiene.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;6 - O Zezé é? (Pergunto isso por causa de sua cabeleira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Ser ou não ser, eis a questão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Até que ponto podemos tirar conclusões a respeito de alguém com base em sua cabeleira?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Só de noite, na hora em que todos dormem. Ele é tudo e, as vezes mais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“O Zezé é uma porção de coisas sim.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Travesti.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Corta o cabelo dele...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“A celebração do carnaval é feita para as pessoas deixarem de ocupar os lugares que elas geralmente ocupam na sociedade. Essa pergunta está justamente deixando o Zezé indefinido, não o colocando em nenhum lugar, e esse é o objetivo do carnaval.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;8 - Se alguém quer mamar, por que pede uma chupeta, se pode chupar um peito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Porque leite materno deve ser nojento para pessoas que têm idade para ter consciência de si mesmas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Certamente por algum trauma de infância. Esse alguém deve ter sido abandonado pela mãe ainda recém nascido e amamentado com mamadeira.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Em verdade vos digo, o desejo de mamar te acompanha até o seu último suspiro e não necessariamente precisa de um objeto ou elemento qualquer que supra esse desejo. A busca repentina e inusitada por respostas é também um desejo de mamar.”&lt;br /&gt;“Porque ele ainda é burro na infância, e confunde uma coisa com outra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Quem disse que pode?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não sei, mas o autor da letra tem uma irmã que se chama Ana, que de tanto piscar o olho já ficou &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;sem a pestana.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“A chupeta traz uma imagem mais infantilizada do sujeito. O carnaval é exatamente o momento de trazer essa disresponsabilização das pessoas. A palavra chupeta tem um efeito maior, nesse sentido, do que peito.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;9 - Se aqui nevasse, você usaria esqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Neim.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não, da mesma forma que não uso patins nas ruas asfaltadas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Eu usaria sim, porque não?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Usaria sim, adoro esportes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Sim, seria algo rotineiro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Se fiz o negócio? Lógico!  E se essa rua fosse minha, eu também  mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhantes, para o meu amor passar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não sei, porque eu não posso opinar sobre uma existência que não sou.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;10 - Você acha que conseguimos chegar lá mesmo se a canoa virar? Caso positivo, onde exatamente é lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não. Lá é onde se quer chegar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Se dependermos da canoa par chegar lá, não conseguiremos caso ela vire. Lá é o porto seguro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Voltamos mais uma vez a semântica. Mas se você deseja a literalidade, correremos o risco de nadar. Vai depender dos teus anseios. Mas pra mim, lá é um lugar que não existe.”&lt;br /&gt;“Só os que sabem nadar. Lá é na margem mais próxima.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Claro é só desvirar! Lá  depende de onde você quer chegar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nesse caso o local não importa. O que importa é quem deixou virar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“A jogada é você chegar lá com a canoa quase virando. O lá é só um objetivo simbólico para complementar esse “aos trancos e barrancos” que é carnaval. Não importa onde é lá, importa só o processo precário de chegar.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1800690040077592526?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1800690040077592526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/03/pesquisa-antropologica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1800690040077592526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1800690040077592526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/03/pesquisa-antropologica.html' title='Pesquisa antropológica'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-4586639054854862253</id><published>2010-03-11T12:31:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T18:42:01.245-08:00</updated><title type='text'>Preciosa - Uma História de Esperança</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;"Precious" é no mínimo emocionante. A análise fria do enredo pode até fazer parecer mais uma dessas histórias batidas de Hollywood, mas a maneira como vai sendo narrada e a interpretação comovente de Gabourey Sidibe, no papel de principal, fazem toda a diferença. Além disso, em poucos filmes a desgraça de pessoas comuns é tão bem descrita. Os personagens são sublimes, e as situações caracterizam muito bem tudo aquilo acontece sem culpados. A mensagem mais importante talvez seja: não adianta você ficar procurando culpados para as mazelas de sua vida – todos os seres humanos têm suas mazelas – e muito menos entregar-se, sobrevivendo às custas da pena dos outros. A solução e refugiar-se em seus sonhos e fantasias e seguir adiante, tentando crescer para deixar sua contribuição para um mundo melhor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;É um filme otimista, que saí um pouco dessa linha mais recente de produções pessimistas e fatalistas em relação ao futuro do planeta. Não foi a toa que ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado – trata-se da adaptação do drama Push (1996), da autora americana Sapphire. A história gira em torno de uma garota de 16 anos da periferia americana, que mora com sua mãe desempregada. Precious começou a ser abusada sexualmente pelo pai aos 3 anos de idade e engravidou duas vezes dele. O primeiro filho nasce mongolóide, e inclusive recebe a alcunha de "Mongo", apesar de ser uma menina. A mãe virou lésbica depois de abandonada pelo marido (e genro ao mesmo tempo) e o fato de a filha estar para ter o segundo filho alimenta ainda mais o ódio e o ciúme que sente. Ela obriga a garota a comer comidas altamente calóricas, bate, xinga, humilha, enfim. Precious vira uma adolescente obesa e analfabeta, que se vê sem saída quando é expulsa da escola por estar grávida do segundo neném. Sustentando tudo isso está o Governo, sob a forma de assistência social – as assistentes sociais não percebem a situação. Pra completar, o pai morre de Aids e Precious descobre que era é soropositivo. Em meio a isso tudo, surge a professora da escola especial para analfabetos, que se aproxima de Precious e a ajuda. A partir daí o filme se desenvolve.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;Embora rodeado de clichês que causam certa irritação, e contando com interpretações não tão magníficas de Mariah Carey e Lenny Kravitz, o filme vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;b&gt;Torrent: &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/236479202/ae7fde81/Based_on_the_Novel_Push_by_Sap.html"&gt;&lt;b&gt;http://www.4shared.com/file/236479202/ae7fde81/Based_on_the_Novel_Push_by_Sap.html&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-4586639054854862253?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/4586639054854862253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/03/preciosa-uma-historia-de-esperanca.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4586639054854862253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4586639054854862253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/03/preciosa-uma-historia-de-esperanca.html' title='Preciosa - Uma História de Esperança'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7100137002365106171</id><published>2010-03-10T16:12:00.001-08:00</published><updated>2010-03-10T16:12:48.554-08:00</updated><title type='text'>Carta a F. Negreiros</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p style='text-align: right'&gt;&lt;span style='font-size:10pt'&gt;&lt;em&gt;Em resposta à &lt;a href='http://supercarneiro.blogspot.com/2010/02/carta-m-lannes-de-ponteiroapontadoblogs.html'&gt;http://supercarneiro.blogspot.com/2010/02/carta-m-lannes-de-ponteiroapontadoblogs.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;					&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Engraçado ter tocado nessas questões. Me deparo com elas constantemente e sempre achei engraçado você nunca ter as abordado dessa forma. Na verdade eu sabia que tinhas essa dúvida, e também estou certo de que sabias também que eu sabia que tu sabias, mas de qualquer forma nunca abordamos tão diretamente o assunto. E isso que acho engraçado. Esse termo, "engraçado", vai ser repetido inúmeras vezes ao longo dessas linhas. Poderia pensar em artefatos estilísticos para tentar evitar, mas prefiro ser fiel ao meu pensamento, que não pensa em sinônimos de "engraçado", mas sim em engraçado pura e simplesmente. Pode ser que nem saiba direito o que significa essa palavra, mas não é que eu fique rindo do que acho engraçado, às vezes é só um sabor cômico, que proporciona uma espécie de risada interna, um prazer satisfatório que nem sempre se externaliza na forma de uma gargalhada ou coisa parecida. Vou tentar detalhar com exemplos isso que estou falando, pode ser que descubras tu uma palavra que melhor defina a sensação.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aproveito para saciar um desejo pessoal seu de ler um texto autobiográfico, porque, apesar de estar inserido dentro de um contexto como esse, o que vou descrever abaixo não passa de uma experiência rigorosamente pessoal e real, sem metáfora nenhuma, a verdade crua. Aliás, já parou pra pensar nessa metáfora? Desculpe, eu sei que deve ser chato para você, sempre que pareço que vou engrenar num assunto, entro em outro, mas não se preocupe, que tudo vai se encaixar, não vou deixar histórias ou pensamentos inacabados. As ponderações metalinguísticas são incontroláveis, mas faço uso de mais uma das vantagens de conversar por escrito - que é a de consultar o assunto que ainda não terminei mesmo depois de ter embarcado em outras idéias - para dessa forma ir seguindo uma linha de raciocínio minimamente localizada. Imagine um eletrocardiograma, cheio de rabiscos, mas se você reparar bem, há uma linha central, eqüidistante dos extremos, e que parece guiar a direção do gráfico. Então, minha linha de raciocínio é essa reta, e as ponderações são representadas por esse aspecto volátil... digamos assim... do gráfico.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mergulhando ainda mais no mundo metalingüístico, uma grande vantagem de conversar especialmente com você, é saber que terá o interesse e o ímpeto de entender exatamente as questões que vão sendo propostas. Mesmo que ache chato, e que sejam realmente coisas muito complicadas, intrincadas, mal explicadas, você vai ler e reler até entender, ou, na pior das hipóteses, até o final. E isso, acredite, já é grande coisa. Ler até o final muita gente diz que lê, mas entender, ou pelo menos se manter disposto a tentar entender até o final, quase ninguém faz. Digo isso em relação a ti, pois é exatamente essa minha postura com relação a tudo que dizes e escreves. Achas que foi fácil entender essa pergunta:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"&lt;span style='color:#29303b; font-family:Georgia'&gt;Até que ponto vai o seu desejo de não querer nada, manifestado repetidamente em contos e poemas? A busca do seu Eu Lírico pela ausência de sentidos, seria, paradoxalmente, uma busca pela essência da sensação? Ou a sensação das coisas está no mesmo nível de repulsa quanto a percepção do sentido delas?"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ou ainda:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"&lt;span style='color:#29303b; font-family:Georgia'&gt;As vezes, achar que se está tratando da irrealidade real do mundo, quando já se está falando de como poderemos nos encontrar em breve, leva a terríveis mal entendidos."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;			&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim, não vou ficar aqui comentando o que entendi das frases, mas viajei pra caralho lendo até entender.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltando ao assunto da verdade crua. A metáfora que pensei é a seguinte. Uma carne vermelha, você frita ela até que fique bem passada, e a medida que você frita mais, o gosto natural vai se perdendo, até que ela vira carvão, sem mais nenhuma característica original da carne crua. Depois disso vira pó, que se espalha pelo ar e o boi simplesmente nem existe mais. É engraçado pensar nisso sob o ponto de vista da verdade, como se ela fosse esse bife. O que seria, portanto, a verdade crua?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Regressando novamente à história autobiográfica...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entediado e solitariamente pensativo em meu confortável sofá - essa situação se tornou ainda mais confortável na medida em que comprei o teclado e o mouse sem fios – resolvi sair para comer algo na rua. Basicamente, numa quarta-feira, às quinze pras duas da tarde, todas as pessoas que freqüentam esses restaurantes por aqui estão "em horário de almoço" - no sentido labutário da coisa - e comem com seus respectivos colegas, num momento de teórico relaxamento frente a uma longa jornada. Andando pela rua, reparei que cada grupinho de trabalhadores freqüentava o tipo de "refeitório" que lhe era mais característico. Por exemplo, uns borracheiros e mecânicos, com as mãos imundas de graxa, apoiavam uma quentinha de alumínio convexa na parte de baixo, e comiam usando um garfeto de plástico bem vagabundo. Não deu pra olhar exatamente, mas com certeza tinha farofa, feijão e macarrão. E se bobear, tinha só isso mesmo. Uns estudantes comiam uns salgados chechelentos numa padaria de esquina, e algumas pessoas andavam pela rua, nitidamente voltando justo do almoço. Iam em filas de três ou quatro pessoas, com os rostos franzidos, tentando fazer sombra aos olhos. O sol tava a pino. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É engraçado observar coisas inapropriadas. Como é inapropriado uma pessoa se vestir com um terno embaixo de um sol daqueles, ou então com uma roupa social, até calça jeans é errado. Tênis ou sapato, não dá pra entender, definitivamente não dá. Fui andando, de bermuda, camisa de botão aberta e chinelos até o restaurante onde decidi comer.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos sinal, fiquei observando uma mulher bem mais velha, praticamente idosa, conversando com um rapaz jovem e forte, com cara de burro. Achei engraçada a proximidade que estavam um do outro, não sei se a mulher queria seduzir o garotão, ou se ele que queria seduzir a velha, mas certamente pairava um clima de flerte entre os dois.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cheguei ao restaurante e mudei radicalmente de idéia. As mesas ficavam muito perto da rua, o aspecto empoeirado do lugar me deu ânsia de vômito. Resolvi entrar num restaurante mais granfino, e que ficava do lado! Ao entrar, a primeira coisa que reparei foram os olhares. Todos que comiam ali estavam vestidos a caráter, com uma espécie de uniforme bem variado de trabalho. Os homens com roupa social, alguns com terno e as mulheres banhadas em maquiagem, devidamente munidas de seus vestidinhos formais e desconfortavelmente colados ao corpo. Eu, com a cara ainda amassada pelo travesseiro, a barba de homem das cavernas e a faixa que prendia o cabelo, quase me senti inapropriado. Mas aí olhei de volta na cara de cada um, e sorri ao mesmo tempo em que pensei: "foda-se".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Andei até um lugar vazio, completamente alheio ao fato de me olharem com estranhesa. Na mesa ao lado de onde sentei estavam três velhos, tentei o tempo todo ouvir o que conversavam, mas minha a atenção era dispersada por um camarada posicionado na minha diagonal, que falava sobre carne de avestruz. Percebi que esse cara me olhava de vez em quando, não sei o que pensava exatamente, mas no mínimo achava esquisito. Era isso que demonstrava. Na mesa à minha frente estavam uma loira, e dois homens. Acho que ela estava grávida e que era casada ou tinha um relação bem próxima com um dos homens, pois eles se tocavam muito. Achei engraçado o fato de não demonstrarem carinho, embora se tocassem o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O garçon veio com o cardápio, tive muita dificuldade em escolher meu prato, pois simplesmente não conseguia prestar atenção no que estava escrito, devido aos infinitos diálogos paralelos que aconteciam ali. Era como se eu estivesse sentado em cada uma daquelas mesas. Em todas, havia claramente alguém que guiava a conversa, os outros apenas escutavam. E eu escutava também, com a vantagem de não fazer parte do contexto e de me divertir com aquilo. O ser humano é um comediante em potencial, se você ficar dez minutos analisando os comportamentos vai ter certamente bons motivos para rir e se divertir. Não estou falando no mau sentido, se alguém cenarizasse em cima de mim, também se divertiria às minhas custas, e também não há problema com isso. Enfim, eu curtia meu estado de alerta, tentando me concentrar ao máximo na conversa dos velhos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dos três, havia um que falava o tempo todo e dois mais calados. Desses calados, um era mais velho e parecia ser o alvo principal da conversa, pois o falante mantinha-se sempre direcionado a ele. Quanto ao terceiro, mal pude escutar sua voz, deu a impressão de estar com a cabeça em outro lugar, preocupado com algum problema família.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eles, ou melhor, o cara falante, desenvolvia algum argumento em torno do tema "estacionar carros" em frente à casa dos outros. Achei engraçada a entonação. Ele acentuava dramaticamente as sílabas tônicas das palavras. Não consegui pescar qual conclusão exatamente, mas o assuntou terminou nos seguintes termos:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Duvido que se fosse na casa dele, ele ia aceitar..." Refleti sobre esse tipo de argumento e constatei que é de uma imbecilidade atroz. Ora, justificar um ato seu através da constatação de que alguma outra pessoa faz esse mesmo ato, significa o que? Não significa nada! Ainda mais se esse exemplo vir pautado em alguém que tem exatamente o mesmo ponto de vista que você. É como um viciado em cigarros justificar seu vício acusando outra pessoa de fumar também. As pessoas cada vez menos formam opiniões sinceras sobre os acontecimentos, é sempre algo enviesado, carregado de juízos de valor preconceituosos. Uma parcialidade que irrita mesmo que eu não saiba o argumento que esteja em discussão. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao mesmo em tempo que acompanhava o papo dos velhos, escutava o cara da diagonal:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Fica na estrada, quando eu for pra lá, vou passar por ali de novo. Eles têm um viveiro ótimo."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fiquei com a impressão de que ele levou avestruzes para o dono do restaurante experimentar. De fato havia outra pessoa na mesa que elogiava bastante o paladar do que comia, como se realmente fosse relevante o elogio. Enquanto isso, na mesa da minha frente, a loira conversava com o suposto marido sobre o fato de não sei quem ter roubado o anjo. Não consegui entender direito o contexto, pareceu bem fora da realidade, mas a mulher parecia meio revoltada com a situação. Quando ela foi ao banheiro, os dois homens ficaram conversando muito baixo – não consegui escutar – e rindo. Não sei porque, mas parecia que o marido tirava alguma vantagem que a mulher não gostaria de escutar. Algo como ter comido uma secretária, ou qualquer coisa do gênero.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A essa altura, o papo dos velhos tomava outro rumo, e dessa vez prestei mais atenção.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Mas Magalhães, essa pressa toda por quê? Você tá aposentado, tem horário pra quê?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Eu sei, já fiz de tudo nessa vida, né? Não preciso ter pressa... Mas tenho dentista hoje."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Ah é? Fica onde o consultório?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Leblon."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nessa hora o da diagonal começou a falar de cordeiros, o que me deixou bastante confuso. E os avestruzes? Perdi o foco.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Pois é, o segredo tá no cozimento. No cozimento e no material. Porque tem gente que usa esses cordeiros falsificados, ..."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Bode velho" – Complementou o "dono do restaurante" rindo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Isso, esses bodes velhos... Aí a carne fica com gosto ruim. Não adiante né?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele falava isso para um casal que logo depois foi embora. A mulher loira voltava do banheiro e os dois homens interrompiam a conversa abruptamente, levantando em seguida, para acompanhar a grávida que se dirigia diretamente até a saída.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fiquei ligeiramente desesperado, incapaz de não prestar atenção no que aquele bando de gente falava e ao mesmo tempo sem conseguir entender o que se passava. Mas me recompus muito rápido, e comecei a achar tudo engraçado de novo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na mesa dos velhos, o mais velho falava:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Já visitei o mundo todo, e tô com dinheiro sobrando ainda, a aposentadoria dá e sobra. Eu e a Gilda vamos para Las Vegas amanhã..."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Mas cuidado pra não ficar falando isso alto, senão neguinho escuta e corta sua aposentadoria do INSS."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O diálogo envolvia somente o mais velho e o falante, o terceiro permanecia mudo. A entonação dos dois era engraçada. Eles dramatizavam de verdade as sílabas tônicas. Na mesa da diagonal, o dono do restaurante dizia:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Você me criou um problema, o pessoal adorou esse prato." E ria.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O falante gritava pro garçon pedindo uma coca cola e a conta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Me traz por favor uma coca light e a conta, por favor." – desviou o olhar para o velho -  "Você quer mais alguma coisa Magalhães?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O velho não respondeu e continuou falando com o calado sobre a viagem a Las Vegas. O falante levantou e foi ao banheiro. O garçon chegou com a conta. O mudo falou pela primeira vez:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Oi, traz três cafés, por favor? Vai querer café né, Magalhães?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando o garçon terminou de botar os cafés na bandeja, o falante já estava de volta. Ele tomou novamente a posição de guia da conversa. Os três copos foram servidos e a coca cola aparentemente esquecida, tanto pelo garçon, como pelos clientes. A conversa agora era sobre a riqueza do velho, que agora, "aposentado", podia fazer o que quisesse da vida.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"É aquela coisa né? Tem gente que diz que não gosta de dinheiro, mas todo mundo vive em função dele né? Uns perdem, outros ganham, o importante é o saldo final ser positivo pra alguém..."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto isso, na mesa da diagonal, decidiam se bebiam o resto de vinho, ou se deixavam sobrar mesmo. Optaram por tomar tudo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Falta só dois dedos, vamos terminar...", foi o que disse o cara dos avestruzes, ou cordeiros, agora não me lembro mais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes de embora, a última frase que escutei da mesa dos velhos foi justamente do mais velho, o tal Magalhães.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Vamos então, porque parei meu carro na frente da garagem, e a pessoa pode estar querendo sair. Sei lá, quatro horas da tarde já..." e umas gargalhadas seguiram-se. A entonação dramatizada das sílabas tônicas realmente era bem engraçada. Esse senhor, especialmente, lembrava muito o chefe do Hommer Simpson – não lembro o nome, acho que é Mister Burns, mas enfim. Digo fisicamente falando, a careca com umas sardas, o jeito de rir. Esse pessoal certamente se inspira em pessoas assim cara. Não duvido que esses caras criem todos os roteiros chafurdando essas conversas corriqueiras. E isso é demais, encontrar esses elementos representados na arte. Engraçado ter chegado nesse ponto, e engraçado também a volta toda que demos nas cartas, como foi que chegamos aqui mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bom, a história foi essa. Depois disso fui pra casa. Achei isso tudo engraçado, muito engraçado. Engraçado a maneira como as pessoas se comportam, como os pensamentos de cada um individualmente é tão diferente. Como os grupos se formam e o que define exatamente essa formação. Engraçado eu me sentir absolutamente bem em qualquer contexto. Por exemplo, eu comeria nas quentinhas numa boa, prestando atenção na conversa dos mecânicos, que não duvido fosse mais interessante. Ao mesmo tempo, resolvi parar num contexto totalmente inverso do ponto de vista social, e ainda aproveitar pra tirar alegria e me sentir bem e feliz. Outro dia tive uma discussão com Raissa, pois ela falava sobre os malefícios à felicidade que o conhecimento filosófico trás à pessoa. Discordei veementemente da idéia... Essa coisa de "felizes os ignorantes" é falsidade pura!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Felizes somos nós que lemos e conseguimos largar o tédio sem sofrimento. Que não precisamos de uma jaula com humanos se debatendo em um coliseu virtual. Assistimos o BBB ao vivo, e conseguimos nos satisfazer com isso. Conseguimos encontrar a satisfação passiva inerente aos cenarizados, e escrevemos isso, nos deliciando mais uma vez. Engraçado como os assuntos são fúteis e como superiorizam a gente, que apenas escuta. É engraçado ouvir. Sempre que tiver entediado, ou triste, ou qualquer coisa parecida, vá pra rua sozinho, sente em um lugar movimentado, onde outras pessoas irão conversar e fique apenas escutando e criando a história da vida delas. Isso é fantástico, isso ameniza qualquer tristeza. Nos dá a prova concreta de que somos superiores, pois nos divertimos com as futilidades deles, que além de tudo são incapazes sequer de entender qualquer coisa que conversamos. A relação é unilateral, uma diferença quase lingüística que separa nós, seres cenarizados, deles. Não estou falando que sou um ser superior, longe de mim, mas sempre que consigo cenarizar, me sinto invadido por uma alegria inexplicável e junto vêm vontades maravilhosas de fazer coisas boas e úteis, que agradem ninguém mais e ninguém menos que eu mesmo. E daí vem toda a inspiração pra muita coisa, principalmente pra essa vontade de contar, de historificar o que enxergo nesses lapsos de flashbacks sensitivos. E pelo menos, além de mim, é bom que tenha alguém que se interesse também. É bom ter com quem dividir esses fragmentos de vida que ninguém percebe. Como diria um grande amigo, que você conhece muito bem: "Quem não tem um confessor, não tem nada."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso tudo pra responder a sua pergunta sobre a hipocrisia que minha vida profissional pode transparecer. Sei que não foi exatamente isso que disse, que sou um hipócrita, ou algo do gênero, mas quando me coloquei essa questão – há algum tempo atrás – fui, da minha forma peculiarmente rude, perguntado: "Você é incoerente?" E descobri que não, ou pelos arrumei um jeito de me enganar nesse aspecto, o que pra mim dá na mesma.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não adianta pensar como um revolucionário se você não agir como um, a idéia não faz a revolução, achar que podemos fazer alguma coisa é muito diferente de a fazermos de fato. Todos têm idéias, cada ser humano que existe é um incompreendido, que mudaria o mundo se pudesse, que tem muito a dizer, que não concorda com muita coisa, etc, etc. Mas falar não é acreditar, sabe? E a gente só encontra a felicidade quando vivemos de verdade, e pra essa verdade ser bem crua, só acreditando puramente nela. Aí, independente de qualquer um, pensem o que pensarem, essa será a verdade mais atômica de todas. Indivisível e universal. Pra atingir esse estágio, é preciso um estado de plenitude muito raro, sem compromissos, com uma convicção inabalável, uma certeza tão profunda quanto a de saber-se desprezível perante a grandiosidade do universo e o coco do cavalo do presidente dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em minha viagem ao cerrado brasileiro, constatei uns arvoredos solitários em diversos pastos, alguns exuberantes (com galhos saudáveis e até flores), outros secos e moribundos. O fato é que sempre, de tempos em tempos, havia uma arvorezinha. Agora me diga companheiro, uma vez sabendo que foram plantadas premeditadamente ali, qual a função que devem desempenhar essas árvores?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para-raio. Elas servem somente como para-raio. Não importa se são bonitas, feias, sem galhos, secas, nada importa, elas estão ali única e exclusivamente para servir de pára-raios. Embaixo de um mesmo sol escaldante e a mercê da mesma escassez de água, algumas dessas árvores crescem e ficam verdadeiramente lindas. Chegam a servir de sombra para os bois, constroem-se currais ao redor delas e viram até ponto turístico local. Muitas delas se tornam mais do que meros pára-raios, mas sempre parecendo conscientes de que sempre seriam, e que nunca perderiam essa condição. Mesmo que a árvore seja a mais bonita, não há compensações pra ela, ninguém vai lhe dar mais água, pois não faz diferença se é bonita ou não. E mesmo assim, algumas delas apresentam uma exuberância cinematográfica. É lindo, no meio de uma paisagem totalmente plana e seca, uma árvore gigante e cheia de folhas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É uma questão muito profunda e relevante o que tem por traz disso tudo. Eu sei, assim como você, quais são as seis coisas que o ser humano precisa para viver. Sei esse segredo. Tenho consciência que não serei um milionário louco por dinheiro, que trabalha até o final da vida por cada centavo. Sei que não preciso do carro do ano pra ser feliz, que não preciso ver lixo na televisão, que não preciso crer doentemente em um Deus ou em qualquer outra coisa que eu não queira crer. Mas saber tudo isso teve seu preço. E viver sabendo de tudo isso exige que eu acredite, e pra acreditar você não pode ser incoerente, não pode depender de mais do que suas próprias raízes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu olho na cara de quem pensa: "Esse vagabundo, essa hora, com essa idade, não faz nada da vida." E sorrio com admiração. Acho engraçado. Porque estou rigorosamente inserido naquele meio que eles mesmos estão vivendo e, se me comporto alheio a isso, sou um filhinho de papai, alguém que tem tudo de mão beijada, alguém que não se sustenta. E na verdade é exatamente o oposto, pois não dependo sequer de uma escravidão ao trabalho, pois faço o que gosto. É recompensador não depender de nada e ninguém, poder mandar todo mundo tomar no cu e ficar trancado em casa. Posso fazer isso se quiser, a opção de fazer é de um valor incalculável. E perceba que é bem diferente saber que pode fazer, de poder de fato fazer - e mais ainda de fazer. É como se eu caminhasse sem pernas de pau, ninguém pode me derrubar se eu caminhar sem as pernas de pau. Você tem seu acordeom, tem a habilidade artística na veia - mas também se sente mal ao ter que vender sua arte pra arranjar um troco. Somos parecidos nesse aspecto, temos boas raízes. A diferença está no meio, pois embora não pareça, há muito de artístico em encontrar soluções criativas para problemas – é resumidamente esse meu trabalho – e talvez seja esse o motivo de eu gostar do ofício. Quanto a algum propósito maior, está além dos meus domínios. Resignei-me como estoicista, não adianta pensar no que estiver além do meu alcance. Mesmo que seja um sonho, só posso almejá-lo verdadeiramente quando estiver no meu horizonte.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Espero ter cumprido a promessa de finalização de todos os pensamentos. Acredito que essa seja nossa correspondência mais densa de todas – pelo menos no quesito tamanho certamente é – e vou aguardar, independente de não ter feito perguntas aqui, respostas. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com relação à Torre de Babel, achei engraçado você ter a visualização física na cabeça. Não consegui entender ainda como seria.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por fim, quero deixar um último exercício.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero que respondas prontamente, com poucas linhas, o que achou, retomando, sem reler, os pontos que foram mais marcantes dessa carta. Não sei se já te disse, mas tenho uma teoria que sempre guardamos algumas palavras chaves de tudo que lemos e ouvimos e essas palavras são o que mais nos marcam. Quando vamos recontar a história, por exemplo, localizamos as palavras chaves na mente e juntamos os conectores em torno delas. Então, quero saber quais são essas palavras pra você, e pra isso terias que mencioná-las, assim que a leitura acabasse. Enfim, é apenas uma proposta, faça se achar interessante. Não preciso dizer que não vale reler o texto antes de escrever as palavras...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Abraços efusivos,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;MLF&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7100137002365106171?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7100137002365106171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/03/carta-f-negreiros.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7100137002365106171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7100137002365106171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/03/carta-f-negreiros.html' title='Carta a F. Negreiros'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3394915373538389230</id><published>2010-03-10T07:56:00.000-08:00</published><updated>2010-03-10T07:57:05.856-08:00</updated><title type='text'>Auto biografia</title><content type='html'>&lt;div&gt;Apesar de muitos de meus fãs e a própria mídia me reconhecerem como uma figura reservada e misteriosa, tudo que vivi nesse mundo está inserido na minha obra. Está lá, é só interpretar. Costumo dizer que todos os meus filmes são, em algum nível, baseados em experiências pessoais - até mesmo o “Oeste”, de sua maneira psicodélica e irrealística.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dessa forma, quando me foi pedido escrever um texto autobiográfico, fiquei meio perdido, afinal de contas, todos os meus roteiros já foram assim. Minha estranhesa consiste no fato de terem especificado explicitamente o termo “autobiográfico”, como se ele já não fosse parte integrante de tudo que fiz antes. O que quero dizer é: bastava ter pedido um texto que ele naturalmente seria autobiográfico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi na faculdade de cinema que nos conhecemos. Lapaditz e Florton já se conheciam quando eu conheci cada um deles. Eram dois gênios, porém completamente loucos. A situação foi estranha, brigavam seriamente, papo de rolar no chão, pela disputa de um saco de ervilhas - depois soube que esse era apenas um pretexto, tinham essa mania de brigar, gostavam até, principalmente quando um saía sangrando. Nossa primeira parceria aconteceu ali mesmo, antes de nos apresentarmos. Saquei a câmera e filmei a cena toda. Em seguida os chantageei, obrigando a me darem o saco de ervilhas com ameaças de levar o vídeo para a direção da universidade. Claro que jamais faria isso, mas como iam saber se não me conheciam? De qualquer maneira, foi dessa forma, digamos... peculiar... que conheci os dois, e porque não dizer, que nos conhecemos os três.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lapaditz era de uma família de hipongas, foi estudar cinema porque achava que assim conseguiria ver filmes de graça para o resto da vida. Claro, depois que ficamos famosos passou a negar essa história, mas lembro perfeitamente do discurso: “A vantagem de ser crítico de cinema é que, além de ver todos os filmes que você quiser, ainda te pagam pra isso.” Era uma pessoa verdadeiramente fantástica, no que há de mais criativo no termo. Criava uma história baseado em qualquer coisa e há qualquer momento. Além disso, sabia contar essas histórias muito bem, sempre de forma muito cômica. Era um daqueles caras que são engraçados até quando estão tristes, que nunca estão de mau humor e que acreditam na humanidade de uma forma quase ingênua. Apesar de tanto tempo trabalhando juntos, nunca o vi triste ou aborrecido de verdade com alguma coisa. Adorava vinhos, embora ficasse sempre muito alterado quando bebia e odiava receber visitas. Eu próprio não lembro de ter ido à sua casa mais do que duas ou três vezes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Florton era bem diferente, embora, se me permitem a contradição, fosse muito parecido também. Filho de um acordeonista famoso - mas que acabou esquizofrênico - com uma atriz que praticamente ignorava existência do filho, entrou para a faculdade de cinema sem um propósito definido. “Depois que me formar vou ser artista de rua em Paris.”, ele dizia. Era inacreditavelmente religioso, mas não acreditava em Deus. Sua religião, o ateísmo, ele fazia questão de defender com a veemência de um padre. Era um gênio da musica sem precedentes. Aprendeu a tocar piano sozinho e herdou a habilidade acordeônica do pai. Discutia qualquer assunto com qualquer pessoa, era muito bom nisso. “Só é amanhã depois que eu dormir, então não importa se agora são duas, ou três da manhã, pois como não dormi, ainda é ontem.”, idéias desbaratadas para justificar a displicência com que tratava os prazos. Era daqueles caras que demoram sempre um dia a mais que todo mundo, o diferente, o original, o excêntrico. E os artigos definidos são muito relevantes nessa descrição. Gostava de se vestir de branco, como um hare krishna. Era fumante compulsivo e simpatizante efusivo do uso da maconha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não tinha nenhuma dessas particularidades excepcionais. Era apenas o filho de um fracassado diretor de cinema seguindo os passos do pai. Não era gênio, nem engraçado, nem sabia tocar instrumentos musicais. Dentro dos padrões da sociedade, era o mais “normal” dos três, mas esse fato contribuía para tornar a nossa união ainda mais peculiar. Minha aparente normalidade aumentava a suposta estranhesa deles. Assumi o papel de produtor em praticamente todos os filmes que fizemos juntos. Lapaditz ficou com a direção e Florton, naturalmente, com a trilha sonora. Os roteiros variavam de mão, e às vezes eram feitos com as seis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"O enxadrista" foi nosso primeiro filme que posso dizer de sucesso. Trata-se da historia de um jogador de xadrez esquizofrênico. Um longa metragem conceitual de baixo orçamento que causou muito impacto, principalmente na Alemanha, devido às referências biográficas ao Lasker. O uso de imagens oníricas, metaforizando as peças, ora substituindo-as por pessoas, ora por figuras perturbadoras, impactou sobremaneira os críticos e o publico em geral. A esquizofrenia ludificada daquela forma realmente era sem precedentes. O roteiro, escrito por Lapaditz, estava impecável, há quem diga até hoje que foi nosso melhor filme.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No ano seguinte lançamos "O profeta e o diabo". O roteiro era meu e sinceramente confesso que não estava grande coisa, mas Lapaditz e Florton o rechearam de charme antes das filmagens. O resultado foi uma aventura fantástica, e também extremamente onírica, que misturou séculos de personagens históricos em disputas no mínimo inusitadas. A questão filosófica que levantamos acerca da previsão do futuro foi bastante discutida pela mídia. Esse filme foi mais comercial que o primeiro, e se não me falha a memória, chegou até a ser exibido nos EUA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cinco anos depois veio a trilogia da família Madson. Foi a obra que nos abriu as portas do cinema. Viramos os queridinhos de Hollywood, fundamos a MLF Entertainment e ficamos milionários. A história de uma família com poderes, hábitos e comportamentos nada usuais impressionava pela força das cenas. Os jogos humanos e os cenários estapafúrdios causaram grande efeito. Foi com o terceiro filme da saga que fomos, pela primeira vez, indicados ao Oscar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nossa homenagem ao noir foi a realização de um sonho do Lapaditz. “Em memória de mim” foi sem dúvida o filme que mais o tocou. Foi um fracasso de bilheteria, um banho de água fria no sucesso que tivemos dois anos antes, com a “Família Madson”. A trilha sonora deixou muito a desejar e o abuso das cenas de sexo foi um alvo mortal para os críticos. O que salvou a história foi a impactante e dolorosa descrição do suicídio do personagem principal, e para ser bem franco, essa cena vale o filme.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Demos a volta por cima um ano depois, e com muito estilo. "Oeste" nos rendeu três oscar - ou oscares, dependendo de como queiram ler - e a Palma de Ouro. Melhor direção, trilha sonora e filme estrangeiro. A aventura psicodélica de um homem assombrado por fantasmas e sonhos estapafúrdios tinha tudo pra ser incompreensível, mas conseguimos encaixar esse universo dentro do filme de uma maneira emocionante. Demoramos mais tempo escrevendo o roteiro do que fazendo as filmagens. Nunca assumi publicamente, mas a história foi baseda numa experiência pessoal minha com drogas alucinógenas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A homenagem à Lisboa, cidade natal do Florton, foi nossa obra mais comercial. De fato, o principal estímulo foi o investimento do governo português, interessado em promover o turismo da região. O resultado nos rendeu alguns prêmios, mas "Lisboa", de longe, foi nosso pior trabalho. Lapaditz quase largou tudo depois das filmagens. Lembro perfeitamente suas palavras: "Nós estupramos a arte e ela não vai nos perdoar nunca".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cinco anos longe das telas me amadureceram profundamente. Escrevi "Os Corpos" num momento muito complicado da minha vida. A intenção não era transformar em filme, mas Lapaditz e Florton se apaixonaram pela história. Ela gira em torno de dois personagens em um ambiente totalmente vazio, sequer capazes de se comunicar. A estranhesa impactante do cenário, sem nenhum elemento concreto de representação, a não ser dois canos de PVC, conquistou público e crítica. Ganhamos uma enxurrada de prémios, dentre eles, mais um vez, melhor filme estrangeiro. Outro destaque foi a atuação primorosa de Florton, na sua estréia como ator.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A biografia de "Erasmos Patajornas" colocou de vez nossos nomes entre os mais respeitados da história da indústria cinemetógrafica. Co-produzido com estúdios americanos, nos rendeu o Oscar de melhor filme e tirou do anonimato o escritor radicado no Haiti que, mesmo tendo se tornado mendigo, continuou a escrever num volume inacreditável. Os méritos do roteiro foram inteiramente do Florton, admirador incondicional da obra de Patajornas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nosso último trabalho, "O neulogista", representou a confisão pública do relacionamento homosexual entre Florton e Lapaditz. Com uma atuação que lhe rendeu o Oscar de melhor ator, Florton praticamente fez do filme uma extenção de sua vida sexual. Inclusive protagonizou com o próprio Lapaditz a mais polêmica cena de sexo do cinema. Os closes do pênis de um entrando no traseiro do outro, ao som de gritos - "peito de sapateiro, peito de sapateiro" - escandalizados de prazer, ficaram aberradoramente gravados na minha mente durante muito tempo. Apesar de classificado por muitos como um pornô gay, emociona até nas tomadas explícitas. A cena em que os dois brincam de espadachim usando seus orgãos genitais como arma é no mínimo poética. O filme foi muito polêmico, chegando a ter a distribuição proibida em alguns países.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca fizemos terror, embora nós três gostemos muito do gênero. Nosso próximo trabalho, que deve sair só ano que vem, aborta exatamente essa temática. Não vou falar muito para manter o suspense, mas adianto que não haverá sangue, vamos explorar o terror psicológico.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3394915373538389230?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3394915373538389230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/03/auto-biografia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3394915373538389230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3394915373538389230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/03/auto-biografia.html' title='Auto biografia'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2490047107513950094</id><published>2010-02-20T21:26:00.001-08:00</published><updated>2010-02-20T22:30:47.254-08:00</updated><title type='text'>Sinto muito...</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;"- Vamos dar uma espiadinha...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;(Música e logotipos)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Depois a mulher é o sexo frágil...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Isso é intriga da oposição!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Sexo frágil!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Mulher é sexo frágil?! Mantém a dor do parto, e é sexo frágil?!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- É... Sexo frágil... Falou...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Minha mãe que o diga. Quando me pariu, ela tava, ééé... Minha mãe é empregada doméstica, né... Ela tava trabalhando, a bolsa arrebentou, e ela continuou. Tava lavando louça ela, e a bolsa arrebentou e ela terminou de lavar a louça, varreu e arrumou a casa toda pra poder ir pro hospital...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Que isso!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Com a bolsa arrebentada...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Que isso!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Sério mesmo...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Ela tava trabalhando até os nove meses?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Tava trabalhando... Ela falou que arrebentou a bolsa, começou a sentir escorrer. Aí ela começou a arrumar a casa e tal pra poder ir pro hospital...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Franklin Gothic Demi Cond;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;- Mas o líquido da bolsa não ia sujando onde ela passava?"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;O texto que seguirá a partir do próximo parágrafo é uma carta que foi encontrada no bolso de um suicida. Estimou-se pela temperatura corporal que o suicídio ocorreu exatamente após o diálogo transcrito acima ter sido exibido na televisão. As câmeras de segurança filmaram tudo: a vitrine da loja de eletrônicos, a cena acontecendo na TV, a cabeça balançando de reprovação e o tiro dentro da boca. Em hipótese alguma isso significa que uma coisa motivou a outra – afinal de contas, se já carregava uma arma e uma carta de suicídio no bolso, já pensava em se matar - mas de qualquer maneira, em último caso, uma coisa não impediu a outra, ou seja, o que ele viu não foi capaz de convencê-lo a continuar vivendo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;"Cheguei à triste conclusão de que não gosto de pessoas. Na verdade, tenho uma espécie de alergia a tudo que pareça humano, o que pra mim se tornou um grande problema na medida em que nasci sendo um. Não me refiro às características físicas, como ter um corpo, olhos, orelhas ou nariz, isso aí qualquer coisa tem, humana ou não. Meu problema está nos sentimentos, e foi muito difícil me livrar deles.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Vou começar do começo porque assim que tudo deve começar, apesar de na minha vida nada ter começado, a não ser ela própria, e ainda por cima contra a minha vontade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Vivi num estado de hibernação contínua, esperando que me acordassem sacudindo meus ombros e gritando: “Acorda!”... Mas sou surdo, fiquei assim com o tempo, antes que conseguissem me despertar. Nem adiantou abrirem meus olhos, pois também sou cego, e quanto às duchas de água fria, de nada serviram, devido aos efeitos avançados da hanseníase. Sintomas físicos de doenças psicológicas...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Mas vamos voltar ao começo antes de chegar no final. Primeiro, quero deixar claro que isso aqui é uma carta de suicídio, mas não vou escrever os motivos que me levaram a dar fim à minha própria vida, até porque, como já disse, ela sequer chegou a começar. Enumero de uma vez, para tirar qualquer dúvida, as razões que não foram minhas motivadoras. Sim, porque é comum acharem que a pessoa se matou por algum motivo em especial. Há motivos clássicos para um suicida se inspirar. Amor, saudade, tristeza, solidão, incompreensão, sofrimento, dor, humilhação, hipocondria, mal entendido, macumba, política, religião. Até um filme serve. Esse não foi meu caso, jamais poderia ter sido, porque significaria aceitar uma derrota perante a vida. Não, não tenho problemas em perder, diria até que é o contrário disso, embora não signifique também que a vitória seja um objetivo. Em suma, não é uma questão de ganhar ou perder, e sim de não jogar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Não quero viver, nunca quis, sou inapropriado ao mundo e inadequado à mim mesmo. Sou um floco de poeira sofrendo de rinite, pulmão asmático viciado em cigarros, filhote de rato transando com elefante velho, um borrão de cores que se movem formando imagens involuntariamente. Mas teimam em interpretar as imagens, mesmo sabendo que é tudo aleatório. Vocês cismam em ter como verdade aquilo que vêem, e encontram sentido até naquilo que não tem sentido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Meu começo foi parecido com o seu, mas não lembro como vim parar no mundo, pra falar a verdade não lembro nem quando foi a primeira vez que lembrei alguma coisa. Ninguém lembra... Meu pai era advogado, mantendo uma tradição histórica da família dele, todos advogados. Nasci pra isso, seguir a linha das gerações, com a vida toda desenhada numa folha de papel, ajustada por séculos de erros e acertos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Como demorei pra entender o mundo... Primeiro descobri que havia o que entender - o que por si só já demorou bastante - depois tive que entender propriamente, pra só depois conseguir fazer alguma coisa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Desde o começo algo me dizia que eu era errado. Internalizava minha rejeição às pessoas com falsa felicidade, vendia amor enlatado, como se fosse um produto em conserva. Era como fritar um pedaço de melancia em óleo quente e comer com vinagre pra depois vomitar. Fundava amizades falsificadas, as poucas relações pessoais que estabeleci eram alegóricas, esquisitas, desconfortáveis e desiludidas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Quando tudo se tornou insuportável, achei que todos vocês eram loucos, que o mundo era insano e que desrespeitava a própria lógica. Concentrei-me pra fingir que não sabia de nada, sentia-me superior, sem precisar de ninguém, sem querer ver ninguém. Nutria uma relação de parasitismo com meu próprio corpo, eu era o piolho do carrapato.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;No dia que larguei o escritório de advocacia tinha vinte e quatro anos, cinco amigos, um cachorro, três tias e uma esposa. Minhas últimas palavras foram “até amanhã”, e foram ditas como eram ditas todos os dias. Joguei o telefone celular no lixo e me tranquei na rua. Demorei meses pra me livrar de tudo, pois tinha que ser aos poucos, tinha que ser imperceptível. Não decidi me matar, decidi não existir, e antes de qualquer coisa precisava que me esquecessem. Percebi que meu problema não era com vocês, e sim com fato de ter um problema, qualquer que ele fosse. Percebi que não agüentava ver a vida dos outros, a vida de vocês, a minha vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Passei a não existir. Fui sumindo sem vocês perceberem. Me isolando até virar poeira, um ninguém, indigente do destino, telespectador de uma vida sem ibope, sem público, sem aplausos e sem vaias. Inexistência por excelência. A parte mais difícil foi o ego. Precisava abandonar o ego, por menor que fosse. Era minha única ligação com o mundo e comigo mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Tinha inveja de vocês, que se estão lendo esse texto é porque são capazes de viver as suas vidas e ainda se interessarem pela dos outros, ou pelo menos a minha. Vocês assumem minha humanidade sem eu querer, pressupõem minha existência sem nem mesmo eu ser capaz de fazer isso. Tenho inveja, tive inveja...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Ele foi embora que nem um pombo depois de comer o lixo do esgoto. Meu ego, eu, e minha indesejada existência fugiram amigavelmente de mim, com meu consentimento de desejo sorridente. Logo depois vieram a surdez, a cegueira, a hanseníase, a úlcera, as inflamações generalizadas e as falências múltiplas. A fome consumindo minha carne proporcionava uma alegria insuportável. Mas vocês não deixaram, enfiaram-me goela abaixo a comida que não pedi - e não queria - curaram os órgãos que já não tinham de onde encontrar comando, afinaram as cordas de um saxofone como se fosse violão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Será que posso simplesmente não existir? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;A existência humana é egoísta... Sempre vou existir enquanto vocês existirem, eu criei o mundo e não gosto dele, não quero ele. Por que não me deixam jogá-lo num caldeirão de tinta invisível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Sou uma falha, um engano, um computador selvagem... Não quero a vida de ninguém, quero muito menos que isso, quero não querer nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Esse revolver é o símbolo da vida, que aceito por obrigação sem dizer obrigado. Sinto a dor da morte com menos pesar que a lembrança do nascimento, sinto ter nascido, sinto existir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000066;"&gt;Sinto muito...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2490047107513950094?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2490047107513950094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/02/sinto-muito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2490047107513950094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2490047107513950094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/02/sinto-muito.html' title='Sinto muito...'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3098045658325315955</id><published>2010-02-10T17:28:00.000-08:00</published><updated>2010-02-10T17:31:34.481-08:00</updated><title type='text'>Os Corpos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Os dois corpos estavam absolutamente nus, deitados no chão. As solas dos pés de um quase tocavam nas do outro. Totalmente depilados, não possuíam nenhuma irregularidade na pele – nem mesmo aquela camada áspera que se forma quando os pêlos são raspados. A lâmpada, no alto, já estava acesa, aliás, permanecia acesa desde o começo. Seus raios formavam uma circunferência, iluminando o piso branco, delimitando a região que podia ser vista e a escuridão total. Não era possível avistar-se no horizonte, cada vez mais preto, qualquer outro foco de luminosidade. Poderiam até existir outras lâmpadas como aquela, mas pra encontrar seria preciso muita coragem e sorte. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;De cada um dos umbigos saía um cano que subia em direção a tal lâmpada. Era transparente e flexível, graças a sua forma sanfonada.  Verificava-se uma certa quantidade de bolhas que subiam e desciam - desciam mais que subiam no balanço final - em direção ao interior de cada um dos corpos. Os rostos permaneciam encobertos pela penumbra, e a sensação era de que foram decapitados. Mas essa era só a sensação inicial, daquelas que temos quando olhamos alguma coisa de relance, porque reparando bem, podia-se perceber claramente que não havia descontinuidade entre o corpo e a cabeça, isso sem falar na ausência de sangue, o que só seria possível se os cadáveres estivessem totalmente secos por dentro - as peles rosadas indicavam que não era esse o caso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A primeira modificação na paisagem, que permanecera inalterada por muito tempo, foi o levantar sutil dos dedões do pé do corpo à esquerda. Eram gordos, com unhas grandes. Os indicadores - se é que existe indicador no pé – eram maiores, em comprimento, que todos os outros dedos. O mindinho afinava, se fazendo parecer um foguete. Aos poucos os movimentos ficavam mais rápidos, e todos os dedos passavam a acompanhar a oscilação do dedão. No corpo da direita percebia-se um fenômeno semelhante, só que não eram os dedos que mexiam, e sim os pés, ossudos e enrugados, que balançavam no mesmo ritmo, para um lado e para outro. Era o final da calmaria, o início do próximo fim. Os corpos despertaram, e pareciam tentar sair de uma casca imaginária através dos gestos sistemáticos - quase involuntários - que faziam as extremidades sacudirem. Em pouco tempo estavam epileticamente se debatendo: as costas colavam e descolavam do chão, enquanto os cotovelos comprimiam e se afastavam das costelas.   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Durou muito, mas parou de repente, como se alguma reação orgânica interna aos corpos tivesse terminado. Finalmente estavam prontos. Os joelhos – os quatro, dois de cada corpo – dobraram e os troncos se ergueram. Metade dos rostos emergiram da penumbra, deixando parte das costas, incluindo a nuca e a região da cabeça onde nascem as orelhas, na escuridão. Eles se olharam.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O da direita tinha um nariz comprido, uma feição cansada e cheia de rugas. Sua fisionomia seria até normal, não fosse a ausência de um detalhe importante, apesar de ser detalhe: não tinha pêlos no rosto, nem os cílios, nem as sobrancelhas. Os olhos azuis eram opacos e sem vida. As mãos abriam e fechavam como se fossem engrenagens que tivessem paradas há muito tempo, com os movimentos das articulações quebrando as ferrugens. O da esquerda estava igualmente sem pêlos, porém ao invés das mãos, abria e fechava as pálpebras. Seu nariz era redondo e pequeno, gordo como seu dedo. O olhar era negro e penetrante. Os traços finos, envelhecidos e retos de um corpo, contrastavam com o arredondamento, a maciez e a jovialidade das formas do outro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Quem é você?”, isso foi o que disse o da direita ao da esquerda, que pareceu não escutar, mas mesmo se escutasse não compreenderia, pois não conhecia aquele idioma. “Onde nós estamos?” foi a resposta que, não tendo significado para o autor da pergunta, que também não conhecia a outra língua, foi interpretada como sendo o nome – embora um nome esquisito – do corpo da esquerda. Nem mesmo a entonação reticente, comum às interrogações, foi possível identificar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Demoraram a perceber o cano que entrava pelos umbigos. O da direita notou em si próprio de primeira, e começou a apalpá-lo, o da esquerda só depois de reparar no outro, e simplesmente começou a puxar violentamente.  Assim que conseguiu arrancá-lo, deu um grito terrível e saiu correndo pela escuridão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Sobrou apenas a luz e um corpo. Passou horas analisando o umbigo, a junção entre a parte robótica e a humana, embora não tivesse certeza de que a parte que não era humana fosse robótica. Já tinha reparado num botão bem perto da barriga, mas não apertava por medo dos efeitos que pudesse causar. O tempo passava, mas ele não conseguia saber quanto, poderiam ser dias, ou horas, ou semanas. O organismo não sentia fome, nem vontade de urinar ou defecar, sentia muito calor, e embora não suasse, demonstrava estar incomodado. Mantinha-se sentado no centro do círculo de luz, volta e meia levantando, aparentemente para checar algum barulho vindo da escuridão. Nas vezes que tentou olhar para a lâmpada, acompanhando o trajeto do cano, sentiu tontura. A luz era muito forte, e quando a vista chegava muito perto do foco luminoso, a imagem ficava toda embaçada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Não era exatamente um sentimento ruim, tirando o calor, nada incomodava muito. O corpo estava confortável, sentindo que podia permanecer assim por quanto quisesse. Mas a curiosidade é da natureza dos corpos, e a repulsa ao tédio também. Foram esses os motivos que levaram o botão a ser apertado. O cano desconectou-se, os efeitos foram imediatos. Os olhos azuis não viram nenhuma diferença, os narizes não cheiraram nada novo, mas o calor tornou-se insuportável. Era um calor aguado, úmido e viscoso. O corpo nadava em uma piscina de azeite quente. Não que estivesse de fato em uma piscina de azeite, isso não existe, mas era assim que se sentia. A constatação de que aquilo não era sonho foi mortal. Ele pensava no outro corpo, que saiu correndo - quem seria, de onde vinha, o que fazia ali. Depois começou a pensar essas mesmas coisas, só que a respeito de si. Foi quando entrou em desespero. O suor começava a pingar sobre o piso, e evaporava rapidamente com o calor produzido pela força da luz. O corpo derretia...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Passaram-se horas de tortura. Daí vieram o sono, a fome, e a vontade de defecar – era impossível que tivesse vontade de urinar, pois pela quantidade de líquido que saia na forma de suor, não sobraria nada pra sair de outras formas. Andava em círculos, parava no centro, sentava, levantava de novo, coçava a cabeça, dava tapas no rosto e contorcia-se como os cachorros quando estão molhados. Seu pensamento era confuso e difícil, mas não o suficiente para impedir que percebesse a solução: recolocar o tubo no umbigo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Antes que conseguisse terminar o encaixe, defecou. Um tolete rígido e arqueado caiu no chão, chegando a produzir um ruído seco. Imediatamente o conforto instaurou-se no corpo, que observava indiferente seu dejeto derretendo e manchando o piso. O calor persistia como sendo o único incômodo – cada vez mais irritante. Sentado no centro do círculo iluminado, o corpo raciocinava e fazia desenhos no ar com as mãos. Continuava a pensar sobre sua condição, no outro corpo, no tubo, no escuro e nos motivos que o levaram a estar lá. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ainda havia suor, escorriam as gotas formadas antes do re-encaixe do cano. O corpo notou que acontecia uma reação química quando o líquido caía na mancha deixada pelo coco, fazendo-a se dissolver até sumir, como mágica. Embora confuso, e sem entender nada - a começar por onde estava – ele aparentava saber que a situação merecia mais desespero. Queria desesperar-se, sabia que o certo era fazer isso, mas não conseguia. Não chegou exatamente a esquecer do outro corpo, mas acreditava que tivesse morto, o que não seria de todo mal, considerando o sofrimento que era viver ali sem o tubo. De qualquer forma, nada podia ser feito...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;De novo sentado no meio do círculo, agora livre das curiosidades, concentrava-se em manter o olhar na direção de onde vinham os barulhos - encarava a escuridão. Ficou na dúvida se realmente eram sons inofensivos, ou se a falta de medo estava de alguma forma relacionada ao líquido do tubo. Também cogitou a possibilidade de estar imaginando coisas. A intensidade dos ruídos aumentava, mas seu medo só diminuía. Esperava com calma a aproximação lenta de algo que vinha na direção da luz. Ouvia sem se mexer a mistura de soluço sombrio com respiração ofegante. O que quer que fosse, estava vivo, se movia com dificuldade e sofrimento. De início não reconheceu o corpo peludo e suado que caiu no chão ao brotar da sombra, mas quando reparou no tubo que nascia do seu umbigo não teve dúvidas. A cor rosada de antes foi substituída por um amarelo moribundo e a pele lisa tornou-se cabeluda, mas os pés gordos eram inconfundíveis.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Onde nós estamos?” foi o que disse o da esquerda ao da direita, e embora quisesse de fato saber onde estava, não era esse o intuito da pergunta que, aliás, não era nem pergunta. Na verdade, queria confirmar a identidade do corpo que acabava de chegar, e para isso chamou o que imaginava ser seu nome. O corpo peludo esboçou um sorriso, feliz por encontrar alguém que falasse sua língua - mal sabia que a situação era exatamente a oposta - caindo inconsciente em seguida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A morte era certa, a única salvação era emprestar seu tubo. O corpo refletia sobre a situação: já sabia como, mas buscava o porquê, por que salvaria o outro corpo? Eles nem sequer conversaram, não se conheciam e nitidamente nada tinham a ver um com o outro. Mas não havia  tempo pra decisões, e naqueles impulsos irracionais dos corpos, ele fez o que devia fazer. As conseqüências foram inevitáveis: assim que tirou o cano do umbigo, sentiu todo aquele sofrimento, o calor, o desespero, as sensações, os sentimentos, a fome, a sede e tudo mais. Sem falar no suor, que jorrava em ondas. O corpo salvo ainda dormia, mas apresentava melhoras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Quando acordou, a primeira coisa que viu foi um corpo pálido, magro e doentio espremido no chão. Ao lado havia um desenho contorcido com traços tortos e tremidos, feitos com dejetos e retocados com suor. A figura mostrava um corpo em cima do outro, com duas trombas em direção a uma luz. O peludo demorou mais uma vez para notar o cano que saía do umbigo, mas não tanto para associar com as idéias da figura. Aproximou-se do outro corpo ao perceber que dizia alguma coisa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A pergunta “Onde nós estamos, onde nós estamos, onde nós estamos?” não conseguia ser respondida com a frase “Não sei, não sei, não sei”, e essa pequena confusão comunicativa gerava um impasse. O corpo doente permanecia incapaz de concluir qualquer coisa, e mesmo se concluísse, não teria condições de falar. O corpo peludo por sua vez achava que quando não entendia o outro, era devido a sua condição debilitada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Incapaz de se expressar de outra forma, o quase cadáver dobrou os dedos da mão deixando apenas o indicador levantado. Apontava para o desenho. O corpo sadio carregou o doente até o centro do círculo, colocando-o em suas costas. Ao se levantar, todas as forças do doente foram gastas no ato de jogar o tubo pra cima, em direção a lâmpada. O barulho de objeto sugado foi sinfônico, a outra ponta do cano não caiu novamente, o que caiu foi o corpo moribundo, sorrindo. Não estava morto, os nutrientes entravam e ele sabia, por isso sorria. O outro olhava tudo perplexo, mas inexplicavelmente calmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Não foi muito difícil perceberem que não falavam a mesma língua quando o corpo magro acordou. A dificuldade maior era um fazer o outro perceber que tinha percebido, pois nem mesmo isso era possível se dizer. Depois de tentarem muito, decidiram ficar calados, e assim ficaram. O silêncio foi longo, inclusive durou mais que as crises, que a viagem do corpo gordo e a luta pela sobrevivência do magro. Depois deu lugar a monólogos. Eles sempre se respeitavam, de modo que um nunca falava quando o outro falava, e se ouviam com cuidado, apesar de não entenderem nada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;As conversas progrediam sem compromisso. Se um falava de cores, o outro contava sobre cheiros, se um falava da vida, o outro falava da morte. E era justamente esse o tema quando o corpo velho falou pela última vez. Eles permaneceram deitados da maneira que estavam no início, só que o corpo da esquerda agora na direita, e o da direita na esquerda. De qualquer maneira isso não era importante, o importante era que não se viam, e mais que isso, que envelheciam, embora não percebessem. A imortalidade, para eles, parecia tangível, mas estavam errados. O velho de pés enrugados agora era cadáver.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O corpo gordo não sentiu falta do magro. Apesar de nunca mais ouvi-lo falar, sabia que estava ali, e que ficaria ali pra sempre. Ele falava sobre a luz nesse dia, e comparava com o preto que via no horizonte. Foi justamente quando terminou de falar, que a lâmpada se apagou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3098045658325315955?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3098045658325315955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/02/os-dois-corpos-estavam-absolutamente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3098045658325315955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3098045658325315955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/02/os-dois-corpos-estavam-absolutamente.html' title='Os Corpos'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8567263003322029904</id><published>2010-02-09T16:15:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T16:17:01.553-08:00</updated><title type='text'>A menor guerra do mundo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;A ameba saía de sua cultura pela primeira vez. Foi encarregada de informar às amebas que viviam em cima da mesa a respeito dos planos das que viviam embaixo, por sinal, ela própria havia bolado o plano. A idéia era simples, partir para o organismo humano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A ameba leu alguns livros meio ocultos, que falavam sobre uma vida tranqüila e rica em nutrientes. Eram amebas que fugiram para a traqueia de alguns humanos – e escreviam de lá, publicando os artigos no mercado negro. Os ácaros se encarregaram de disseminar e editar as obras, que foram logo proibidas em todas as culturas. Sobrou apenas uma cópia do volume completo, mas foi o suficiente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao chegar em cima da mesa, teve dificuldades em reunir toda a outra cultura para escutar o discurso. Como eram amebas, não falavam língua nenhuma, e a comunicação era por feromônios. Dessa forma, lançou-os de qualquer maneira, espalhando por onde passava. Ela precisava do apoio daquela cultura, pois a única forma de chegar ao interior do corpo humano seria pulando dentro de algum prato de comida – e os pratos de comida ficam nas partes de cima das mesas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;As amebas têm meio centímetro de comprimento e seriam até visíveis ao olho nu, se não fossem transparentes. Se orgulham de possuir núcleo completo e citoplasma, e sempre tiram onda com os vírus, que sequer são capazes de formar uma célula. Vivem discutindo com os ácaros – na maioria das vezes por comida - quando que a discussão entre os dois descamba pra violência, o ácaro termina fagocitado sem piedade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;As amebas só vivem em ambientes quentes, o que não é um problema, pois qualquer lugar é quente quando se tem um tamanho microscópico e capacidade térmica bem desenvolvida. Nas culturas, portanto, faz sempre calor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A cultura da parte de cima da mesa era ignorante e conservadora. Taxaram a ameba estrangeira de conspiratória, mentirosa e autoritária. Alguns ácaros espalharam a falsa notícia de que ela queria expulsar a cultura toda, pois a taxa de natalidade embaixo estava muito alta, e em breve uma explosão demográfica iria tornar a coisa toda insustentável. Tudo mentira, estratégia dos vírus e ácaros para criar intrigas entre as culturas de amebas – e quem sabe uma guerra civil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não teve jeito, se dependesse da ajuda da cultura de cima, os planos iriam por água abaixo. A guerra começou desleal, a cultura de baixo se associou aos vírus, que mudaram radicalmente de opinião, atraídos pela oferta de cargos de confiança caso a migração para o corpo humano desse certo. As amebas iriam permitir que se alojassem na garganta, prometeram até proteção, caso as células do sistema imunológico tentassem atacá-los. Tudo jogo político, na verdade as amebas de baixo pouco se importavam com o que fosse acontecer, desde que conseguissem migrar para uma traquéia qualquer. Os ácaros firmaram um pacto de cooperação com a cultura de cima. Em troca, conseguiram a aprovação em assembléia da tão polêmica lei contra a fagocitose.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Os tiros de proteína da cultura de baixo não eram suficientes para derrotar as metralhadoras lipídicas usadas pelas amebas de cima. A vitória dos conservadores era quase certa, os ácaros já comemoravam, alguns vírus já partiam em retirada. Foi quando aquela ameba do começo da história resolveu agir. Sabia, por meio da literatura, da existência de armas de destruição em massa, mas não tinha o material necessário para construir uma. Precisa de água em abundancia, cerca de dois gramas eram suficientes para dizimar toda a população da cultura de amebas da parte de cima da mesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Foram os contatos escusos com as proclorófitas que possibilitaram a obtenção da água. A ameba mantinha correspondência com as células procariocas que viviam no aquário, e como deviam favores, não puderam negar o pedido. O carregamento veio com quase dez gramas, sendo que duas foram perdidas na forma de suborno e para pagar as drosófilas que fizeram o transporte. O resto foi diretamente empregado na construção da bomba osmótica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Oito gramas da mais pura água. A ameba nunca tinha visto uma coisa tão grande. Mas não teve muito tempo de pensar ou admirar-se. Quando as drosófilas chegaram com o carregamento, começou a correr, por entre os ácaros, vírus e outras amebas, até chegar à lateral da mesa. A bomba dizimou tudo, inclusive as laterais. Toda a população acabou de uma hora pra outra. A tristeza só não dominou a cena por causa da alegria dos vírus, que gritavam felizes, embora sem entender nada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8567263003322029904?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8567263003322029904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/02/menor-guerra-do-mundo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8567263003322029904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8567263003322029904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/02/menor-guerra-do-mundo.html' title='A menor guerra do mundo'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7176227571377120014</id><published>2010-01-24T02:15:00.001-08:00</published><updated>2010-01-27T12:17:17.457-08:00</updated><title type='text'>Vida real</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;A vida é como um sonho, se você ama alguém, você ama um sonho. Nada de errado há nisso, mas o amor e qualquer outra característica desse sonho podem te cegar pro que é real. O que é real não é vida, ou seja, não faz parte nem nunca fará parte do que pode ser explicado. Mesmo assim, muitos já tentaram nomear o que nesse sonho não existe. Já vi chamarem de Deus, já vi chamarem de Buda, já vi chamarem de espírito... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pra mim tanto faz... Eu carrego minha própria verdade, mas mesmo assim tento não me prender à ela, isso porque a minha verdade faz parte da minha vida, então ela é parte desse sonho. Se pretende experimentar o que é real, basta sair do que é sonho. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se matar não adianta, não do jeito que somos. A morte de que falo é muito mais difícil de executar do que simplesmente se enforcar. Se você morrer mergulhado na vida, então você ainda faz parte dela. A verdadeira morte pode ser realizada em vida, basta sair do sonho, em outras palavras : sair do teu ego. Sair daquilo que te define como humano e não entrar em mais nada... Chamam isso de estado de alerta, eu já não sei, pois nunca consegui por mais de poucos segundos... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7176227571377120014?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7176227571377120014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/01/vida-real.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7176227571377120014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7176227571377120014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/01/vida-real.html' title='Vida real'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3156677136895716593</id><published>2010-01-21T15:39:00.000-08:00</published><updated>2010-01-21T15:45:35.233-08:00</updated><title type='text'>Lisboa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Havia um tempo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Que agora não há mais&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Tudo era como era,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;e mesmo que ainda seja como é,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;não é como era antes&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Ah!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Se ele visse isso...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;ele não seria ele&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Mas como falar do que é&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;ignorando o que se foi&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Se fronteira que define o que fomos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;É tênue como aquela que define o que somos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Mesmo assim é triste lembrar de antes&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Porque é triste lembrar o tempo que foi bom&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Porque o que lembramos não é mais&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;e o que foi bom está morto&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Ser como era já não é possível&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Nesse caso ainda estaria sendo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;(E por estar sendo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Não pode ter sido)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Ah!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Se ele visse isso...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;ele não teria sido ele&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;O mar virou ar&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;O barco avião&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;e o viajante turista&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;O pobre comerciante agora se diz empresário&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Não trabalha no mercado&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Tem filial no shopping&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;E nem se lembra que tem passado&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Alis Ubbo agora se chama Lisboa&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;E a manufatura,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;que antes passava pelo rio,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;passaram a chamar de indústria&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Não há peixes salgados&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Nem metais brutos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;E as jóias&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Antes dos quatro cantos do mundo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Viraram bijuterias&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Ulisses agora é história&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;e há quem diga que nem isso&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;A navegação criou a cidade&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;A cidade virou uma bomba&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Ah!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Se ele visse isso,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;ele não seria ele&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;ele não teria sido ele&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;ele não foi ele&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;ele não existe mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3156677136895716593?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3156677136895716593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/01/lisboa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3156677136895716593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3156677136895716593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/01/lisboa.html' title='Lisboa'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1033740183699185208</id><published>2010-01-11T20:26:00.001-08:00</published><updated>2010-01-11T20:33:46.590-08:00</updated><title type='text'>Oeste</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Não posso me esquecer! Preciso guardar isso, preciso transformar em mais do que lembrança. Os objetos que são significativos guardamos conosco, mas o que importam os objetos? Quero lembrar o que preciso lembrar. Os momentos que ninguém mais no universo é capaz de descrever, pelo simples fato de ser eu, um telespectador com um ponto de vista único. Infinitamente único.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;A única maneira de guardar uma história é escrevendo. Façam-se as camuflagens necessárias, criam-se as fantasias decorativas, mas no fundo o que se guarda é a essência de uma vida particular.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Desculpe, desculpe. É difícil entender tanto quanto começar...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Escrever sobre não escrever é um exemplo muito peculiar de paradoxo. O próprio meio utilizado já é por si só contraditório. Trata-se de uma modalidade de contradição que abrange uma maior variedade de âmbitos, como é também no caso de "falar sobre não falar". Algo como uma generalização formalizada da sabedoria popular "faça o que eu digo, mas não faça o que faço." Mantendo essa linha divagante, eu iria contar a história da narração da história, ao invés da história, o que seria um absurdo imperdoável. Voltemos, voltemos...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Imagine um galpão ridiculamente desarrumado. Com toalhas por todos os lados, mistura de cheiros, que de tão homogênea, impossibilita a distinção da origem de cada odor, camadas de poeira nas superfícies a ponto de não ser possível saber suas cores, nem suas texturas, poças espalhadas aleatoriamente pelo chão, que onde parece seco, gruda nos pés como se fosse um chiclete gigante e planificado. O ar é turvo e pesado. A luz é amarela e pouca, mas o suficiente para dar ciência a quem entra, do estado em que se encontra o lugar. Há garrafas e copos vazios, além de outros objetos que não deveriam estar onde estão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Agora se coloque no lugar de alguém que deve arrumar tudo. Deixar limpo, cheiroso e habitável. Essa é rigorosamente a sensação, ou devo dizer sentimento, que ocupa minha cabeça no instante em que resolvo começar a contar o que me propus a contar quando escrevi a primeira palavra desta página. Não sei se existe um nome, mas seria algo que signifique "não saber por onde começar". São tantas coisas, e tão grosseiramente desarrumadas, que simplesmente não existe uma forma de definir o começo, ou por onde começar. Poderia ser desespero, mas essa sensação carrega consigo um lado lamentoso que não vem ao caso. Sigamos, portanto, apenas com um significado, independente do nome que tenha, se tiver.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Todo mundo vive achando que a vida é um filme. Mesmo antes de os filmes existirem, achavam então que a vida era sua história sendo narrada, como as histórias que na sua vida lhe eram. E assim foi o surgimento da humanidade, não do ser humano, mas da humanidade como civilização. Quando começamos a contar de uma geração para a outra as coisas das gerações anteriores. E até hoje é assim que funciona. Com diversos novos mecanismos além da simples oralidade, continuamos basicamente replicando o que de gerações passadas sabemos, por meio de histórias, a que me referi filmes (o que no fundo dá na mesma, mas de qualquer forma é bom deixar bem claro).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"o que importa na vida é aquilo que vale ser narrado." As viagens, os lugares visitados, as glórias vividas, o reconhecimento, as tristezas, e toda a vida de alguém, não é nada mais que o filme que esse próprio alguém cria e é o personagem principal. E quem discorda disso, me desculpe, mas está equivocado. Equivocado pelo simples fato de isso não ser um objeto para ser discutido, e, portanto, discordado. É um fato, que além de óbvio, tem todas as demais características relativas ao termo vocabulárico "fato". E uma delas é ser indiscutível. A menos que não tenha compreendido a idéia que foi escrita, a discordância não está em questão. Se for esse o caso, temos um problema estrutural, mas isso não tem uma interferência tão profunda na narrativa, e se mesmo relendo, você ainda não entende o que está escrito, não se atenha e vá adiante.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Acabei por antecipar o final da própria história, mas a essa altura do campeonato não sei ainda se ela continua a ser o grande motivo disso. É claro que permanece absolutamente necessária, mas não da forma que era. Antes era necessária e principal, agora apenas necessária. Como uma espécie de um baixo num conjunto musical. Isso não significa que vou deliberadamente deixar de narrar algum acontecimento, é importante alertar apenas para que não se esperem grandes surpresas, porque o final, que geralmente é a melhor parte (se tratando de surpresa), já foi dito.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;A ausência de ponto de partida me perturba de novo...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Vou fazer a caracterização do lugar, das pessoas, do ambiente e do meu estado mental no momento em que tudo aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Escuro e cheio, barulhento e frio. As criaturas só eram diferenciadas pelos contornos das sombras. A pouca claridade que entrava era da lua, que teimava em fazer-se penetrar pelas janelas altas e portas abertas. As paredes não eram de tijolos. Eram pedras colocadas umas sobre as outras. Pedras retangulares, velhas. A música ritualística soprava melodias que possuíam os corpos dos presentes como espíritos, fazendo-os dançar como em uma cerimônia de tribo medieval.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Olhei pra cima, procurando alguma explicação. Sentia-me nascido àquela hora. Sem saber falar, nem andar. Como se tudo que tivesse vivido até esse dia fosse um sonho, e eu acordava pela primeira vez. Cogitei estar maluco. Como fui parar num castelo desses? Será que existem dragões? Será que estou vivo? Abri a boca pra gritar, mas o som não saía. A música tocava tão alto que abafava minha própria voz. Olhei ao redor procurando algo escrito, os olhos giravam em movimentos involuntários. Procuravam algo que fosse real, algum nome, propaganda ou até uma placa indicando onde era o banheiro. Nesse momento esfreguei as mãos na barriga e no peito para assegurar-me de estar vestido. Balancei as pernas, que foram pra frente e voltaram batendo em alguma superfície. Constatei a partir disso que me encontrava sentado sobre algum parapeito. Finalmente fiquei livre dos reflexos que ocupavam minha visão e pude olhar a mim mesmo, tendo agora a certeza de estar sentado em cima de um palco vazio, com os pés quase a tocar no chão da região destinada à platéia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Aquela macumba toda, com aquelas danças esquisitas, aqueles corpos sacolejantes como lacraias, o castelo, os gritos e as paredes úmidas, aquilo tudo não fazia sentido.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Um rosto conhecido, finalmente um rosto conhecido! Mas os olhos brilhavam, iluminavam, podia notar nitidamente um feixe de luz que seguia a direção do seu olhar. Meu companheiro de viagem era poderoso, isso eu sabia, mas depois de vinte anos viajando juntos, era a primeira vez que via uma manifestação do seu poder. As luzes pareciam querer dizer alguma coisa, eu sentia um sinal, mas era indecifrável. Fechei novamente os olhos, achando que dessa forma voltaria à condição que me encontrava antes de tê-los aberto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Impossível! A música agora era ensurdecedoramente agradável. Daquelas que fazem as extremidades dos nossos corpos balançarem involuntariamente, sem mesmo que percebamos. Quando dei por mim, dançava como uma bailarina gótica. Giros e pulos sincronizados. Jamais imaginei que fosse capaz, aliás, nunca pensei que meu corpo fosse tão flexível e ágil. É engraçado, pois se a limitação não era física, o que me impedia de fazer aquilo era mental. Como se eu não conseguisse executar movimentos até mais simples que aqueles por não querer fazê-los, e não por falta de capacidade.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Plof!", Um sonoro tapa em minhas costas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Abro os olhos, estou sentado no mesmo lugar. As pessoas dançando, a cena toda de novo na minha cabeça. A cena toda de novo acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Plof!", Um sonoro tapa em minhas costas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Ao virar, vejo um clarão, vindo de uma lanterna ocular. Coloco as mãos na frente, tentando aparar aquela luminosidade escandalosa. Em vão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Salto do palco, e decido correr até a primeira porta que vejo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Meu caro, estou no meu estado natural", seja lá o que signifique isso, lembro precisamente ter sido essa a frase que ele disse antes que eu não mais fosse capaz de escutar o que falava. "estar num estado natural", o que diabos significa isso? Enquanto assimilava a situação, tentando me encontrar dentro do que parecia ser um novo universo, caminhei a passos largos rumo à porta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Era uma fronteira, definia o que estava dentro de um lado, e do outro. A porta é um objeto filosoficamente muito interessante. Essa noção de estar dentro, de divisão entre duas possibilidades de se estar, pode ser usada em muitas idéias metafóricas. E podemos incluir a noção de fechadura, filosoficando ainda mais os significados. A rigor, uma definição mais abrangente diria apenas que é o lugar por onde se entra ou sai de outro, não pressupondo a existência de uma representação física concreta. A porta, portanto, é tudo e nada ao mesmo tempo, considerando que estamos num eterno rito de passagem de um lugar, para outro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Há situações em que agimos como se tivéssemos tomado alguma poção mágica, cujo efeito emana um poder que nos faz capaz de descobrir coisas absolutamente óbvias, mas que ninguém percebia, ou que simplesmente nós mesmos nunca havíamos percebido (o que já é suficiente para ser mágico). Do lado de fora daquela porta, era tudo óbvio, nítido e claro. As conversas eram previsíveis, os movimentos, as reações, as respostas, as perguntas, as pessoas, os objetos, o ar, a falta de ar, o céu, as estrelas, as nuvens, o som esquisito abafado pela distância e as bebidas! Por que o homem utiliza tanto as bebidas. Por que as celebrações são regatas de líquido e tão carentes de comida?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Não fazia sentido conversar com ninguém, pois já sabia tudo que me responderiam. A vontade era de abaixar em posição fetal, e me deixar estar embaixo de uma mesa. O fechar de olhos me transformava num parafuso que girava velozmente a ponto de furar o chão. Podia sentir-me entrando pela terra, com os grãos a escorrer pela minha pele, cabelos e bolsos. Ia fundo, muito fundo. Mas uma sensação de medo de não voltar me tomava conta. Nadar em baixo d'água é bom, mas não podemos esquecer que nosso fôlego é finito, até porque se não fosse, nem existiria fôlego. Não havia água, mas me sentia segurando a respiração enquanto aquilo durasse.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Plof!", Um sonoro tapa em minhas costas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Abro os olhos, estou sentado, em outro lugar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Você é o mago?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Que tipo de pergunta era aquela? Qual diferença fazia eu ser o mago?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Não importava quem era o mago, desde que quem me fez a pergunta soubesse quem era. Então por que não me perguntou quem era o mago? Na cabeça dele só existiam duas possibilidades, ou eu era o mago ou não sabia quem era. São dois opostos contraditórios, imperceptivelmente contraditórios.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"O mago é ele." Foram minhas palavras, apontando para o mago. Eu sabia quem era, pois sabia de tudo, sabia inclusive o que nem a própria pessoa que ouviu a resposta queria perguntar. Eu respondi a uma pergunta que não me foi feita, que não foi sequer pensada, e que, no entanto, respondia a todas as dúvidas sobre o assunto em questão. O ato de ter dado a melhor resposta não constituiu mérito nenhum, mas a consciência de ter notado a diferença entre o que deveria ser, e o que foi perguntado constituiu, e sem dúvida, constitui até agora. Se todos perguntassem o que querem de fato saber, se todos procurassem a resposta mais óbvia de todas, se todas as respostas fossem honestas, ...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Plof!", Um sonoro tapa em minhas costas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Abro os olhos, estou sentado, em outro lugar. A luz ocular ofusca minha visão. Tento aparar com as mãos, porém a luminosidade emerge pelos triângulos formados pelos espaços entre meus dedos. São polígonos de três lados, estampados reflexivamente no meu corpo, no meu rosto, nos meus olhos. Estou numa nuvem, voando, voando, voando... O silêncio seria daqueles avassaladores, não fosse a música tribal que cismava em permanecer como trilha sonora. Não há pássaros, não há aviões, não há estrelas, não há pessoas, não há calor, nem frio, nem construções, nem bichos, nem deuses, não há nada senão eu, o branco, e o vento. Um vento quente, muito quente, mas inacreditavelmente refrescante. Pela primeira vez na minha existência pude sentir a quentura refrescante da vida, sempre achei que a refrescância pressupunha frieza.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;O branco cria um ponto. À medida que sinto o vento mais forte, percebo sua envergadura aumentar, até o momento de constatar que trata-se de uma verdadeira esfera. Não tive medo, nem pudor, o único sentimento que lembro ter sentido foi indiferença.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Há coisa mais fácil do que se criar um ponto preto no meio do branco?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"O mundo não passa de um ponto branco no meio do preto."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Plof!", Um sonoro tapa em minhas costas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Não abro os olhos, pois já estavam abertos. Viro para trás, e dessa vez consigo enxergar meu companheiro de viagem. Estávamos os dois no mesmo lugar, no branco. A esfera sumiu, sem despedidas nem cerimônias. Aos poucos o branco dá espaço para pessoas, construções, lajotas úmidas e a luz da lua. A música se une a vozes e barulhos aleatórios, compondo uma nova trilha sonora.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Finalmente eu pergunto:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;"Onde estamos?"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Milhões de interpretações podem ser dadas ao que foi perguntado. A mais clara, obviamente, seria a respeito do local onde acordei, ou do branco, ou então da transição das duas coisas. Mas o que eu queria saber era tão óbvio, tão primitivo, tão essencial e honesto, que ninguém mais além dele poderia responder. Todas as indagações chegam a uma conclusão comum, isso já era do meu conhecimento, mas que resposta é essa? Perguntar qual é a resposta soa estranho...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Ele começa a correr desesperadamente. Vou atrás, transformando-nos numa manada de dois mamutes. As pessoas que antes me pareciam tão imaginárias atrapalham o caminho, servindo de obstáculos, formando barreiras irritantemente transponíveis, obstáculos inertes a nosso caminho rumo até não sei onde.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Passam-se cartazes, paredes, bancos, cadeiras, guitarras, mesas, portas, janelas e mais pessoas, até finalmente chegarmos. Uma velha escrivaninha, onde algum dia uma senhora fez tricô, com um antigo espelho em cima, onde algum dia essa mesma mulher se olhava com cuidado para retocar a maquiagem. Em cima da superfície estava o papel, em letras horrendas, porém compreensíveis. Ele me apontava, tapando os olhos, emocionado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;Calmamente, caminho até o ponto onde consigo ler. O que estava escrito eu jamais lembraria com clareza, as palavras, a ordem em que foram escritas, o espaço entre os pensamentos. Poderia levar comigo aquele pedaço de papel, mas não, pertencia ao lugar, pertencia à circunstância.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1033740183699185208?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1033740183699185208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/01/oeste.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1033740183699185208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1033740183699185208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/01/oeste.html' title='Oeste'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1170469624432431506</id><published>2010-01-04T20:09:00.001-08:00</published><updated>2010-01-05T16:14:57.558-08:00</updated><title type='text'>Carta a F. Negreiros</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Em resposta à &lt;/span&gt;&lt;a href="http://supercarneiro.blogspot.com/2009/11/carta-m-lannes.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;http://supercarneiro.blogspot.com/2009/11/carta-m-lannes.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;     &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Claro, o sistema! Ele é tão obviamente construído, tão meticulosamente armado, que o mais escancarado fica escondido atrás de uma realidade completamente inventada. Uma massa gigantesca operando um propósito individual e absolutamente sem sentido, sem nexo.  Um conglomerado de indivíduos burrificados desde o nascimento para acharem certo, o que não sabem que pode ser errado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Mas é tudo tão primoroso, que até quem quer escapar se engana. Um sistema perfeito deve dar esperanças de que pode ser burlado, faz parte da própria perfeição essa característica. Por isso, nunca se engane quando berrarem a saída, quando a anunciarem nos holofotes do próprio sistema, quando a solução tornar-se propaganda nas bocas de pseudo-revolucionários emblemáticos. Temos que usar a mesma lógica, o mesmo raciocínio, pois raciocínio não pode ser manipulado. A associação de idéias é incontrolável, basta juntar algumas e descobrimos grandes verdades.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A verdade pra isso tudo é o centro da questão, e o meio de chegar a ela é sorrateiramente lento. Algo sigiloso, escondido, secreto, banido, por baixo dos panos, em silêncio. É assim que a verdade vem, não adianta acreditar que existam atalhos, por mais convincentes que sejam as imagens. Ah, as imagens. Poderíamos agora partir pra essa questão das imagens, mas como preciso ser breve e ainda existem inúmeros assuntos a serem tratados, deixo para outra oportunidade. Além do mais, creio que seu próprio pensamento pode te nutrir a respeito desse assunto, certo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A vantagem de conversar por escrito é que posso mudar de assunto à vontade, pois a vontade (sem crase agora) do leitor não faz a menor diferença. Pensei nesse joguete de palavras (ou seria melhor dizer de letras?) , e não pude deixar de usá-lo em momento mais apropriado. Vamos ao que interessa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Torre de Babel...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Antes de mais nada, preciso dizer algo de suma importância. Importante no que há de mais sensato no termo, no que é mais fundamental. Quando dizemos que todos os livros já foram escritos, quando dizemos que um belo poema já havia sido escrito pelo dicionário antes de ser pelo próprio autor, podemos estar cometendo um equívoco. Precisamos estabelecer um papel bem óbvio nessa história toda, que é justamente o do escritor, do homem, do poeta, do artista, do mero usuário do vocabulário. Sim, as palavras já existiam, as letras já se combinavam, mas a ordem em que serão colocadas é que vai definir o que está escrito. Os termos e os símbolos lingüísticos são meros instrumentos para a criação de uma obra que ainda não existia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O que quero dizer é que as letras e as palavras existem somente para proporcionar ao criador, meios de expressar sua obra. Se não fosse por meio desse sistema vocabulárico, seria de outra forma. É importante ficar bem esclarecido que não entramos num ciclo como "quem nasceu primeiro, o escritor ou as palavras?" É óbvio que foi o escritor, não existe dúvida quanto a isso. O homem se comunicava antes de qualquer coisa criada por ele, existir. Aliás, esse fato está estritamente relacionado ao princípio do que definimos como sua própria existência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Com uma analogia simples, poderíamos dizer que a solução da loteria já é conhecida. Sim, pois os computadores conseguem calcular todas as possíveis combinações numéricas. Pois bem, a loteria não existe sem os apostadores. Por mais que sejam conhecidas as combinações, o apostador é quem "inventar" a seqüência sorteada. O computador sempre sabe todas as possíveis seqüências, mas não sabe nunca qual é a certa. A Torre de Babel sabe quais são todos os possíveis livros a serem escritos, mas nunca saberá quais são eles. E essa diferença é crucial, e a importância que citei no começo desse texto finalmente encontra seu melhor sentido. Sutil. Significativamente sutil.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Sutil, aliás, é uma bela palavra. Tem um significado extremamente metalingüístico. Sutil é tão sutil. É o tipo de palavra que passa quase despercebida no texto, exatamente como deveria ser, diga-se de passagem. A sutileza em si é um sentimento interessante. Não chega a ser exatamente um sentimento, é mais uma maneira de fazer determinada ação. Acho que tem alguma relação com a calma. Não consigo imaginar um ato feito com sutiliza e sem calma. Já um calmo e não sutil é mais fácil. Basta um xingamento calmo. Ofensas muito dificilmente podem ser sutis.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Encerro o assunto da Torre, por hora, aqui, pois como disse, tenho muita coisa ainda a tratar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Li recentemente um pensamento interessante com relação aos escritores. Falava que, para ser escritor, é necessária uma certa melancolia. Dizia que existe uma angustia que é inerente aos escritores, pois estes devem estar a escrever, enquanto outros estão a ter as experiências que estão sendo escritas por quem, na verdade, não as viveu. Quem disse isso foi John Fante em "pergunte ao pó". Pois bem, tenho a ousadia de discordar solenemente dele. Acho não só mais verdadeiro, como um grande mérito escrever sobre a própria vida. É corajoso, justo, sincero. Melhor ainda os que criam as fantasias em cima, acentuando o que de melhor aconteceu, idealizando o que deveria ter acontecido. A rigor, ninguém inventou nada, tudo sempre é fruto de uma imaginação, uma seqüência de imagens associadas, de forma a criar dimensões diferentes, onde os objetos não tem significado no mundo dos outros. Mas a inspiração continua sendo no mundo real, com as próprias experiências. Estou indo bem longe, a ponto de afirmar que "senhor dos anéis", em algum nível, é auto-bibliográfico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Sobre a importância do número de páginas tenho pouco a dizer. Quando lemos um texto, criamos uma avaliação subjetiva a respeito dele. Pode ser que uma única palavra seja a melhor coisa que alguém tenha lido em sua vida. Mas essa avaliação vai ser sempre subjetiva e vai variar indubitavelmente de leitor para leitor. Quando estamos escrevendo, esse mesmo processo se repete, porém com a diferença de que nós somos os únicos leitores. Claro que gostamos do que estamos escrevendo, essa é inclusive a maneira pela qual o processo de formulação das idéias se desenvolve, mas essa opinião permanece subjetiva e não garante que outras pessoas gostem, e muito menos que o texto produzido seja bom. Finalmente, chegando onde eu queria chegar, o numero de paginas se coloca como uma métrica indiscutível para avaliação de um certo aspecto da escrita, o tamanho. Pode-se até questionar a qualidade literária, a historia em si, a linguagem, a pertinência e relevância do que se lê, mas aquele número de páginas, construído pela sustentação de um encadeamento lógico de idéias, é um número com um significado indiscutível, independentemente de absolutamente qualquer contexto. O simples fato de uma história conseguir preencher uma infinidade de páginas, já constitui um êxito literário, cria um respeito com relação ao autor, uma modalidade alternativa de autoridade se forma em torno dele. Em mil páginas pode-se construir um novo mundo, um novo universo. Um pequeno fragmento pode ser sempre maior, enquanto que um texto muito grande nem sempre pode ser diminuído. Pense no caso de um resumo gigante, infinitamente grande. A menos que se considere a possibilidade de resumos de resumos, mas ai chegaríamos à ausência do texto, posto que a menor sinopse de todas, é uma sinopse em branco, temos um exemplo incontestável disso que acabo de dizer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Parafraseando o que li na contracapa de um livro do Mario Sabino, o primeiro em que se aventurava a escrever romances, "os contos estão para a literatura como uma corrida de cem metros rasos está para o atletismo". Uma coisa não desmerece a outra, e esse é o motivo de o tamanho de uma história ter uma importância indiscutível, embora de magnitude questionável.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Interessante sua dificuldade em expressar as reticências com palavras. Talvez seja pelo fato de serem uma pontuação (óbvio!), e quando lemos, a pontuação não está associada à som nenhum, à sentimento nenhum. Daí a dificuldade em criar qualquer tipo de comparação.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Por fim, não quero mais falar de palavras. Concordo plenamente com você em relação à história do In the Wild, embora ache muito relevante o fato de venderem como sendo história real o que, de real mesmo, foi só o feito. Mas aí voltamos lá bem no começo dessa carta. Temos que ser razoáveis. O que alguém espera indo viver isolado na neve? Os seres humanos, na época que viviam nessas condições, tinham uma média de vida de dez, quinze anos! Ao menos, antes de morrer, agonizando, ele chegou à brilhante conclusão de que a felicidade só existe se puder ser compartilhada. Muito bonito, de qualquer maneira. Desculpe a falta de sensibilidade, mas a verdade crua é mais honesta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O momento em que imagino ter feito a pausa na sua carta foi precisamente quando pediu para achar o momento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Quanto à sua idéia da biblioteca e do Patajornas, óbvio que aceito!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Não cabem mais assuntos, ainda restaram dois, mas minha incompetência para resumir tudo impede sequer que possa citá-los agora. De qualquer forma, serve de incentivo para que me respondas mais brevemente que da última vez.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Aguardo sua resposta com comentários para o jangada de pedra, tropico de capricórnio, além é claro, de suas observações acerca dos assuntos aqui abordados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Como esta é assumidamente a primeira carta do novo ano, desejo-lhe o que de melhor desejaria pra mim, se fosse você.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Abraços,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;MLF&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1170469624432431506?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1170469624432431506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/01/carta-f-negreiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1170469624432431506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1170469624432431506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2010/01/carta-f-negreiros.html' title='Carta a F. Negreiros'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-101481585985984804</id><published>2009-12-30T18:06:00.001-08:00</published><updated>2009-12-31T10:46:31.108-08:00</updated><title type='text'>Pornografia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Tudo era um grande clichê. Desde a chuva torrencial, até a portaria, o elevador com paredes de aço escovado, com botões pegajosos de plástico preto e a entrada, com dizeres na porta “Antunes Detetive Particular”. A secretária olhava impaciente para um telefone preto sobre um balcão, parecia ao mesmo desejar que tocasse para que fizesse alguma coisa e que não tocasse para não ter de fazer nada. Mascava chicletes, exalava um cheiro vulgar, tinha seios fartos, era ruiva, porém gorda, e velha. Era o mais típico exemplar do ser humano que não gosta de nada. Há pessoas que se tivessem todas as opções do mundo, ainda assim estariam insatisfeitas. Tudo que fazem é de má vontade, destratando o máximo possível a quem puderem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;As gotas de água criavam um ritmo sincopado ao baterem em cima do ar condicionado, por fora da saleta. O ar esfumaçado, uma espécie de mistura de charuto com perfume de quinta categoria, dava uma aura misteriosa ao ambiente. A secretária, mesmo ela, aparentava um olhar meio místico. Os passos da loira, que em breve entraria no consultório, invadindo a sala do detetive Antunes sem sequer consultar a funcionária (que, aliás, não dá a menor importância ao fato), começam a ser escutados. Vestia-se apropriadamente para uma tempestade: longas botas de salto alto, que contornavam a canela, até um pouco antes do joelho; capa de chuva de couro sintético vermelha, deixando à mostra um chamativo decote, ainda mais apetitoso devido à falta de sutiã, que fazia marcar os mamilos; cabelos perfeitamente lisos, loiros, brilhantes como ouro, inacreditavelmente secos, apesar do dilúvio que caía. Era a mais perfeita mulher, em termos de beleza, que existia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Antes que a gostosa pusesse o segundo pé dentro da sala de Antunes, ele manda que feche a porta. Sua voz é extremamente grave, assemelha-se a um mugido bovino o som que produz ao inferir a ordem. Está virado de costas para a mesa e a mulher, e assim permanece. Uma fumaça, que parece ser fruto de água evaporando em sua cabeça, indica que ele está fumando charuto. Há pilhas e mais pilhas de livros por todas as paredes, tudo muito empoeirado. O piso de tábuas corridas apresenta arranhões e pedaços partidos, a cortina aberta possibilita constatar o redor de sujeira e podridão em que todos ali estavam localizados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Antunes, ainda sem virar, e dobrando os dois braços em direção à nuca, de maneira a espreguiçar-se, faz a cadeira giratória percorrer poucos graus para um lado, e depois para o outro. O som de Miles Davis ao fundo dava o toque final ao cenário. Tudo muito característico e óbvio. A história, portanto, se passa dentro desse contexto, e embora não dependa exatamente dele, é importante que seja colocado, mesmo que de maneira resumida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Summertime” era sua música predileta. Simulava as batidas suaves de percussão com estaladas de dedo. Forçava repetida e sistematicamente o dedo médio contra o dedão, ao mesmo tempo em que levantava e abaixava os braços, girando na cadeira. Antes que a gostosa falasse qualquer coisa, Antunes, secamente, comenta sobre fotografias que incriminavam seu marido. Dá uma última balançada mais brusca e vira-se, com o corpo imóvel, ficando cara a cara com a loira. O sobretudo bege do inspetor era absolutamente impecável. Os contornos dos ombros, a altura das mangas, a tonalidade e a cor, eram perfeitos. Sua figura era uma carícia aos olhos, se é que podemos dizer que existe isso. Antunes tinha cabelos curtos e feições de intelectual, sua voz grave, sedutora e molhada, enchia de tesão até a mais beata das beatas do papa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Abre uma gaveta na mesa retirando um envelope pardo, dobrado pela metade. Estende-o para a loira, sem sequer desviar os olhos para a perfeição de seu rosto. A indiferença soava como superioridade. Ela pega o envelope e sai correndo, da mesma maneira como entrou. Antunes larga o charuto num cinzeiro de prata, levanta-se, caminha até uma estante, coloca o aparelho de som para voltar uma música, aumenta o volume e volta para a poltrona giratória. No caminho, pega um garrafa de vinho Hermitage La Chapelle, seu predileto, com duas taças. Enche ambas, mantendo uma apoiada sobre a mesa, e a outra na mão direita. Abre a braguilha da calça, ejetando seu membro para fora. O sobretudo agia como uma cortina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Subitamente, a loira entra mais uma vez. Está encharcada, transparente. Os mamilos formam pequenas circunferências perfeitas, apertados contra o couro sintético. O pau de Antunes endurece, enquanto responde, apontando com o rosto para seu membro, ao pedido de guarda chuva emprestado feito pela gostosa. A voz de criança de quinze anos na boca daquela girafa excitava o detetive. Não que fosse pedófilo, mas excitava-se. Os olhos da mulher se enchem de vontade, estão arregaladamente hipnotizados, fixos na piroca do inspetor, cuja glande aparecia no horizonte da mesa. Ao ouvir a ordem para chupá-lo, larga as fotos no chão e parte rumo ao abate, com se estivesse a mergulhar numa cachoeira gelada após semanas de estadia num deserto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Começa lambendo o saco devidamente depilado de Antunes, que geme ao tragar seu charuto. Ao invés de utilizar o estalar de dedos, agora ele balança os pés de forma a reproduzir o andamento de “Summertime”. A loira inicia movimentos de vai e vem com o pênis inteiramente enfiado na goela. Eventuais ânsias de vômito quase a fazem tirar a geba dali, mas resiste. O inspetor grita e geme sem pudores, puxando agressivamente os cabelos da égua boqueteira. Quando está a ponto de gozar, ela aperta o pinto com a mão e retira-o da boca. Antunes está imóvel, com a boca aberta, sem emitir nenhum som. Interrompera um gemido pela metade, parecia estar voltando de outro mundo, e visivelmente puto por não ter conseguido chegar a esse mundo antes do regresso. Percorreu somente metade do caminho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A mulher se levanta e bebe dois goles do vinho. Apóia uma das pernas em cima da mesa, e senta delicadamente em cima da rola de Antunes. Está tão molhada, que sua vagina age quase que como imã, atraindo o pirú para seu interior. O retirar e botar é extasiante, os movimentos são perfeitos, a cena é biblicamente excitante. Aquelas tetas gigantescas vão balançando para cima e para baixo, no ritmo do entra e sai, que segue no andamento de Miles Davis, fazendo o vinho, em cada uma das taças, produzirem minúsculas ondas. Até a fumaça do charuto, que queima vagarosamente, parece dançar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Agora ela está de quatro apoiando-se na mesa. As duas taças foram derrubadas, uma delas espatifou-se no chão. Um vizinho, ao longe, espia a cena com binóculos e ao mesmo tempo masturba-se. Antunes deita, empurrando a gostosa para seu colo. Ela começa a cavalgar como uma égua e a se contorcer como uma enguia. Gritos, gritos e mais gritos incompreensíveis. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Os dois estão ofegantes, o detetive desgruda as costas da superfície e começa a morder os melões da mulher, que geme cada vez mais alto. A língua percorre a linha imaginária do círculo dos mamilos dela, que crava suas unhas predatoriamente em suas costas. Mais gritos, a mesa arrasta-se. Um último suspiro dela, um último suspiro dele. Silêncio. Caem ambos, acabados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Os instantes seguintes são irrelevantes. A loira saiu sem o guarda chuva, mais molhada do que entrou, sem as fotos, mas com um rosto de realização suprema. Antunes permaneceu o resto do dia sentado em sua cadeira ouvindo repetidamente “Summertime”, nem sequer fechou a braguilha. Tudo igual, rigorosamente igual, inclusive o dilúvio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Já era de noite. A porta da sala abre com força, Antunes não desvia o olhar para averiguar do que se tratava. Permanece estalando os dedos e balançando a cabeça com o queixo apontando para seu membro, enquanto a secretária pergunta por seu guarda chuva.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;E novamente, o grande clichê.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-101481585985984804?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/101481585985984804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/pornografia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/101481585985984804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/101481585985984804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/pornografia.html' title='Pornografia'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-5656623407612274919</id><published>2009-12-29T16:46:00.000-08:00</published><updated>2009-12-29T16:54:34.186-08:00</updated><title type='text'>a passageira</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“É disso que se trata. A locomoção partindo de um ponto A para outro ponto B, sendo que este segundo pode até ser o próprio A, desde que, no percurso, saia-se dele. Abriu o sinal aí...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Acontece a partir do momento em que saímos de algum ponto de partida qualquer.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“A rigor o conceito independe da escolha de um “destino”, não há necessidade de existir um ponto B, uma vez que tenhamos simplesmente saído de A. Vira a próxima esquerda, por favor.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Se considerarmos que não existe nada que possa estar parado de um instante para outro, sendo esse instante um tempo qualquer, a vida se resume a isso.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“A vida se resume a pequenas viagens.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“A viagem mais longa é a própria vida.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“O ponto A é o nascimento. O ponto B é a morte.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nossa!”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Puta que pariu...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Bom, não é por nada não. Tá tudo muito bonito, mas pra ser viagem, porra, tem que ter movimento, sair de um lugar e ir pra outro.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Putz, tá tudo parado, que trânsito é esse?!”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Tudo está sempre em movimento.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não está. Posso estar rigorosamente parado agora. Pronto, estou parado.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Estar parado significa manter uma mesma distância com relação a um referencial, certo? Sempre existirá algo que esteja se distanciando ou aproximando de você. Isso te coloca em constante movimento, e cada fração de tempo é uma viagem.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Acho que vamos nos atrasar.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não percebem? Chegamos mais longe ainda.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não adianta, pra mim viagem tem que ter ponte ou túnel. A madame não prefere ir pela praia?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Sim, vamos pela praia, por favor. Você sabe aquela lei de Newton?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Eram três, não eram?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Refiro-me à dos corpos que não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Conheço.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nossa, o que é aquilo?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Aparentemente um pivete com uma caixa.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Tá fazendo barulho... É um acordeão!”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Esse aí é o famoso psicopata do acordeão.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Nossa! Que fim triste que levou o pobre coitado.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Quem diria... E ganhou tanto dinheiro... Era celebridade num passado não muito distante.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Sigo reto?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Sim, agora a vida toda. A viagem até que não foi tão longa. Viagem no conceito mais popular, é claro. Como falei, a verdadeira viagem acaba só no cemitério mesmo.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Quê tem a lei de Newton?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Bem lembrado. Ela diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, correto?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Pelo que me lembro, é isso mesmo que diz a lei.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Pois bem, conhece também a teoria de que não existem duas pessoas iguais, certo?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Sim, é óbvio.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Mesmo que duas pessoas sejam geneticamente idênticas, elas irão se moldar de acordo com o que viverem, de acordo com o trajeto da viagem de cada uma delas.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Qual número?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Trezentos. Se fizessem um experimento tentando comprovar que podem existir pessoas iguais, não daria certo, porque a posição rigorosamente simulada de um, não pode ser a do outro.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Os dois não podem ocupar o mesmo espaço.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Isso, e nesse caso, necessariamente, deveria ser ao mesmo tempo, pois se não for, não será idêntico ao que acabou de acontecer.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Faz sentido.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“E o mesmo pensamento pode explicar melhor o que falei das eternas viagens.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Como assim? Acho que é aquele ali.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“É mesmo!”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não entendi a coisa das viagens.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Bom, na próxima viagem te explico, se me der um desconto.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Isso se me convencer que essa história toda não passa de uma viagem, né?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Não se pode relativizar tanto os conceitos, se é que me entende.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove, trinta. Pronto.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“Obrigada.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;“De nada, fique com Deus.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-5656623407612274919?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/5656623407612274919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/passageira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5656623407612274919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5656623407612274919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/passageira.html' title='a passageira'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-4821592160744450498</id><published>2009-12-24T11:23:00.001-08:00</published><updated>2009-12-24T11:23:36.369-08:00</updated><title type='text'>Personagem histórico</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;- Então quer dizer que você é capaz de prever o futuro?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quem é você?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não importa quem eu sou, mas seus dias de poderoso acabaram.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Como assim? Como você entrou aqui? Do que está falando? Está fedendo, não percebeu?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E realmente, na particularidade do caso, eu fedia. Fedo de uma maneira geral, e naquele momento, assim como em qualquer outro, exalava meu característico cheiro ruim. O problema é que quando fico nervoso a velocidade de produção do cheiro é acelerada, e minha ansiedade potencializava o concentrado. Até meu próprio nariz incomodava-se, mas não havia muito que eu pudesse fazer. Se me escovassem com esponjas de aço a ponto de retirarem minha própria pele, e ainda por cima encharcassem do mais cheiroso e potente perfume que existe, ainda assim federia fortemente. Poderia até dizer que meu cheiro não era mais cheiro, poderia promovê-lo à categoria de fumaça. Sim, pois além de tudo era visível, e o que é um cheiro visível, senão uma fumaça? Uma parte de mim, visível, se expandindo como se fosse meu próprio corpo pelo ar. A questão olfativa não era simplesmente um perfume de fezes, era um aroma ocre, súbito, forte, mórbido, uma flagrância terrivelmente mortal e desagradável. Confesso, porém com orgulho, que nesse dia estava insuportável.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Entrei aqui como entro em qualquer lugar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Eu vou chamar a polícia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Michel pega o telefone e leva até o ouvido. Está mudo. O telefone está mudo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não adianta tentar fazer nada. Eu sei de tudo. – Digo mantendo minha postura agressiva.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- De tudo o que?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Tudo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mas ninguém sabe disso, não tem como você saber, pode até desconfiar, mas não tem como saber.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Eu sei de tudo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Bom, pelo visto você não é um ser humano, afinal de contas nenhum ser humano conseguiria estar aí. Nesse caso não me importa que saiba, pois tens o mesmo problema que eu.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não me venha com essa. Não me compare com você seu imbecil, seu ser humano. Tenho nojo da sua raça. A sua própria raça tem nojo de si mesma.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- O que você quer? Qual seu poder?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vim porque chegou sua hora, preciso que venha comigo, seu tempo na Terra esgotou-se.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que história é essa? Quem é você pra dizer quando é a hora de alguém? Só Deus poderia fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- De certo modo, sou um Deus.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Duvido que tenhas um quinto do poder que tenho.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que poder? Prever o futuro? Grandes merda.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sou imortal também.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Imortal? Você não é imortal.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Nasci em 1503, seu gambá! Acha que tenho mais de quinhentos anos?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Você acha mesmo que não sei que viste no futuro a maneira de tornar-se imortal?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não importa a maneira como me tornei assim, o poder pra existir não depende da maneira como foi produzido ou criado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não acha estranho o imprevisto que é esse nosso diálogo?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não, eu já sabia que teríamos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Então porque perguntaste quem sou eu?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Oras, porque você não vai me dizer isso ao longo de toda a nossa conversa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mais um motivo para não ter perguntado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Eu precisava falar alguma coisa. A rigor, sabendo tudo que vai acontecer, não preciso nunca dizer nada, mas se nunca disser nada, o que previ pode não acontecer.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vamos deixar de papo furado, você vai comigo sabendo ou não quem eu sou.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Eu sei quem é você, e estamos indo para algum lugar justamente por isso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sei que você acha que sabe, mas a partir de agora, seu poder de ver o futuro já era. Tenho o poder de modificá-lo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Você é cirurgião?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não seu imbecil, estou falando de modificar o futuro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Eu consigo prever quando você faz isso e também o que irá modificar. Qualquer modificação que faça no futuro, por ainda não ter sido feita, pode ser previsível com meu poder. Ou seja, seu poder não vale de nada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que desgraçado. Ele tinha razão. Mas eu era um Deus, eu sou um Deus. Não podia dar-me por vencido.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não adianta, vamos agora você está morto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sim, cansei disso tudo, não quero mais prever nada, não quero mais nada. Morrer pra mim é de qualquer forma um suicídio, pois sempre pude evitar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E assim fomos, Nostradamus e eu, para o inferno.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-4821592160744450498?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/4821592160744450498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/personagem-historico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4821592160744450498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4821592160744450498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/personagem-historico.html' title='Personagem histórico'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3156620694155928343</id><published>2009-12-14T19:25:00.001-08:00</published><updated>2009-12-17T15:27:37.699-08:00</updated><title type='text'>Xadrez</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Era sério. Depois de um bom tempo treinando comigo mesmo, finalmente estava na frente dele. Ainda era jovem, ninguém sabia o que viria a ser, a não ser ele próprio. Alguma coisa no seu olhar penetrante, além de penetrante é claro, hipnotizava. Sua certeza a cerca de tudo que falava, fazia-o acreditar até no que não dizia, até no inconsciente. Provavelmente ficou maluco por acreditar em alguma dessas idéias silenciosas. Aquele homem foi o mais próximo de Deus que consegui chegar, sua certeza era capaz de convencer-me até de que eu nem mesmo existia. Ele convenceria até o próprio Deus de que é Deus, se assim quisesse. Enfim. Este era o adversário e eu me considerava preparado para enfrentá-lo. "Se Davi venceu Golias, eu venceria qualquer um."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Suas reais estratégias de guerra eram inferidas a partir de todos os movimentos que fazia. Até mesmo a escolha das peças traduzia sua convicção. Escolhera as brancas, sem sequer avaliar a hipótese de colocar essa decisão ao cargo da sorte.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Parecia mesmo óbvio que as peças brancas devessem ser manipuladas por ele, como se existisse uma empatia não declara, um consenso indiscutível, uma naturalidade irrefutável. Pertencia a uma raça superior, ariana, branca e germânica. Adolf começou o jogo sem falar nenhuma palavra, movendo imediatamente o peão em frente ao seu rei, em duas casas. Pensei logo na hipótese de uma jogada clássica de cheque mate, mas seria óbvio demais. Passei quase cinco minutos olhando aquele tabuleiro. Movi o peão da lateral em duas casas, na expectativa do que iria fazer o oponente, na expectativa de alguns minutos, proporcionais aos meus cinco, de silêncio, e no contexto enxadrístico isso significa imobilidade total. Peões se olhando ao longe, o rei esticando a cabeça temendo enxergar a proximidade do inimigo, os bispos permanecendo intactos a sustentar os peões, a cavalaria e a torre, com sua fé.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mas não... Antes mesmo que meu peão repousasse sobre a madeira, Adolf posicionou sua rainha alguns quadrados à frente do peão que protegia meu bispo. Pastor, era uma tentativa de cheque pastor, sem dúvida. Concordo que seria mais apropriado que tentasse o mate do louco, mas esse só funciona para quem joga com as pretas. Senti-me assaltado e xingado por aquela tentativa. Logo depois comecei a duvidar que aquilo que era realmente estava sendo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Desvio o olhar do jogo em direção aos olhos do oponente, que por sua vez permanecem cravados profundamente em direção ao meu rei. A coroa negra derretia-se, desfigurava-se, e seu dono implorava proteção à rainha, que nada podia fazer, encurralada pelos peões que permaneciam estagnados temendo a morte. Com a proteção de Deus e a benção do bispo, a cavalaria ultrapassa meus peões lentamente, posicionando-se cara a cara com a rainha adversária. Demorei não cinco, mas sete minutos para fazer toda a jogada. O tempo não era cronometrado e nem importava que fosse, mas certamente demorei mais do que da primeira vez, e mais certo ainda é que demorei consideravelmente na jogada inicial.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A força com que sua rainha chutou meu cavaleiro desfez a peça com o impacto. A cerâmica manchava a madeira, pequenas gotas de umidade derramavam-se como sangue. O cavalo esmigalhou-se, o quadrado negro abaixo dele afundou-se, e todas as demais peças desequilibraram-se, pendendo para um lado e voltando para a posição original, pendendo para o outro lado, e novamente voltando à posição de origem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Por minutos infinitos, imaginei que tática poderia ser aquela. Entregar-me assim a rainha, na terceira jogada. Não era possível. A vitória pra ele era uma certeza, e por alguma espécie de osmose, a derrota pra mim também era. A minha derrota, obviamente. Mas ao mesmo tempo, fingir não ver aquilo, só pra atender ao instinto perdedor, era agir sem instinto. Deixá-lo ganhar era o mesmo que fazê-lo perder. E por outro lado, se existe um ganhador, não temos sempre um lado que o deixou ganhar? É possível ser perdedor sem que se deixe alguém ganhar?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O peão em frente ao meu rei caminha na diagonal. Vai ocupando hesitantemente a casa da rainha branca, fazendo-a arrastar-se. Pára quando sua base circular encontra-se totalmente dentro do buraco deixado pela antiga rainha. Ela por sua vez pende para um lado sem volta e cai devagar, como um tronco acolchoado de árvore. Atinge a superfície subindo alguns milímetros com a força da queda. Um último quique e gira, um compasso centrado em sua coroa projeta uma semicircunferência imaginária no tabuleiro. O peão permanece parado dentro do buraco, olhando para os lados, reduzido ao minúsculo espaço atrás de seu escudo, e pronto para atacar quem aparecesse às suas vistas. Avançaria cegamente se fosse preciso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Sem olhar para Adolf, sinto seu olhar quente ferver sobre mim. Será que fiz algo errado? Ele executava um processo de convencimento telepático tão complexo que sequer o objeto a ser defendido era sabido. Convencia-me de algo que não sabia o que era, sem sequer falar comigo. As mãos coçam os ainda poucos fiapos de bigode, os dedos descem e agarram o rei branco, o mais poderoso ser que pode existir no universo, o principal comandante, líder, juiz, advogado, confessor, profeta, mago de tudo que aquilo que algum dia pode ter existido, ou que ainda vá existir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Ele encara enfurecidamente o rei negro, que já começava a agonizar de dor com os pingos de sua coroa derretida a escorrer-lhe na face. O rosto fundia-se com a coroa, que fundia-se com o corpo, que transcorria à superfície ao que parecia ser o desejo involuntário de transformar-se numa poça. Todos os poderes, num jogo de xadrez, davam ao portador todos os movimentos. O rei branco saltava sobre quem quisesse, percorria diagonais, horizontais ou verticais, que por serem as três ao mesmo tempo, não precisam sequer de referencial. Os reis separavam-se por um peão branco, que mantinha uma distância ideal para o impulso real de um grande salto. Sua peça brilha no ar, ao reproduzir a parábola que é o trajeto até as poucas gotas do que sobrou do rei oponente. Adolf finca sua majestade no cubo de duas dimensões ocupado pelo meu antigo rei com uma certeza indescritível de vitória. Escorrem-lhe lágrimas dos olhos. A força com que a cerâmica bate na madeira estremece tudo. Um efeito em cascata, que derruba meus peões, bispos, torres, faz um rombo no tabuleiro que aos poucos engole também as próprias peças brancas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Por incrível que pareça, fiquei absolutamente convencido de que o rei branco realmente podia fazer tais movimentos, mas, tão hesitante quanto o peão que comeu a rainha, disse que o objetivo do jogo não era matar meu rei, mas sim deixá-lo sem escapatória. Um rei morto não vale nada. Sua resposta foi sem abrir a boca... O som saindo por entre os dentes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;"A falta de escapatória ainda dá esperança de encontrar uma saída, mesmo que ela não exista."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Nunca mais joguei xadrez com Adolf Hitler.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;-&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3156620694155928343?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3156620694155928343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/xadrez_14.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3156620694155928343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3156620694155928343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/xadrez_14.html' title='Xadrez'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-4453949893957727326</id><published>2009-12-11T08:15:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T08:15:45.978-08:00</updated><title type='text'>Coqueiro</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Rosa choque&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De ordem no exército&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que está sem roupa&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Exército nu de ordem&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Despido de coragem&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Encharcado de suor&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com o léu ao céu&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois de fazer amor&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rosa choque é a flor&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chique é o rosa vulvo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tão chique que choca&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como a galinha &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que cria o pintinho&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E ela se choca de novo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com o tamanho da vara&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O bambu era imperial&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais imperial que qualquer palmeira&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas tinha só dois cocos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais nobre do que qualquer rei.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas palmeira não dá coco.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Erasmo Patajornas&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-4453949893957727326?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/4453949893957727326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/coqueiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4453949893957727326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4453949893957727326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/coqueiro.html' title='Coqueiro'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7897818901289902640</id><published>2009-12-07T19:47:00.001-08:00</published><updated>2009-12-07T19:47:05.230-08:00</updated><title type='text'>Catarro</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Era verde&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Jorrava em forma de cascata&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um lago profano&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma imensa queda d'água&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aquelas gotas&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao atingir o solo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Viravam lagoa&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rodrigo de Freitas&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tubos de esgoto&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E fossas nasais &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tem tanto em comum&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como tem por exemplo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma flor de jasmim&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E um fiapo gordo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De capim.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Erasmo Patajornas&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7897818901289902640?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7897818901289902640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/catarro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7897818901289902640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7897818901289902640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/12/catarro.html' title='Catarro'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7248387928835165214</id><published>2009-11-30T22:07:00.001-08:00</published><updated>2009-11-30T22:12:38.675-08:00</updated><title type='text'>Oeste I</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Imagine um galpão ridiculamente desarrumado. Com toalhas por todos os lados, mistura de cheiros, que de tão homogênea impossibilita a distinção de cada odor, camadas de poeira nas superfícies a ponto de não se saber a cor e nem mesmo a textura delas, poças espalhadas aleatoriamente pelo chão, que onde parece seco, gruda nos pés como se fosse um chiclete gigante e planificado. O ar é turvo e pesado. A luz é amarela e pouca, mas o suficiente para dar ciência a quem entra, do estado em que se encontra o lugar. Há garrafas e copos vazios, além de outros objetos que não deveriam estar onde estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, coloque-se no lugar de alguém que deve arrumar tudo. Deixar limpo, cheiroso e habitável. Essa é rigorosamente a sensação, ou devo dizer sentimento, que ocupa minha cabeça no instante em que resolvo começar a contar o que me propus a contar quando escrevi a primeira palavra desta página. Não sei se existe um nome, mas seria algo que signifique "não saber por onde começar". São tantas coisas, e tão grosseiramente desarrumadas, que simplesmente não existe uma forma de definir o começo, ou por onde começar. Poderia ser desespero, mas essa sensação carrega consigo um lado lamentoso que não vem ao caso. Sigamos, portanto, apenas com o significado, independente do nome que exista, ou não exista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim são algumas histórias. O "Era uma vez" pode ser sucedido de tantas opções que sequer é possível o utilizar. Cá estou agora, deparando-me com essa situação, e na ausência de resposta para o problema de saber por onde começar a contar, resolvo começar pelo próprio problema em si. Apesar de não ser propriamente relacionado ao que deve ser narrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo vive achando que a vida é um filme. Mesmo antes de os filmes existirem, achavam então que a vida era sua história sendo narrada, como as histórias que na sua vida lhe eram. E assim foi o surgimento da humanidade, não do ser humano, mas da humanidade enquanto civilização. Quando começamos a contar de uma geração para a outra as coisas das gerações anteriores. E até hoje é assim que funciona. Com diversos novos mecanismos além da simples oralidade, continuamos basicamente replicando o que de gerações passadas sabemos, por meio de histórias, a que me referi filmes (o que fundo dá na mesma, mas de qualquer forma é bom deixar bem claro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí vem a célebre frase: "o que importa na vida é aquilo que vale ser narrado." Que aumenta seu grau de coerência à medida em que o tempo passa (me refiro à frase). As viagens, os lugares visitados, as glórias vividas, o reconhecimento, as tristezas, e toda a vida em si de alguém, não é nada mais que o filme que esse próprio alguém cria e é o personagem principal. E quem discorda disso, me desculpe, mas está equivocado. Equivocado pelo simples fato de isso não ser um objeto para ser discutido, e portanto discordado. È um fato, que além de óbvio, tem todas as demais características relativas ao termo vocabulárico "fato". E uma delas é ser indiscutível. A menos que não tenha compreendido a idéia que foi escrita, a discordância não está em questão. Mas se for esse o caso, temos um problema estrutural. De qualquer maneira, isso não tem uma interferência tão profunda na narrativa, e se mesmo relendo, você ainda não entende o que está escrito, que não se atenha e vá adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei por antecipar o final da própria história, mas a essa altura do campeonato não sei ainda se ela continua a ser o grande motivo disso. É claro que permanece absolutamente necessária, mas não da forma que era antes. Antes era necessária e principal, agora apenas necessária. Como uma espécie de um baixo num conjunto musical. Isso não significa que vou deliberadamente deixar de narrar algum acontecimento, é importante alertar apenas para que não se esperem grandes surpresas, porque o final, que geralmente é a melhor parte (se tratando de surpresa), já foi dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse final a que me refiro é em termos de moral da história. Foram momentos tão grandiosos, que mereciam ser narrados. Daí toda a conclusão que acabei de transcrever. Há situações em nossas vidas que agimos como se tivéssemos tomado alguma poção mágica, cujo efeito dá um poder que nos faz capaz de descobrir coisas absolutamente óbvias, mas que ninguém percebia, ou que simplesmente nós mesmos nunca havíamos percebido (o que já é suficiente para ser mágico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ausência de ponto de partida me perturba de novo. Vou fazer simplesmente a caracterização do lugar, das pessoas, do ambiente e do meu estado mental no momento em que tudo aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuro e cheio, barulhento e frio. As pessoas só eram diferenciadas pelos contornos das sombras. A pouca claridade que entrava era da lua, que teimava em fazer-se penetrar pelas janelas altas e portas abertas. As paredes não eram de tijolos. Eram pedras colocadas umas sobre as outras. Pedras retangulares, velhas. A música ritualística soprava melodias que possuíam os corpos dos presentes como espíritos, fazendo-os dançar como em uma cerimônia de tribo medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei pra cima, procurando alguma explicação. Sentia-me nascido àquela hora. Sem saber falar, nem andar. Como se tudo que tivesse vivido até esse dia fosse um sonho, e eu acordava pela primeira vez. Cogitei estar maluco. Como fui parar num castelo desses? Será que existem dragões? Será que estou vivo? Abri a boca pra gritar, mas o som não saía. A música tocava tão alto que abafava minha própria voz. Olhei ao redor procurando algo escrito, os olhos giravam em movimentos involuntários. Procuravam algo que fosse real, algum nome, propaganda ou até uma placa indicando onde era o banheiro. Nesse momento esfreguei as mãos na barriga e no peito para assegurar-me de estar vestido. Balancei as pernas, que foram pra frente e voltaram batendo em alguma superfície. Constatei a partir disso que me encontrava sentado sobre algum parapeito. Finalmente fiquei livre dos reflexos que ocupavam minha visão e pude olhar a mim mesmo, tendo agora a certeza de estar sentado em cima de um palco vazio, com os pés quase a tocar no chão da região destinada a platéia. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7248387928835165214?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7248387928835165214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/oeste-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7248387928835165214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7248387928835165214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/oeste-i.html' title='Oeste I'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7231599479759056664</id><published>2009-11-23T06:27:00.001-08:00</published><updated>2009-11-23T06:27:03.881-08:00</updated><title type='text'>Pesadelo</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;Você sonha&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    em poder sonhar ter alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A realização de um sonho&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;     é o falecimento de um objetivo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O sonho de ter vivido é a morte...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero sonhar em ter &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    e não ter. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero sonhar com algo &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    que posso e quero ter, sem nunca ter tido. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero poder sonhar... &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    sem o compromisso &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    disso se realizar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7231599479759056664?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7231599479759056664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/pesadelo_23.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7231599479759056664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7231599479759056664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/pesadelo_23.html' title='Pesadelo'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-4031282468309582050</id><published>2009-11-17T22:23:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T22:26:12.704-08:00</updated><title type='text'>Diálogos de um Casal II</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Você é louca.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu sou normal. Você que é louco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Acho que não sou, e posso te provar, e ainda demonstrar que de fato você é louca.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que você tá falando não faz sentido, é loucura...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu me acho louco. E os loucos não se acham loucos. Isso me torna uma pessoa normal. E se sou uma pessoa normal, o que falei não é loucura, e dessa forma, quem acha que não é, é o verdadeiro louco nessa história toda. Resumindo, você.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu não sou louca.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois é, os loucos nunca se acham loucos.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-4031282468309582050?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/4031282468309582050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/dialogos-de-um-casal-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4031282468309582050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4031282468309582050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/dialogos-de-um-casal-ii.html' title='Diálogos de um Casal II'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2041938554700499129</id><published>2009-11-16T19:58:00.001-08:00</published><updated>2009-11-17T08:11:10.158-08:00</updated><title type='text'>Diálogos de um Casal</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Eu não entendo você. Cheio de ideologias políticas e morais, faz numa disciplina assim, sem saber nada, colando tudo... Depois ainda crítica a faculdade...” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“A questão é ter colado tudo, ou ter passado sem saber nada?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“A combinação das duas.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Se eu colasse, mas soubesse a matéria, teria problema?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Óbvio que sim, se soubesse a matéria, não precisaria colar.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“E se eu não soubesse a matéria e não colasse?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Você seria reprovado.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Exatamente, o que há de errado em preferir colar a ser reprovado? Eu tive justificativas para colar, não foi um ato deliberado.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Você sempre condenou as pessoas que copiam as coisas dos outros, sempre condenou a cola!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Mas...”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“E agora fazendo apologia disso. Sua palavra não vale nada.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Ah! Você também faz apologia contrária às coisas que faz.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Primeiro que, mesmo que eu fizesse, não justifica você fazer. E segundo, não faço esse tipo de apologia paradoxal.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Claro que faz. Quando gostamos de fazer alguma coisa, automaticamente estamos fazendo apologia a ela.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Claro que não.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Ué, óbvio que sim!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Eu gosto de coisas condenáveis, e não faço apologia delas.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“O que, por exemplo?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Sei lá.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Então, não tem. Está vendo?!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Chutar cachorro.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Que?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Morto. Gosto de chutar cachorros mortos.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Você gosta de chutar cachorro morto?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Gosto, mas condeno quem faz isso.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Você chuta cachorros mortos?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Não, mas tenho vontade, gosto de chutar.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Nessa hora a conversa foi interrompida por dois motivos distintos. Primeiro, porque comecei a rir desembestadamente, a ponto de não conseguir mais falar nada. E segundo, porque ela tropeçou num galho, e logo depois o chutou para longe, ligeiramente irritada. Continuamos andando. E eu continuei rindo. Quando finalmente consegui me recompor, olhei para ela, ainda com minha feição voltando ao estado normal, e algumas lágrimas a secar nas extremidades dos olhos. Chorei de tanto rir. Ela diz, com um sorriso amarelo:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Isso é coisa de gente doida?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“O que?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Gostar de chutar cachorros mortos.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Não, é engraçado. Mais ainda o fato específico dos cachorros.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Na verdade, pode ser qualquer ser vivo.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Então você acabou de chutar um.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Que?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“O galho!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Mas não estava vivo!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Pois é, você chutou um galho morto, o equivalente a um cachorro morto.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Peraí, não dá pra comparar um cachorro com um galho.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“O galho faz parte da planta, se a planta é viva, ele é vivo.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“A planta só sente nas folhas.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“E daí? Tenho pra mim que os galhos seriam o análogo às unhas, nos seres humanos. Só que, ao &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;contrário de nós, as árvores têm quase metade do corpo feita de unha. Imagina só, ser todo feito de unha, que nojo.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Vai me dizer então que chutar um pedaço de unha é a mesma coisa que chutar um cachorro morto. É isso que você está dizendo?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Não, era brincadeira. Os troncos são como os pés humanos. Sustentação, né? Mais precisamente, os troncos são que nem as solas dos pés. Imagina aquelas pessoas bem velhas, com as solas todas enrugadas. Se passassem aqueles pés durante uma semana na areia quente, ficariam exatamente com a mesma textura dos troncos. Bem grossas, praticamente formando um calo gigantesco.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Os galhos são como os calos?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Dá pra fazer móvel com a madeira.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Putz!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“As pessoas fazem jangada com esses troncos.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Imagina uma jangada feita com pele de calos gigantes, ou então com solas de pé e unha...”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“Pois é, justamente. Se um dia eu precisar de uma jangada, vou ficar correndo na areia quente por horas para ter as solas do pé bem grossas.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;“E eu me achando louca por gostar de chutar cachorros mortos.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2041938554700499129?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2041938554700499129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/dialogos-de-um-casal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2041938554700499129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2041938554700499129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/dialogos-de-um-casal.html' title='Diálogos de um Casal'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-4987819541318307084</id><published>2009-11-11T20:19:00.001-08:00</published><updated>2009-11-11T20:24:39.217-08:00</updated><title type='text'>Concerto infanto</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quis tocar piano e falei com meu pai que se prontificou a arrumar uma professora e pagar adiantado. Na segunda aula não queria mais. Talvez tenha sido na terceira, ou quarta. Mas eu gosto de falar que nas segundas vezes acontecem coisas. Meu pai já havia pagado, então fui obrigado a ter o resto das aulas. Acabei ficando uns quatro anos nessa. Gostava e tudo, mas os exercícios foram ficando cada vez mais chatos. E eu não conhecia nenhuma música que tocada. Era uma sensação de saber falar, mas estar num país onde ninguém entende sua língua e você fala aquele outro idioma mesmo sem saber o significado das palavras. Uma única vez tive orgulho de tocar. Numa exposição do Monet, na sala onde ficava a cafeteria, um piano. Sentei lá e, sem nem me dar conta de estar tocando, comecei a tocar uma das músicas das quais não conhecia. Após a acabar a primeira parte, que no caso era só uma, pois eu não sabia tocar as demais partes, ouvi aplausos. Virei pra traz e vi uma platéia enorme. Todos me aplaudiram. Fiquei vermelho, mas orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No grupo de pessoas que me acompanhavam estavam Asdrúbal, sua mãe e mais alguém que não é importante (se fosse eu lembraria). Asdrúbal será falado mais adiante, se por acaso convir. Seria de fato interessante uma descrição a seu respeito. Sua mãe ficou orgulhosa de mim como se fosse eu o filho dela. Não se esqueça que tínhamos uns nove anos. Nessa época as crianças ficam com ciúmes das mães quando elas parecem dar mais atenção pra alguém que não sejam elas mesmas. Elas mesmas, que fique claro, me refiro às crianças. Asdrúbal ficou visivelmente emputecido. Não sabia fazer nada. Ou pelo menos não naquela hora. Entrou pra aula de violão uma semana depois, sete anos antes de estourar nas paradas de sucesso com a música do ursinho corcunda. Hoje em dia está milionário, morando em algum lugar bem parecido com a Europa, e quem sabe na própria Europa. Afinal, pra lá que eu ia se essa doença não viesse. Quanto à história do meu pequeno show, era apenas isso mesmo. Não quero que pareça que me desviei do assunto, então que fique claro que acabou mesmo. O que ainda vale ser ressaltado é que, depois desse dia, sempre que me perguntavam se eu tocava piano e eu respondia que sim, ao que seguia naturalmente a pergunta se eu já havia me apresentado, eu respondia: “fiz um show na exposição do Monet.” Causava uma ótima impressão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-4987819541318307084?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/4987819541318307084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/concerto-infanto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4987819541318307084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4987819541318307084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/concerto-infanto.html' title='Concerto infanto'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8347027532524442842</id><published>2009-11-06T15:52:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T16:00:01.629-08:00</updated><title type='text'>Lareira</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SvS4SEp-_xI/AAAAAAAAAA8/vwWvBJnYFzo/s1600-h/lareira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401144473751060242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SvS4SEp-_xI/AAAAAAAAAA8/vwWvBJnYFzo/s200/lareira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Uma brasa cai&lt;br /&gt;Vermelha amarelada&lt;br /&gt;A fumaça saindo vagarasomente&lt;br /&gt;Forma uma forma no ar&lt;br /&gt;Cercando a brasa que cai&lt;br /&gt;Amarela avermelhada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Musica triste&lt;br /&gt;Com violinos sensíveis&lt;br /&gt;Líricos e sentimentais&lt;br /&gt;Acordes contínuos de uma vida podre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo do além&lt;br /&gt;Que mesmo assim exista&lt;br /&gt;Ainda que de uma forma estranha&lt;br /&gt;Mesmo igual a fumaça que tem forma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo a musica do violino chorão&lt;br /&gt;Disfarçadamente dengoso&lt;br /&gt;E desgraçamente melancólico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida pra que me serves?&lt;br /&gt;Se nessa vida não sirvo pra nada?&lt;br /&gt;Quem serve pra coisa alguma?&lt;br /&gt;Quem sabe me responder o que sabe fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O planeta fede&lt;br /&gt;Meu coração se aperta no osso do peito&lt;br /&gt;O homem deu nome ao osso&lt;br /&gt;Mas mesmo que nem nome tivesse&lt;br /&gt;Doeria do mesmo jeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que não sei o nome&lt;br /&gt;Por que ninguém é capaz de a tudo nome dar&lt;br /&gt;E portanto existem as coisas que não existem&lt;br /&gt;Que não tem nome&lt;br /&gt;Designo-me a uma delas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nome!&lt;br /&gt;Aceite de desculpas&lt;br /&gt;Uma faca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma faca limpa imunda&lt;br /&gt;Meu sangue corre sobre a lâmina&lt;br /&gt;Ainda quente, quase fervendo&lt;br /&gt;Borbulhante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borbulhas de morte&lt;br /&gt;Apesar de a vida lembrar a borbulha&lt;br /&gt;O que se mexe&lt;br /&gt;E vive portanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamba este sangue&lt;br /&gt;Como chocolate quente na manha do inverno&lt;br /&gt;Que de mim não sai nada mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O liquido que aí jorra&lt;br /&gt;E o que fará estar escrito adeus&lt;br /&gt;Foi tirado do meu centro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seja tão romântico&lt;br /&gt;Meu centro não é o coração&lt;br /&gt;O cérebro&lt;br /&gt;Embora também não ele o próprio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nele estão eles&lt;br /&gt;Meu sangue pinga dos pensamentos&lt;br /&gt;Desse mundo sem sentido e burro&lt;br /&gt;Que eles pensam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a morte&lt;br /&gt;Como sendo essa a última&lt;br /&gt;Que há chances de se pensar&lt;br /&gt;É o que vem&lt;br /&gt;Com a secura da tinta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escorrendo pelos meus dedos&lt;br /&gt;Rosto e resto&lt;br /&gt;O pingo que cai se divide&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a brasa&lt;br /&gt;Amarela vermelha&lt;br /&gt;Apaga-se por fim no sangue&lt;br /&gt;Vermelho amarelo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8347027532524442842?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8347027532524442842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/lareira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8347027532524442842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8347027532524442842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/lareira.html' title='Lareira'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SvS4SEp-_xI/AAAAAAAAAA8/vwWvBJnYFzo/s72-c/lareira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7040912545953466036</id><published>2009-11-03T20:42:00.001-08:00</published><updated>2009-11-04T08:11:09.109-08:00</updated><title type='text'>Carta a F. Negreiros de http://supercarneiro.blogspot.com/</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Prezado, &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escrevo esta carta por basicamente três motivos: para cobrar a resposta da anterior, para tratar de uma história que soube recentemente e por porque estou afim. Na verdade, todas as justificativas poderiam estar resumidas nessa última, mas quis colocar as duas primeiras pois elas não estão presentes nos motivos pelos quais costumo escrever coisas. Minha vontade está em todos, pelo menos até agora. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quanto ao item que abre essa lista, acho que basta a menção que já foi feita (e essa). Ao terceiro, vamos falar em algum momento, portanto vamos à história. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um documentário sobre uma criança bipolar que comete suicídio aos quinze anos. "Tudo bem, isso acontece sempre." Mas esse documentário foi feito com imagens da própria criança, sem nenhuma encenação (não do ponto de vista artístico), com vídeos da família e depoimentos de quem viveu a situação. "O que? A família ainda quis ganhar dinheiro em cima disso?" Acho que não, mas foda-se, que importam essas questões?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você não acha incrível uma criança planejar, cometer e justificar um suicídio? Que motivos tão convictos eram esses? Ele sabia que era algo irreversível, sabia que sentiria dor, e mesmo assim se matou. Aos oito ou nove anos ele compunha músicas sobre morte, inferno e sangue (tudo isso registrado no filme). Aos doze mostrou à mãe como pretendia se matar. Toda a estrutura de uma forca, perto da bi-cama, de onde se jogaria. Se "recuperou" de tudo lá para os catorze, e tornou-se o melhor aluno da escola. Escrevia roteiros de peças de teatro, de filmes e compunha músicas tristes, sempre com a temática da morte. Ele dizia à mãe que a vida não fazia sentido, perguntava "pra que" as coisas serviam, se eram reais. A mãe não entendia essas perguntas, inclusive até hoje não entende. E tenho minhas dúvidas de quantas pessoas que digam terem entendido realmente o tenham. Com quinze anos, encontrou a certeza da resposta e simplesmente se matou. Na carta, que ficou piscando na tela do notebook dele, apareciam seis motivos para se matar, seis para viver e alguns pedidos a alguém capaz de cumpri-los (do tipo, que seja indolor, que ninguém sofra, etc).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não lembro exatamente o que dizia cada parte, mas chamou a atenção ele ter colocado "o futuro", exatamente assim, como motivos para viver e para morrer. Essa história é real, quase um choque de realidade às avessas (se é que me compreende). Até que ponto o que achamos que é absurdo, realmente é absurdo? E isso cria mais um daqueles problemas infinitos, pois se o absurdo vira real, sequer vai existir parâmetro pra defini-lo como tal. E nesse caso, voltamos à realidade. Enfim, acho que nem sei mais o que estou escrevendo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para terminar, a respeito desse filme, cabe apenas ressaltar um acaso que poderia gerar polêmica aos mais supersticiosos. São seis motivos para morrer, seis para viver. Falta apenas um seis para o famoso número da besta. Não lembro quantos pedidos ele faz, se você vir o filme, conte (no sentido matemático da palavra) e me conte (no sentido fofoqueiro).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Semana retrasada, furaram dois pneus do meu carro e sempre que eu contava essa história, lembrava de seu pai. Porque eu sempre dizia "então, furaram meu pneu... blá blá blá". E dava graças a Deus por não perguntarem" furaram quem?". E quanto a isso, ainda acho que deva pensar melhor (se é que vale alguma coisa eu dizer isso). Quanto ao que conversamos rapidamente de passagem, não sei se o motivo de seu desânimo sejam coisas como faculdade, Europa, trabalho, banda. Pode ser uma pequena depressão característica do período próximo aos aniversários, ou então simplesmente a falta de uma namorada. E aqui cabe dizer algo que diria um ascensorista: "A vida é um sobe desce danado." Sábio...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por fim, algo mais importante de ser tratado, embora seja demasiado chato. Essa questão do nunca morrer, ser eterno por nunca ser achado, que sempre digo que é um egoísmo. Aí sempre lembramos de nossas progenitoras, mas aí esquece-te de outras pessoas. Não sei se já pensou nisso, mas não vejo com bons olhos um sumiço deliberado. Realmente uma covardia. A imortalidade vem do que você deixar no mundo, e se você nunca deixá-lo, nunca deixará nada, pois só se deixa algo, depois de ter ido. Enfim... É um caso a se pensar...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Queria saber tua opinião a respeito do psicopata americano. Não entendi aquelas coisas de não serem igual a não sei quem. O ponto ali é que o cara é psicopata no seguinte sentido: Quando eu vejo alguém com comportamento muito metódico, certinho, beirando a esquisitisse, sempre brinco falando que é psicopata. E esse personagem é uma pessoa assim, psicopata. Mas, no caso, é de verdade. No meu ponto de vista é isso. E a cena do cartão de visitas tem uma função metafórica poderosíssima, não acha?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E para que não deixemos de falar de arte, te pergunto. Até que ponto a arte poderia ser um negócio rentável, na medida em que quando ela passa a objetivar o lucro, começa a artificializar-se enquanto arte? Seria como uma puta que não goza mais de tanto transar. Complicado...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho que é isso, e não entenda a cobrança da resposta como uma obrigação, mas sim como uma manifestação involuntária da minha curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Abra, MLF&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7040912545953466036?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7040912545953466036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/carta-f-negreiros-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7040912545953466036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7040912545953466036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/11/carta-f-negreiros-de.html' title='Carta a F. Negreiros de http://supercarneiro.blogspot.com/'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3581964129574063012</id><published>2009-10-26T09:05:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T09:10:00.746-07:00</updated><title type='text'>Poema Gramatical</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Você é o predicativo do minha oração principal&lt;br /&gt;A conclusão, a introdução e os argumentos da minha dissertação&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Você é o predicado do meu sujeito&lt;br /&gt;E o hífen das minhas palavras compostas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Você é a interrogação da minha pergunta&lt;br /&gt;O acento circunflexo do porquê&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Você é a exclamação das minhas alegrias&lt;br /&gt;A reticência das minhas dúvidas&lt;br /&gt;É a letra maiúscula do início dos meus dias&lt;br /&gt;E o ponto final das minhas noites&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Você é tudo,&lt;br /&gt;Presente, futuro e passado&lt;br /&gt;É mais perfeita que o pretérito mais que perfeito,&lt;br /&gt;É minha enciclopédia,&lt;br /&gt;É o dicionário do meu vocabulário.&lt;br /&gt;Você é a conjugaçao, em todos os tempos, do verbo amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3581964129574063012?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3581964129574063012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/poema-gramatical.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3581964129574063012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3581964129574063012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/poema-gramatical.html' title='Poema Gramatical'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3267458439241546874</id><published>2009-10-22T20:27:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T20:35:59.002-07:00</updated><title type='text'>Confeitaria</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SuEkfg99ZeI/AAAAAAAAAAk/mA60CLc1yrI/s1600-h/pao-frances.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395633952410920418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 161px; CURSOR: hand; HEIGHT: 164px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SuEkfg99ZeI/AAAAAAAAAAk/mA60CLc1yrI/s200/pao-frances.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O trabalho na padaria era chatíssimo. Não me encaixava em nenhuma das funções disponíveis. Caixa, assador de pão, faxineiro. Tudo muito chato. Fazia porque era obrigado e de qualquer maneira. Quando faxineiro, escondia a sujeira embaixo das latas, quando caixa, arredondava todos os trocos e como assador de pão era um excelente fabricante de carvão. O que me excitava mesmo era a idéia de construção. Mas não necessariamente de uma estrutura arquitetônica. Eu gostava de ver uma coisa que não existia passar a existir e ir se desenvolvendo até virar algo grande. Adorava isso. Nas tardes livres, ficava fazendo castelos de baralho. Do nada, virava uma torre gigante e aquilo me fascinava tanto... O trabalho parado e sistemático de uma padaria estava longe do que eu queria fazer. Definitivamente, não iria continuar aquele legado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também, não sei exatamente que vantagem de legado é essa. Ser dono de uma padaria. Qualquer um pode fazer pão, não precisa nem saber cozinhar. Aliás, essa profissão é mesmo de quem não consegue mais nada. Aí virar um padeiro. Então seria um legado de perdedor. E por isso, de novo, afirmo até agora, que não iria jamais continuar aquele maldito legado de confeiteiro rústico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a desenhar com catorze anos e a ter aulas de violão aos oito. Não sei por que diabos menciono essas duas atividades, e ainda de forma cronológica tão aleatória. Um não começou nem terminou depois do outro. As aulas de piano foram obrigatórias. Não que eu tivesse sido obrigado a fazê-las sempre. Era dessas obrigações que se impõe a partir da primeira vez que se faz uma coisa. Como se você tivesse a opção de não ser obrigado a fazer a coisa que vai te deixar obrigado a fazer se a fizer pelo menos uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3267458439241546874?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3267458439241546874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/confeitaria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3267458439241546874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3267458439241546874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/confeitaria.html' title='Confeitaria'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SuEkfg99ZeI/AAAAAAAAAAk/mA60CLc1yrI/s72-c/pao-frances.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8217644339499731193</id><published>2009-10-19T19:43:00.001-07:00</published><updated>2009-10-19T19:43:52.487-07:00</updated><title type='text'>Escravos</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;Serviu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;    Ser vil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;              Servil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;             Ser vilão?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;                Vil vilão?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;                  Ser vil vilão?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;            Servil vilão?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;    Servir o vilão?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;Viu?                                                                                                               &lt;span style='font-size:90pt'&gt;&lt;br /&gt;					&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Courier New'&gt;Erasmo Patajornas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8217644339499731193?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8217644339499731193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/escravos_19.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8217644339499731193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8217644339499731193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/escravos_19.html' title='Escravos'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-6909035479188094542</id><published>2009-10-15T20:08:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T20:18:51.233-07:00</updated><title type='text'>Sobre</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;lascada&lt;br /&gt;áspera&lt;br /&gt;lisa&lt;br /&gt;ou talhada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pintada&lt;br /&gt;virgem&lt;br /&gt;transparente&lt;br /&gt;ou colorida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;plana &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/StflwPiZtcI/AAAAAAAAAAc/NWM5oI6W33s/s1600-h/superficie%5B.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;esburacada&lt;br /&gt;irregular&lt;br /&gt;ou ondulada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quente&lt;br /&gt;gelada&lt;br /&gt;fria&lt;br /&gt;ou indiferente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;natural&lt;br /&gt;construída&lt;br /&gt;transformada&lt;br /&gt;ou nascida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obstáculo&lt;br /&gt;enfeite&lt;br /&gt;decorativa&lt;br /&gt;ou prática&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dura&lt;br /&gt;mole&lt;br /&gt;flexível&lt;br /&gt;ou gelatinosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feia&lt;br /&gt;bonita&lt;br /&gt;brega&lt;br /&gt;ou indiferente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não importa como&lt;br /&gt;nem por que&lt;br /&gt;nem onde&lt;br /&gt;e nem quando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se existe&lt;br /&gt;vivo ou não vivo&lt;br /&gt;morto ou sobrevivente&lt;br /&gt;está em cima de uma superfície...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-6909035479188094542?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/6909035479188094542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/sobre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/6909035479188094542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/6909035479188094542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/sobre.html' title='Sobre'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7497623446509841214</id><published>2009-10-11T00:19:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:16:25.063-07:00</updated><title type='text'>Infinito...</title><content type='html'>É como se eu visse tudo diferente&lt;br /&gt;Mas quisesse olhar o que todo mundo vê&lt;br /&gt;Que diferença faz se eu vejo diferente&lt;br /&gt;E não consigo mostrar&lt;br /&gt;Pois ninguém consegue ver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você vê o outro diferente&lt;br /&gt;Mas não sabe como ele te vê&lt;br /&gt;Como pode ser igual&lt;br /&gt;Se o único diferente é você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o louco diz que é louco&lt;br /&gt;Doído, é que não está!&lt;br /&gt;Pois se o maluco, nunca assume que é maluco&lt;br /&gt;O normal vira insano&lt;br /&gt;E a maluquice fica sã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se eu vivesse só esperando&lt;br /&gt;O início de uma nova espera&lt;br /&gt;Mas se eu espero uma espera&lt;br /&gt;Já chegou,&lt;br /&gt;Ou nunca vou chegar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nada, não pode ser nada&lt;br /&gt;Porque nada, tem significado&lt;br /&gt;Pelo simples fato de ser a si próprio&lt;br /&gt;Nunca será nada&lt;br /&gt;A menos que nada seja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você acorda pra dormir&lt;br /&gt;Nasceu para morrer&lt;br /&gt;Mas se morre vivendo&lt;br /&gt;E vive morrendo&lt;br /&gt;Por que não dorme no nascimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você vê tudo diferente,&lt;br /&gt;Inclusive o outro&lt;br /&gt;Então, você é louco&lt;br /&gt;Vive esperando o nada&lt;br /&gt;Mas ele dorme na hora que você acorda&lt;br /&gt;E morre na hora que você nasce&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7497623446509841214?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7497623446509841214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/infinito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7497623446509841214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7497623446509841214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/infinito.html' title='Infinito...'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2489438077686555944</id><published>2009-10-08T10:43:00.001-07:00</published><updated>2009-10-08T10:45:22.384-07:00</updated><title type='text'>Desafio 6</title><content type='html'>Dessa vez Canguru não resistiu e virou descaradamente pra trás. Queria olhar na cara daqueles homens, sanar a curiosidade de saber quem eram os sujeitos. Até então, imaginava-se numa espécie de rádio onde existe uma curiosidade quase insaciável de se saber quem é o dono das vozes locutórias. Ao contrário da outra tentativa discreta, os gorilas nem perceberam. Preocupavam-se em guardar os celulares e fazer a conta da divisão do que deveriam pagar, além de tomar o resto da cerveja. O que mais chamou a atenção foi o fato de serem gêmeos. Mesmo que não seja nenhuma aberração digna de surpresa, sempre que o rapaz via gêmeos idênticos ficava fascinado. Era a prova de que não existem pessoas iguais no mundo. Mesmo aqueles dois, com genes praticamente copiados e educação conjunta, são diferentes. “Os gêmeos são o maior grau de semelhança que pode existir entre os seres sexuados.” Lembra de ter lido isso em algum livro de biologia. Ao reparar embaixo do cotovelo de um deles, precisamente o que dissera a frase sobre morte, mais uma surpresa: Um livro de Nietzsche. Dava pra ler o título escrito entre a capa e a contracapa. Isso mudava radicalmente a opinião de Canguru sobre o suposto marombeiro. Além disso, o segundo vestia uma camisa com desenhos de casas e frases escritas em francês. Certamente algum lugar na França. Nas ilustrações, chamavam atenção os telhados extremamente detalhados e com cumeeiras que eram praticamente obras de arte. Os dois gorilas perceberam estar sendo observados pelo rapaz. Ele permanecera muito tempo os encarando. “O que está olhando?”, pergunta o estuprador.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2489438077686555944?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2489438077686555944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/desafio-6.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2489438077686555944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2489438077686555944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/desafio-6.html' title='Desafio 6'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2392301650106302565</id><published>2009-10-02T09:54:00.001-07:00</published><updated>2009-10-02T09:55:46.992-07:00</updated><title type='text'>Fábula do maluco</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SsYwYsqCv3I/AAAAAAAAAAM/a-qjIuiLYKY/s1600-h/vei-doido.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388047205057871730" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 158px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SsYwYsqCv3I/AAAAAAAAAAM/a-qjIuiLYKY/s320/vei-doido.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um senhor chega a um bar e começa a falar com a mulher do caixa, que se não é, parece ter uma relação bem intima com o dono do estabelecimento. Algo do tipo esposa ou irmã. Em pequenas lanchonetes como essa, é comum que o dono fique no caixa. Isso parece estranho na medida em que ele fica a cuidar de algo que não é o negocio em si. Inclusive, talvez sequer tenha noção clara de como se dá o funcionamento da cozinha. É um suposto empresário do ramo alimentício, cuja função não passa de ser contabilizar o fluxo do dinheiro. Mas não vale se ater a isso. Não passa de mais um mero exemplo daquele tipo de atividade que é feita com a prerrogativa única de garantir sustento ao seu idealizador e se distanciar do conceito histórico de trabalho, como um oficio vocacional e não simplória designação de sobrevivência. Assim como não há o conceito de prazer no resultado final dos produtos vendidos, também aos consumidores, fica clara, mesmo que de forma involuntária, a idéia de que aquele alimento é de má qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando vãs filosofias de lado, o acontecido foi que esse homem falava rindo com a mulher e com os demais funcionários do bar com uma intimidade que nitidamente não era recíproca. O pouco que foi possível escutar eram parabenizacoes. Poderiam ser irônicas, mas o senhor não parecia estar querendo dizer o oposto do que dizia. O mais provável é que fosse alguma brincadeira, e o riso amarelo e forçado da dona do lugar só fazia traduzir a situação de intimidade artificial. Antes mesmo de o sujeito ir embora, ela já esboçava algum comentário maldoso com suas subalternas, e no exato instante em que ele não mais era capaz de ver o que se passava lá dentro, virou para uma das funcionárias e disse alguma coisa apontando com os olhos o caminho seguido pelo homem. Todos começam a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"esse cara é doido.", e mais gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia seguiu inteiro tão monótono como qualquer outro e a pseudo insanidade do velho foi o único motivo de alegria para todos os envolvidos nessa história, menos o tal maluco. Ele, fazendo jus a seu estado de sanidade, continuou se divertindo até de noite com suas próprias maluquices. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;---&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2392301650106302565?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2392301650106302565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/fabula-do-maluco_8942.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2392301650106302565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2392301650106302565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/10/fabula-do-maluco_8942.html' title='Fábula do maluco'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xwJeR6MwnLI/SsYwYsqCv3I/AAAAAAAAAAM/a-qjIuiLYKY/s72-c/vei-doido.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-9074775649350598171</id><published>2009-09-29T23:00:00.001-07:00</published><updated>2009-09-29T23:01:55.579-07:00</updated><title type='text'>Cinema encanado</title><content type='html'>Era uma festa. Aproximadamente vinte pessoas se dividiam entre os mais de dois andares que o local dispunha. Não era uma distribuição proporcional, e nem importava que fosse. Em cada andar se fazia uma coisa diferente. No primeiro, essencialmente, chegava-se. Portanto lá ficavam os recém chegados. No segundo sobravam aqueles que por algum motivo pararam no caminho que faziam para o andar subseqüente. No terceiro, ficavam o resto das pessoas. Algumas demoravam muito a chegar, e mesmo depois que chegavam, permaneciam por muito tempo no andar destinado a quem acabava de entrar. Outras permaneceram nesse andar a festa inteira, chegaram cedo, apesar de até o fim terem sido recém-chegadas. O acesso aos andares era feito somente via escadas e não existia sobre ele controle algum. A medida que o tempo passava os andares anteriores ao último iam se esvaziando e, certo momento, percebeu-se que os recém-chegados haviam sido extintos. Continuava a divisão desproporcional de pessoas entre os andares, mas agora a definição e caracterização de cada pavimento era estritamente geográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontecia era uma orgia musical. Cornetas, guitarras, trombones, saxofones, pianos, reco-recos, flautas, trompetes e até um bandolim que até agora não se sabe se é real, participavam sob os comandos de cada um dos artistas. O telhado era feito de um material que o homem nunca foi capaz de sintetizar. Era o céu estrelado, com a lua aparecendo vez por outra quando as nuvens que pairavam permitiam. Fazia calor, mas o vento era suficiente para não torná-lo insuportável. A improvisação dos artistas e seus instrumentos parecia ter sido ensaiada por uma vida inteira. Até os erros tornavam-se parte integrante da música. A comida exalava um cheiro de fazenda que enfeitiçava. Era daqueles que carregam os personagens de desenhos animados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal acariciava-se num sofá, uma família conversava perto de uma espécie de sacada. Comiam risoto. No casal, o amor escancarava-se dos olhos dele. Um cano que passava para servir de calha de água sofria metamorfose. Sua porção convexa aos poucos se transformava em tela de cinema. Pequena tela, gigante o filme. Muitos rostos, era um filme totalmente conceitual. A trilha sonora era a música improvisada. Um dos rostos, que eram nítidos no final da tela, parecia ser um dos sete anões. Só que com barba. Era uma cara amassada, meio achatada, com rugas na testa, nariz daqueles fazendo curva pra baixo e barba. Barba que ainda não se sabe se era branca ou preta. Mas também não é importante que seja de uma cor ou outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu assistia a esse filme boquiaberto, só interrompendo minha sessão para beijar a garota que formava comigo o casal apaixonado do sofá. Sim, acabei esquecendo de mencionar esse detalhe. Mas também não é importante. O filme se acabava, sentia-me como colocado com os ouvidos no centro inferior de dois furacões, um de cada lado. Bem na origem do redemoinho. E o vento entrava pelas orelhas, bagunçando tudo que existia na minha cabeça. Papeis pra todo lado, achei que ia ficar maluco pra sempre e que aqueles papeis nunca mais voltariam a ter alguma ordem. E achei ótima essa idéia. Eu precisaria ser onomatopéico para expressar com rigor o que se passava. Mas não existem meios gráficos capazes de traduzir verbalmente o que acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zum! O ar entrou todo em mim. Fazia um silêncio avassalador, apesar de os músicos nitidamente ainda estarem tocando, como podia-se notar pelos seus movimentos. O pensamento deixou de existir na forma de palavras. Só havia espaço para o bem estar. Olhei para o meu amor, dei-lhe um beijo. Sorri, ela sorriu. Ela entendeu o que eu sentia. Olhei cada pessoa que pude. A família da sacada conversava sobre alguém viajando, não pareciam estar muito animados. Eram recém chegados remanescentes. Era um personagem da mesma forma. Os músicos. Ah, os músicos. Muito mais do que apenas personagens, faziam a trilha sonora. Um deles, italianamente, limpava uma das mesas. Havia taças de vinho sujas e ele, de uma forma absurdamente sutil, retirava, e cuidadosamente colocava na pia. Uma por uma. Desde seus trajes, até a fisionomia o tornavam um excelente personagem e, sem dúvida um dos principais. Eu olhava aquela cena, aquele personagem... “Um mordomo italiano e maluco arrumando a mesa no meio da festa.” E assim fui passando pessoa a pessoa. Personagem a personagem. Descobri que na vida, o que vale é o que merece ser narrado. Alguém já havia me dito antes, mas só descobri nessa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de concluir aquela história que foi criada por cada um dos personagens vistos, e depois de ter tido a conclusão da vida, ele percebeu que faltou um. Faltava um personagem. Olhei ao redor e estiquei o pescoço. Achei, o último personagem, que até agora se confunde com o autor. Ele, o personagem, olhava cada pessoa daquele ambiente e balançava a cabeça. Estava sentado em uma das mesas que o italiano arrumava, com um prato de risoto na mão, e um cigarro no cinzeiro. A cabeça, por cada pessoa que passava, subia e descia. Um sorriso brotava do rosto ao mesmo tempo. Uma expressão de entendimento e satisfação. Uma história sendo feita. Será que pensava o mesmo que eu? Será que sou um cenário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de passar o olhar vagarosamente por todos os presentes, ele parou. Virou pra cima, como que procurando alguma coisa. Olhou para os dois lados e pra trás, finalmente levantou. Foi até a família, mirava o chão também, realmente procurava alguma coisa, embora parecesse não saber o que. Entre os músicos, dentro do canteiro, na escada. Foi procurando com detalhes até que parou na minha frente. Não perto, longe, mas de qualquer forma na minha frente. O semblante de ‘cadê?’ rapidamente deu lugar a um de ‘achei!’, fez um gesto de positivo na minha direção ao mesmo tempo em que dava um sorriso de aprovação, e foi sentar-se de novo. A história estava completa.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-9074775649350598171?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/9074775649350598171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/cinema-encanado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/9074775649350598171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/9074775649350598171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/cinema-encanado.html' title='Cinema encanado'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-5864688201731804896</id><published>2009-09-28T20:12:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T20:22:12.150-07:00</updated><title type='text'>Surpresa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;quando você acha que o inesperado&lt;br /&gt;está para acontecer&lt;br /&gt;ele deixa de ser inesperado&lt;br /&gt;e torna-se esperado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas mesmo assim,&lt;br /&gt;no fundo,&lt;br /&gt;ainda que seja,&lt;br /&gt;bem no fundo,&lt;br /&gt;permanecerá,&lt;br /&gt;totalmente,&lt;br /&gt;verdadeiramente,&lt;br /&gt;inesperado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tal qual a morte&lt;br /&gt;que é esperada&lt;br /&gt;tanto quanto&lt;br /&gt;inesperada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Erasmo Patajornas" &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;BR&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-5864688201731804896?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/5864688201731804896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/surpresa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5864688201731804896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5864688201731804896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/surpresa.html' title='Surpresa'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-4747377122623636151</id><published>2009-09-22T18:44:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T18:45:41.393-07:00</updated><title type='text'>Indigestão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Tô enjoado de gente&lt;br /&gt;Quero resolver tudo por escrito&lt;br /&gt;Sem ter que encontrar&lt;br /&gt;Sem ter que falar&lt;br /&gt;Sem ter que sequer ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever o que acho&lt;br /&gt;Sem interrupções&lt;br /&gt;Ler o que acham&lt;br /&gt;Sem ser interrompido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um violino, ou um banjo&lt;br /&gt;Que tenha as melodias tocadas&lt;br /&gt;Sem importar a música&lt;br /&gt;Só as notas&lt;br /&gt;Escritas&lt;br /&gt;Na partitura de suas cordas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;"Erasmo Patajornas"&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-4747377122623636151?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/4747377122623636151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/indigestao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4747377122623636151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/4747377122623636151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/indigestao.html' title='Indigestão'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2411094106496561865</id><published>2009-09-19T04:30:00.000-07:00</published><updated>2009-09-19T13:17:39.574-07:00</updated><title type='text'>Sabe o que é mais estranho?</title><content type='html'>Sabe o que é mais estranho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de passar a madrugada vagando pelas ruas de uma cidade caótica. Com medos de assaltos e de quem os combate. Seguindo os caminhos supostamente mais inseguros pelo fato de não passarem por eles quem os torna seguros, e pelos mais seguros por suspeitarmos não passarem os que os fazem inseguros, chegamos numa floresta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso, é importante que seja dito que encontramos Deus. Conversamos por não mais que cinco minutos com ele. Por incrível que pareça vestia uma camisa do flamengo, e respondia quando o chamávamos de Ozzie. Fazendo jus a sua posição de senhor supremo, fez rápidas e sucintas previsões acerca do futuro e retornou ao seu caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi e achei meu livro na selva. Depois partimos, agora em três. Ou já eram antes... Que fique claro que Deus não era um desses três. Esse terceiro encontramos no caminho, um tempo após a conversa divinal. Partimos para a praia. Cansados e temerosos pelo medo característico do amanhecer, tomamos um ônibus onde um cobrador homossexual conversou comigo. Basicamente pelo fato de eu ter perguntado seu nome. Alessandro, diga-se de passagem. E não mais se ouvirá falar desse personagem. Saltamos correndo por algum motivo que não lembro. Fumávamos na areia quando um skatista cearense vindo de um forró pediu uns tragos. Chegaram dois policiais. Um gordinho e baixo, outro alto e paspalhão. Perguntaram várias coisas. Respondi a todas. Por algum motivo suspeitaram que eu fosse o líder. Não sei de que, mas líder de qualquer forma. Ainda disseram que iriam me levar para uma delegacia. E mencionaram algo relativo a câmeras. Enfim... Depois de alguns minutos de troca de palavras, foram embora. Importante ressaltar que sem levar absolutamente mais nada, além da calma que imperava antes de terem chegado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente entreguei a correspondência aleatória que foi aleatoriamente lida as cinco pras seis. Conversei com um casal que olhava tudo sentado em um banco. Eram vindos de uma festa em algum lugar perto de onde estavam. Não lembro-lhes os nomes. Depois de ouvirem e elogiarem uma recém citada poesia de minha boca, partiram. Trocamos contatos informais. Voltamos a andar, pelo calçadão dessa vez. O rapaz do skate foi embora em cima dele. Pegamos um taxi e fomos para a casa de um dos outros dois, onde conversamos sobre o que acontecera. Tomamos café com pão numa padaria. A essa altura, já eram só dois. A proeza de ter encontrado um livro no meio de uma selva foi completamente anulada pela imbecilidade de o ter perdido em uma casa. Esqueci-o lá antes de decidir sobre a volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso tudo, chegando ao meu lar, aconteceu o mais estranho. Meu porteiro lavava meu carro. Nunca pedi que lavasse e nem saberia que ele lavou se não tivesse chegado naquela hora. Por que ele lavou meu carro? É dessas pessoas que não faz por dinheiro. Não lavou pra cobrar depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me contive e sai de novo, depois de já estar em casa, pra perguntar a ele porque lavou meu carro. E foi aí que veio a frase mais estranha da noite, que afinal já era dia a muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Porque estava sujo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltando ao começo, “sabe o que é mais estranho...?” Então, é isso.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2411094106496561865?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2411094106496561865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/sabe-o-que-e-mais-estranho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2411094106496561865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2411094106496561865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/sabe-o-que-e-mais-estranho.html' title='Sabe o que é mais estranho?'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1542757606942700944</id><published>2009-09-17T00:19:00.001-07:00</published><updated>2009-09-17T00:19:28.868-07:00</updated><title type='text'>Guerra</title><content type='html'>Quando o clubinho da rua em frente declarou guerra, André era presidente. As batalhas eram por meio de pedradas. Escolhia-se uma data, cada clube ficava em suas bases, se defendendo e tacando pedras na base inimiga. Era sério, não sei como algum de nós não morreu. Ele foi deposto como condição para que eu voltasse para o grupo. Meu irmão era o melhor atirador de pedras da cidade e na verdade, o interesse deles era mesmo que ele entrasse, mas sabiam que só aconteceria se eu fosse junto. Fui o presidente no melhor momento do nosso clubinho. Sentia-me um líder militar, comando um batalhão. Estraçalhamos os desafiantes, que ficaram bem machucados. O mérito foi todo da casa de madeira, que era uma base muito mais eficaz do que as caixas de papelão usadas pelo outro grupo. Foi ótimo e ganhei até glórias, inclusive do André. Achavam que eu fui um bom general.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, a rixa entre eu e André aumentava. Quando nos reuníamos na minha casa e ele nos procurava, eu não atendia ou pedia a minha mãe dizer que não estava. E ele fazia o mesmo. Com isso nós dois só fazíamos deixar de nos divertir, porque apesar de tudo nos divertíamos muito juntos. Éramos os principais personagens da rua, os mais conhecidos. Os mais bagunceiros. Ele tinha uma irmã, a musa. Linda, mas completamente doida. Os dois viviam brigando. Uma vez ele fechou a porta na mão dela e uma parte do dedo foi arrancada, foi traumático. A mãe era totalmente maluca também e meu pai a achava chatíssima. Sempre queria comprar fiado na padaria, tinha que ficar cobrando. A vi pelada uma vez. Estávamos todos brincando de esconde-esconde em sua casa e eu fui me esconder. Costumava ficar no armário do quarto dela. E assim o fiz. Estava lá, tranquilamente. Só que André não me achou e fazia muito tempo do começo da brincadeira. Resolvi sair e lá estava a mulher, completamente pelada. Tinha acabado de sair do banho. Foi a primeira vez que vi uma mulher nua, o que mais me chamou atenção foram os pêlos pubianos. Ela era bem peluda. Na hora dei um grito e sai correndo. Ela deu um grito também. Nunca falamos disso depois. Como se eu não tivesse visto nada. Era melhor assim, eu ia ficar envergonhado de tocar no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1542757606942700944?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1542757606942700944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/guerra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1542757606942700944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1542757606942700944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/guerra.html' title='Guerra'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1482577524134378924</id><published>2009-09-15T18:00:00.001-07:00</published><updated>2009-09-15T18:10:52.268-07:00</updated><title type='text'>Tristeza Epidérmica</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Não queria sequer tomar banho&lt;br /&gt;para que suas células epiteliais&lt;br /&gt;do meu corpo não se desgrudassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito triste ver seus últimos pedaços,&lt;br /&gt;Mesmo microscópicos,&lt;br /&gt;que em mim estavam,&lt;br /&gt;irem pelo ralo embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas você não consegue ver...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta saber.&lt;br /&gt;É triste saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que,&lt;br /&gt;A olho nú,&lt;br /&gt;Não possa se ver…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"R. Cavalcanti"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1482577524134378924?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1482577524134378924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/tristeza-epidermica.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1482577524134378924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1482577524134378924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/tristeza-epidermica.html' title='Tristeza Epidérmica'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-374139483589533403</id><published>2009-09-14T22:30:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T18:11:49.794-07:00</updated><title type='text'>Itinerário</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Minas Novas,&lt;br /&gt;Primavera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegue a Curitiba,&lt;br /&gt;Bias Fortes,&lt;br /&gt;Cristovão Colombo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contorno,&lt;br /&gt;Grol Mogol,&lt;br /&gt;Outono...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piuí!!&lt;br /&gt;Chegou na Minas Novas&lt;br /&gt;É verão,&lt;br /&gt;Mas faz um calor de inverno...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"L. Assis"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-374139483589533403?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/374139483589533403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/itinerario.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/374139483589533403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/374139483589533403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/itinerario.html' title='Itinerário'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-5964776706828270157</id><published>2009-09-11T09:33:00.000-07:00</published><updated>2009-09-11T09:35:05.105-07:00</updated><title type='text'>Poema Escolar</title><content type='html'>se eu fosse geografia, você seria meu geoatlas&lt;br /&gt;se eu fosse matemática, você seria minha tabuada&lt;br /&gt;se eu fosse portugues, o dicionário&lt;br /&gt;biologia, a evolução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se eu fosse fisica, você seria minha força resultante&lt;br /&gt;se fosse religião, você seria a bíblia&lt;br /&gt;e se fosse educação física, você seria o suor da corrida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se eu fosse quimica, você seria minha tabela periódica&lt;br /&gt;e, finalmente, se eu fosse história...&lt;br /&gt;precisaria de você&lt;br /&gt;pra fazer a nossa...&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-5964776706828270157?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/5964776706828270157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/poema-escolar.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5964776706828270157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5964776706828270157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/poema-escolar.html' title='Poema Escolar'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-5507297817569524084</id><published>2009-09-10T01:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T02:06:54.032-07:00</updated><title type='text'>Carta a F. Negreiros de http://supercarneiro.blogspot.com/</title><content type='html'>Bom, vou tentar diversificar meu modo de leitura. Não vou ler sua carta enquanto escrevo. Isso não significa que não a li mais de uma vez, e também que a li só uma. Não significa nada mais do que o fato de que vou escrever sem consultar. Como uma prova de matemática em que as fórmula tivessem de ser decoradas com antecedência. Se não foram, invente... A solução é tentar confundir quem vai corrigir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente queria falar sobre uma coisa me veio à cabeça outro dia. Há grandes chances de parecer confessional, lugar comum, essas coisas. Mas que seja. Uma amizade verdadeira é aquela em que não existem motivos para o encontro. Todos são casuais ou como se fossem. Mesmo que haja uma combinação, o fato dele acontecer já o torna de tal forma casual, que ele se transforma em casualidade pura e simples. Não casualidade no sentido de não serem tratados assuntos importantes, mas casualidade como duas pessoas que não se falam há muito tempo, embora saibam exatamente o que o outro tem feito da vida. E geralmente sabem mesmo sem ter qualquer interesse em saber e nem se esforçar nesse sentido. Deve ter a ver com aquela questão da infância compartilhada. Mas o que acho mais incrível é a ‘não deturpação’. E isso só acontece por causa da honestidade que temos um para com o outro. Não digo sinceridade, por que sei que mentimos vez ou outra, mas honestidade mesmo. É complemente diferente. Uma relação parecida com a relação entre o pavor e o medo. Uma classificação é tão necessária à outra quanto a outra não é à uma. Detesto escrever esse tipo de frase que proporcionaliza duas grandezas de escalas e caracterizações tão discrepantes. Mas o ponto é, e preciso ser bem claro agora, que não existe um julgamento meu sobre você que não seja diretamente expressado. E acredito que a contrapartida é verdadeira. Mesmo que seja com um olhar, e o olhar tem um grande poder, é expressado. Já te senti interesseiro, chato, inconveniente algumas vezes. E com certeza já teve opiniões semelhantes quanto a mim e eu sei disso. Porque me disseste da mesma forma como eu disse, seja lá qual tenha sido ela. Por mais que a honestidade esteja marcada como um traço que considero bem característico em mim, não expresso-a da mesma forma com todas as pessoas. Não tenho sequer controle dessa forma de expressão. E ela pressupõe que eu ache a contrapartida do outro com relação a mim desse jeito também, característica essa que muitas vezes é o fator decisivo. Daí meu grande problema em ser honesto demais com pessoas que nem sempre são tão honestas comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se não existisse nada por trás do que as próprias coisas que fazemos, mesmo as saudosas brincadeiras infantis. Mesmo as conversas, discussões. Até um dinheiro emprestado, um cigarro doado. É tudo sem motivo, sem espera de uma contrapartida. E não é como dar esmola a um pivete (onde supostamente também não há a exigência de nada em troca) ou outra forma de caridade. Essas ações no fundo, têm intrínsecas o fato de satisfazerem a necessidade do próprio doador. Uma espécie de egoísmo solidário. E não é isso que acontece quando falo das nossas trocas. É realmente sem motivo. Motivo no sentido instantâneo, curto-prazista. Acho que muito contribuiu, não posso deixar de dizer mais uma vez, essa coisa da infância compartilhada que faz com que me compreendas sem sequer eu precisar dizer o que precisa ser compreendido. Não sei se consegui explicar isso direito, depois me diz se entendeu. Falei casualmente, não coloque um tom muito sentimental nessas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ao lugar do texto em que parei em minha última carta, errou. E basta dizer isso. A propósito, escrevi o parágrafo exatamente anterior a esse que lê neste momento há uma semana atrás, numa parada literária que teve o mesmo tempo da que tive na carta anterior. E erraste novamente, quando disseste que parei para pensar, como se fossem apenas alguns minutos ou segundos de pausa. Foram dias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemoro não ter terminado no dia em que comecei. Passado o recém acabado feriado que nos afortunou, escrevi um conto e nenhum lugar melhor para transcrevê-lo do que aqui. Não é nada muito grande. Uma pequena história somente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Era uma festa. Aproximadamente vinte pessoas se dividiam entre os mais de dois andares que o local dispunha. Não era uma distribuição proporcional, e nem importava que fosse. Em cada andar se fazia uma coisa diferente. No primeiro, essencialmente, chegava-se. Portanto lá ficavam os recém chegados. No segundo sobravam aqueles que por algum motivo pararam no caminho que faziam para o andar subseqüente. No terceiro, ficavam o resto das pessoas. Algumas demoravam muito a chegar, e mesmo depois que chegavam, permaneciam por muito tempo no andar destinado a quem acabava de entrar. Outras permaneceram nesse andar a festa inteira, chegaram cedo, apesar de até o fim terem sido recém-chegadas. O acesso aos andares era feito somente via escadas e não existia sobre ele controle algum. A medida que o tempo passava os andares anteriores ao último iam se esvaziando e, certo momento, percebeu-se que os recém-chegados haviam sido extintos. Continuava a divisão desproporcional de pessoas entre os andares, mas agora a definição e caracterização de cada pavimento era estritamente geográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontecia era uma orgia musical. Cornetas, guitarras, trombones, saxofones, pianos, reco-recos, flautas, trompetes e até um bandolim que até agora não se sabe se é real, participavam sob os comandos de cada um dos artistas. O telhado era feito de um material que o homem nunca foi capaz de sintetizar. Era o céu estrelado, com a lua aparecendo vez por outra quando as nuvens que pairavam permitiam. Fazia calor, mas o vento era suficiente para não torná-lo insuportável. A improvisação dos artistas e seus instrumentos parecia ter sido ensaiada por uma vida inteira. Até os erros tornavam-se parte integrante da música. A comida exalava um cheiro de fazenda que enfeitiçava. Era daqueles que carregam os personagens de desenhos animados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal acariciava-se num sofá, uma família conversava perto de uma espécie de sacada. Comiam risoto. No casal, o amor escancarava-se dos olhos dele. Um cano que passava para servir de calha de água sofria metamorfose. Sua porção convexa aos poucos se transformava em tela de cinema. Pequena tela, gigante o filme. Muitos rostos, era um filme totalmente conceitual. A trilha sonora era a música improvisada. Um dos rostos, que eram nítidos no final da tela, parecia ser um dos sete anões. Só que com barba. Era uma cara amassada, meio achatada, com rugas na testa, nariz daqueles fazendo curva pra baixo e barba. Barba que ainda não se sabe se era branca ou preta. Mas também não é importante que seja de uma cor ou outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu assistia a esse filme boquiaberto, só interrompendo minha sessão para beijar a garota que formava comigo o casal apaixonado do sofá. Sim, acabei esquecendo de mencionar esse detalhe. Mas também não é importante. O filme se acabava, sentia-me como colocado com os ouvidos no centro inferior de dois furacões, um de cada lado. Bem na origem do redemoinho. E o vento entrava pelas orelhas, bagunçando tudo que existia na minha cabeça. Papeis pra todo lado, achei que ia ficar maluco pra sempre e que aqueles papeis nunca mais voltariam a ter alguma ordem. E achei ótima essa idéia. Eu precisaria ser onomatopéico para expressar com rigor o que se passava. Mas não existem meios gráficos capazes de traduzir verbalmente o que acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zum! O ar entrou todo em mim. Fazia um silêncio avassalador, apesar de os músicos nitidamente ainda estarem tocando, como podia-se notar pelos seus movimentos. O pensamento deixou de existir na forma de palavras. Só havia espaço para o bem estar. Olhei para o meu amor, dei-lhe um beijo. Sorri, ela sorriu. Ela entendeu o que eu sentia. Olhei cada pessoa que pude. A família da sacada conversava sobre alguém viajando, não pareciam estar muito animados. Eram recém chegados remanescentes. Era um personagem da mesma forma. Os músicos. Ah, os músicos. Muito mais do que apenas personagens, faziam a trilha sonora. Um deles, italianamente, limpava uma das mesas. Havia taças de vinho sujas e ele, de uma forma absurdamente sutil, retirava, e cuidadosamente colocava na pia. Uma por uma. Desde seus trajes, até a fisionomia o tornavam um excelente personagem e, sem dúvida um dos principais. Eu olhava aquela cena, aquele personagem... “Um mordomo italiano e maluco arrumando a mesa no meio da festa.” E assim fui passando pessoa a pessoa. Personagem a personagem. Descobri que na vida, o que vale é o que merece ser narrado. Alguém já havia me dito antes, mas só descobri nessa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de concluir aquela história que foi criada por cada um dos personagens vistos, e depois de ter tido a conclusão da vida, ele percebeu que faltou um. Faltava um personagem. Olhei ao redor e estiquei o pescoço. Achei, o último personagem, que até agora se confunde com o autor. Ele, o personagem, olhava cada pessoa daquele ambiente e balançava a cabeça. Estava sentado em uma das mesas que o italiano arrumava, com um prato de risoto na mão, e um cigarro no cinzeiro. A cabeça, por cada pessoa que passava, subia e descia. Um sorriso brotava do rosto ao mesmo tempo. Uma expressão de entendimento e satisfação. Uma história sendo feita. Será que pensava o mesmo que eu? Será que sou um cenário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de passar o olhar vagarosamente por todos os presentes, ele parou. Virou pra cima, como que procurando alguma coisa. Olhou para os dois lados e pra trás, finalmente levantou. Foi até a família, mirava o chão também, realmente procurava alguma coisa, embora parecesse não saber o que. Entre os músicos, dentro do canteiro, na escada. Foi procurando com detalhes até que parou na minha frente. Não perto, longe, mas de qualquer forma na minha frente. O semblante de ‘cadê?’ rapidamente deu lugar a um de ‘achei!’, fez um gesto de positivo na minha direção ao mesmo tempo em que dava um sorriso de aprovação, e foi sentar-se de novo. A história estava completa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito interessante sua dica de como escrever um romance sem ter que lê-lo por inteiro sempre que for retomar o processo. Mas temo que isso possa criar textos muito desconexos e mais, que na tentativa de conectá-los fique algo muito forçado, o que seria ainda pior do que simplesmente não conseguir conectar. O pior é que tem livros que já li que pareceram ter sido escritos assim. Retalhadamente. Acho que é por isso que não gosto de livros de contos, com várias histórias. Sempre fica parecendo que foram fruto dessa incapacidade de tornarem-se grandes histórias. Como se fossem um treinamento pra obra que o autor queria de fato ter escrito. Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo definir tão bem como você as categorias onde cada autor que citaste se enquadra. Não sei ainda se por falta de conhecimento da obra deles (o que não parece ser, porque sobre alguns tenho o mesmo ou mais conhecimento que você), ou se por pura incapacidade de avaliá-los dentro das categorias. Não sei se concordo com os nomes, mas acho que a explicação que deu sobre cada padrão é ótima. E concordo também quanto ao fato ser um dever saber-se soberbo, ter consciência disso e fazer o que quer que seja parecendo ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um pequeno exercício. Cansei de palavras feias ou bonitas. Agora andei pensando nas palavras que não existem na língua portuguesa, mas que teriam um significado interessante se existissem. Por exemplo, cenarizar com todas as conjugações verbais pertinentes (eu cenarizo, tu cenarizas, etc), pesalisada (no sentido de estar com muitos pêsames) e proporcionalizar (no sentido de fazer quantificável algo imensurável).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às responsabilidades que temos ao escrever. Simplesmente, pelo menos até onde consegui pensar, vai até o ponto que achamos que deve ir. Ou seja, até onde achamos que o que nós escrevemos (e isso inclui ter a opinião de quem achamos que é capaz de ver até onde vai essa responsabilidade) é bom e deve ser lido. Estamos sujeitos a nossa própria crítica e ela tem conseqüências muito mais abrangentes que as críticas alheias. Aliás, as críticas alheias só servem pra te convencer de que você mesmo precisa criticar sua obra, daí surtirem algum efeito. Só a própria crítica pessoal, no fundo, que vai ter impacto na obra do artista. Até porque, o limiar de segundo antes da criação de qualquer pedaço de sua obra é um momento onde rigorosamente só existe a sua crítica, e só isso o faz decidir por fazer daquela forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro problema que vale ser dito é a linearidade. Não no que diz respeito à história ter de ser linear, mas fundamentalmente quero me referir à impossibilidade de dois acontecimentos distintos acontecerem simultaneamente. Dei conta disso lendo um livro do Saramago. E ele próprio, na história, fala de sua angústia por não conseguir narrar vários eventos que ocorreram rigorosamente ao mesmo tempo. Mesmo que seja dito, e até mesmo se ele narrar primeiro algo que aconteceu depois, mesmo assim, na cabeça do leitor, uma coisa aconteceu depois da outra. Quem lê não descobriu ao mesmo tempo, e é esse o efeito de coisas que acontecem juntas. O Saramago diz que precisaria de uma ópera para narrar certas histórias, mas teme que faltassem cantores. Já pensou nisso? É aquela questão de se usar o tempo verbal no presente. Sempre já passou quando se está lendo. O presente literário é apenas mais uma das classificações do pretérito, que não pode ser perfeito, imperfeito nem mais-que-perfeito ao mesmo tempo. Não faz sentido ser pretérito mais-que-imperfeito por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se desculpe por não ter respondido às questões, até porque respondeu a algumas. De qualquer maneira, sinta-se a vontade para ler novamente a carta anterior e dar a essas questões suas soluções. Aliás, aproveito a oportunidade para fazer uma pergunta supérflua. É injusto fazer isso, existem questões muito mais interessantes que eu ainda queria abordar mas vou deixar em branco. Porque é comum colocar-se no final das cartas coisas do tipo ‘do seu, fulano’? Minha dúvida é obviamente esse pronome. Como assim ‘do seu’, ‘da sua’? É para verbalizar a proximidade? Parecer cortês? Enfim... Espero que tenhas uma explicação, afinal, é usuário assíduo dessa despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao segredo, é intrigante ser um segredo dentro do outro. Imagino algo como uma livro dentro do outro, uma história dentro da outra. Mas decididamente ainda não entendi isso como deveria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas de suma importância que gostaria ainda de tratar, mas por hora, novamente, vou me ater ao que foi dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços fraternos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M. L. F.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-5507297817569524084?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/5507297817569524084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/carta-f-negreiros-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5507297817569524084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5507297817569524084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/carta-f-negreiros-de.html' title='Carta a F. Negreiros de http://supercarneiro.blogspot.com/'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8193264378810258986</id><published>2009-09-09T00:01:00.000-07:00</published><updated>2009-09-09T00:03:39.932-07:00</updated><title type='text'>Quadrado</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Póstumos ossos proscritos em temporadas distantes&lt;br /&gt;Redentoras ocupações consumadas no originário primogênito&lt;br /&gt;O que fazem de mim?&lt;br /&gt;Reles ser vil de um tempo entre o nada e nunca&lt;br /&gt;O infinitamente longe e o distante&lt;br /&gt;A eqüidistância entre o passado e o presente&lt;br /&gt;Um instante cortante e o contínuo corrente&lt;br /&gt;Oh céus azuis dos mares de minha pátria&lt;br /&gt;Não afugentai de mim meu lirismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Póstimos ócios prescritos nas temporadas redentoras&lt;br /&gt;Distintas ocupações partas do originário distante&lt;br /&gt;O que fazer de mim?&lt;br /&gt;Ralo, servil, d’um tempo entre o presente e o passado&lt;br /&gt;infinitamente&lt;br /&gt;Eqüidistânte dos céus azuis de minha pátria e o instante cortante&lt;br /&gt;Oh contínua corrente, não afugentai meu lirismo&lt;br /&gt;Entre o passado e o presente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;"Erasmo Patajornas"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8193264378810258986?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8193264378810258986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/quadrado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8193264378810258986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8193264378810258986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/quadrado.html' title='Quadrado'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7495270611962429515</id><published>2009-09-06T18:25:00.003-07:00</published><updated>2009-09-06T18:25:53.614-07:00</updated><title type='text'>Texto Inconclusivo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Antigamente o limiar entre as palavras não existia. Escrever era um ato contínuo onde o final de cada letra não simbolizava necessariamente o início de outra. E isso tinha um charme todo especial. A imagem das penas molhadas na tinta, os borrões no meio das páginas sem diagramação definida. O espaçamento assimétrico entre as linhas. A figura de um escrivão barbudo, com suas unhas grandes. Poucos escreviam, as palavras eram poucas e tinham muito valor. Como que se respeitassem uma lei de mercado onde a demanda era grande perante uma oferta restrita a esses sábios medievais. Os erros não eram esquecidos. Ficava a rasura como uma marca evolutiva de um pensamento escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia-se notar, no texto original, onde o autor teve dúvidas, onde errou, mudou de opinião. E isso faz muita diferença. Há quanto tempo não lê um texto cru? Há quanto tempo não escreve um?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho receio de que não existam mais escritores um dia. O texto datilografado é como um CD digital e o manuscrito um show ao vivo. Não sei... Posso estar sendo muito radical. E os textos datilografados sejam na verdade simplesmente uma apresentação elétrica enquanto os manuscritos uma apresentação acústica. Talvez não. A proximidade do manuscrito e o distanciamento do texto digitado podem ser ilusórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Erasmo Patajornas"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7495270611962429515?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7495270611962429515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/texto-inconclusivo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7495270611962429515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7495270611962429515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/texto-inconclusivo.html' title='Texto Inconclusivo'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2163550087154620135</id><published>2009-09-03T22:02:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T22:05:23.369-07:00</updated><title type='text'>Caralio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;abralho&lt;br /&gt;acralho?&lt;br /&gt;diodera ein&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;strong&gt;adrálio&lt;br /&gt;adrálho, aliálho&lt;br /&gt;alias, alias&lt;br /&gt;diodera ein&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;"Erasmo Patajornas"&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2163550087154620135?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2163550087154620135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/caralio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2163550087154620135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2163550087154620135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/caralio.html' title='Caralio'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3777702891880350382</id><published>2009-09-02T16:45:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T16:50:22.691-07:00</updated><title type='text'>Brisa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Em meio ao mais profundo abismo da mágoa de uma desilusão, foi como ouvir o mais suave som, o chamado mais enfeitiçador, da única luz que poderia salvar...&lt;br /&gt;Esperança. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Qual terá sido o destino do laço que fazia apertar aquele coração tão sofrido?&lt;br /&gt;A dor foi substituída por uma espécie de encanto, uma auróra boreal da mais esplendida alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa-se a desconhecer todos os sentimentos ruins e só há espaço para sentir-se bem...&lt;br /&gt;Que ar puro! Realmente um lindo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que lugar se enconderam as adversidades da vida?&lt;br /&gt;Um chão tão firme quanto a certeza de uma eterna felicidade surge sob os pés daquela alma acompanhada de uma mística e saudável insegurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;"M. Ravardiére"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3777702891880350382?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3777702891880350382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/brisa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3777702891880350382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3777702891880350382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/09/brisa.html' title='Brisa'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3257719831517594166</id><published>2009-08-31T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-08-31T17:09:57.607-07:00</updated><title type='text'>Par</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Fazia dois anos. Nunca soube se o certo era escrever fazia ou faziam. Nunca importou. Até hoje não importa. Mas eu gostaria de saber, só pra conseguir que fique bem feito. Bonito. Certo. Porque faziam dois anos. Exatamente dois. Não fracionados como são agora. Eram dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dei conta, dois anos depois, daquilo que acontecera dois anos antes. Sim. Foi uma morte. Não a minha, é claro, essa eu teria dado conta instantaneamente. A dela. A morte dela. Dois anos. Faziam dois anos quando eu descobri. Sempre soube, desde que aconteceu o acontecimento. Mas descobrir mesmo. Só dois anos após.&lt;br /&gt;Éramos dois. Eu e ela. Havia mais alguns. Mais algumas talvez. Quem sabe ninguém. Mas, de qualquer forma, e acima de quaisquer e qualquer, éramos dois. Como são os dois anos que faziam. Como foram os dois anos. E como não serão mais novamente amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais irão ser dois anos. Como também nunca mais seremos nós dois. Sua morte, a morte dela, transformou o que antes era um, em outro número muito menor do que costumava ser quando era dois. Menos da metade. Sim, menos. O dois, quando volta a ser um, não vale como o um que foi.&lt;br /&gt;Acho que só percebi o que era amor nesse dia. Quando faziam dois anos, quando fazia e quando deixou de fazer. Quando algo me fez saber o que deixou de ser. E que nunca mais seria. Procurei tempos verbais inúmeros, nas mais variadas conjugações. Nos modos indicativo, subjuntivo, até imperativo. Visitei as gramáticas mais profanas. E as menos. E durante isso tudo, dois anos depois, e durante, vi que a única palavra, que pelo menos consegui descobrir que era um verbo, só poderia ser dita por ela. Que nunca mais iria poder dizer. Porque faziam dois anos. Há dois anos ela não podia mais dizer. E não dizia. E eu não sabia mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ontem. Ontem fez exatamente dois anos. Amor da minha vida, de alguma forma, que sei inexistir, você está lendo, ouvindo e sentindo minhas palavras. Minha busca por elas. Temo que nunca mais vou encontrar a que eu quero. Essa você levou consigo. Mesmo essas lágrimas, que caem a borrar-me o papel e umedecer a ponta do que uso para datilografar-lhe, de que adiantam, se ao retorcerem o que fora escrito, ou o que ainda será, nenhum formato lógico me vem à cabeça.&lt;br /&gt;Ainda que fosse surrealista, ou um gigante quadrado negro. Até uma bola oval descentralizada. Um quadro cubista vagabundo, modernista assoberbado. Qualquer coisa. Nada disso me faz cair às lágrimas como agora. Agora que percebi que fazem dois anos, meu amor. Faz dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não conhecê-la, pelos menos teria o consolo, ainda que pudesse ser eterno, de que ainda existisse. E de que ainda colocará a última palavra que falta na minha poesia inacabada. Dois anos, ela morreu há dois anos. E pra sempre, esse poema camuflado de lírico, ficará com o melhor pedaço ausente. Pode ser até um ponto final. Mas ainda assim, ausente&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3257719831517594166?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3257719831517594166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/par.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3257719831517594166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3257719831517594166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/par.html' title='Par'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2181283054856119661</id><published>2009-08-27T19:50:00.000-07:00</published><updated>2009-08-27T19:56:07.508-07:00</updated><title type='text'>Escuro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Minha senhora de intrépida melancolia,&lt;br /&gt;De choro solitário perfurando minha carne,&lt;br /&gt;Entregando-a ao tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu assombras minhas noites,&lt;br /&gt;Quando não sei que caminho tomar na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te paguei cem vezes.&lt;br /&gt;Tu me negaste todas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus meus pavores angustiados,&lt;br /&gt;Recebei agora minha senhora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dona do entardecer mais temeroso,&lt;br /&gt;Sombra do escuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque à noite eu me entrego a meus sonhos...&lt;br /&gt;Antes que me reste o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque eu não amo...&lt;br /&gt;Porque eu tinha medo de amar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sonho mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sonho mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sonho mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"J. C. Lauzon &amp;amp; E. Patajornas"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2181283054856119661?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2181283054856119661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/escuro.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2181283054856119661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2181283054856119661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/escuro.html' title='Escuro'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8589757436640041910</id><published>2009-08-25T20:52:00.001-07:00</published><updated>2009-08-25T20:52:41.088-07:00</updated><title type='text'>Apenas</title><content type='html'>Eu não sei mais, não sei&lt;br /&gt;Onde você está, também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem onde estará&lt;br /&gt;Esteve ou está...&lt;br /&gt;Aqui ou lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que você tivesse aqui&lt;br /&gt;Estar&lt;br /&gt;Estar com você...&lt;br /&gt;Você não está... Não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem eu&lt;br /&gt;Mas não queria também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta saber&lt;br /&gt;Basta&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8589757436640041910?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8589757436640041910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/apenas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8589757436640041910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8589757436640041910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/apenas.html' title='Apenas'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-104221975563842855</id><published>2009-08-24T21:12:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T21:14:08.507-07:00</updated><title type='text'>Não me conte</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Você não entende nada&lt;br /&gt;Nada&lt;br /&gt;Ninguém não entende nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você procura?&lt;br /&gt;Em que sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cama, dormir?&lt;br /&gt;Ser feliz? Deixar quem estiver ao redor bem?&lt;br /&gt;Sonhar? Ou ficar acordado?&lt;br /&gt;Você não procura nada?&lt;br /&gt;Não sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei também&lt;br /&gt;Na verdade,&lt;br /&gt;Sinceramente&lt;br /&gt;Não sei se quero saber...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quero conhecer...&lt;br /&gt;Acho que queria mesmo&lt;br /&gt;Simplesmente conhecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém que conheça aquelas e essas...&lt;br /&gt;Com a condição de que não me conte&lt;br /&gt;Jamais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Erasmo Patajornas"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-104221975563842855?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/104221975563842855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/nao-me-conte.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/104221975563842855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/104221975563842855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/nao-me-conte.html' title='Não me conte'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2875127190686027702</id><published>2009-08-23T09:56:00.001-07:00</published><updated>2009-08-23T09:58:51.088-07:00</updated><title type='text'>Modelo de Carta de Amor</title><content type='html'>[NOME DA AMADA],&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei dias pensando no que eu poderia te escrever. Depois disso cheguei a uma conclusão excelente. Não existe maneira de eu expressar minha opinião sobre você. Eu sei que isso parece um clichê, mas é a mais pura verdade... Estamos juntos há um certo tempo, e as vezes parece que te conheci ontem... Isso pode parecer ruim a primeira vista, mas eu adoro ter essa sensação, adoro ter que te conquistar a cada dia, ter seu carinho e apoio quando acho que você vai me repreender e ouvir suas críticas e "broncas" quando acho que vou ter sua compreensão. Esse nosso tempo junto está sendo extraordinário!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus aprendizados foram incomensuráveis e acho que as nossas diferenças contribuíram muito pra isso. A começar pelo simples fato de um ser mulher e outro homem (fato primordial), e passando por questões simples como um gostar de panetone, sonho e chocolate branco enquanto o outro aceita, no máximo, um chocolate ao leite, até chegarmos em assuntos mais filosóficos como a família e até a visão da vida, temos discordâncias que, embora possam parecer impedir duas pessoas de terem um simples diálogo, contribuíram para nos aproximar cada vez mais e para eu ter uma completude em vários aspectos da minha vida. Sou muito feliz por isso, por ter tido a sorte de conhecer alguém tão diferente de mim e ao mesmo tempo tão parecida com o que eu desejava... Espero, sinceramente, que nossa relação continue maravilhosa como tem sido esse tempo e que nós sejamos capazes de superar as brigas e qualquer outro obstáculo que se apresente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas atenção, não torço que não briguemos mais, que não tenhamos problemas. Essas situações são absolutamente importantes. Imagina se vivêssemos como dois teletubies, num gramado gigantesco cheio de coelhos brancos, com robôs fazendo todas as tarefas que demandam qualquer tipo de esforço, sem nenhum motivo para discordar de nada, sem ter com que, ou quem reclamar. Não quero uma vida sem problemas. Acho que uma vida sem problemas não é uma vida feliz, uma vida feliz é uma vida de problemas bem resolvidos. E quanto mais diferente for um problema do outro mais aprenderemos. Nas diferenças que conhecemos o outro, nas diferenças encontramos nossos semelhantes... Eu amo você, justamente porque você é diferente de mim e diferente de todas as outras pessoas, você é especial, você é o amor da minha vida! Espero que continuemos sempre assim, diferentes, discordantes, felizes e acima de tudo apaixonados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpe por tudo de errado que eu já fiz e pelo que eu, eventualmente ainda vá fazer. Saiba que acima do que eu falo, penso e faço está meu amor por você. Nunca (no sentido mais forte da palavra) te esquecerei. Te amo muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos, do seu,&lt;br /&gt;[SEU NOME].&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2875127190686027702?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2875127190686027702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/modelo-de-carta-de-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2875127190686027702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2875127190686027702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/modelo-de-carta-de-amor.html' title='Modelo de Carta de Amor'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-5898884540870194487</id><published>2009-08-20T21:14:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T07:00:35.703-07:00</updated><title type='text'>Carta a F. Negreiros de http://supercarneiro.blogspot.com/</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Com a maior das cortesias possível”. Aí está uma palavra que detesto, ‘cortesia’. Mas diferentemente de outras que também não gosto, o motivo disso não está relacionado à sonoridade fonética e sim ao próprio significado do termo. Aliás, essa é uma das poucas palavras que me irritam pelo simples fato de significarem o que significam. Geralmente os motivos ortográficos que me causam desconforto estão estritamente relacionados à questão da sonoridade mesmo. O que me incomoda na cortesia é o fato de ela transformar algo que deveria ser sempre natural em uma coisa totalmente artificializada. Você pode não gostar de uma pessoa e tratá-la mal sistematicamente, mas se algum dia tiver que dar algum outro tratamento a ela, por qualquer que seja o motivo, não será a simpatia, será a cortesia. Uma deformação limitada e deturpada do ato de ser simpático com alguém. É tão vil e superficial que quando damos uma gorjeta a um garçom, chamamos o ato de cortesia, ou seja, um ato que tem relação direta com contrapartidas monetárias. Nenhum sentimento ou desejo que sofra influência financeira pode ser levado a sério. Não é verdadeiro, puro. Não que eu me importe com sentimentos absolutamente sinceros, mas me incomoda muito quando sei que não o são. O ato de ser cortes é tão obrigatório que sequer existe o contrário dele. Pelo menos não que eu consiga imaginar. Em outras palavras, parece que você tem sempre de ser no mínimo cortes com a pessoa a que se fala. A cortesia é a simpatia do canastrão. Sempre algo que na verdade não é você. Formal e falsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse parágrafo ‘eu-achista’ foi proposital. Exemplificativo. A maior vantagem desse tipo de escrita é, como você mesmo levantou, a ausência de preocupações adicionais. O que importa realmente é o que está sendo dito, até porque se trata de uma opinião pessoal sobre determinado assunto. A rigor, todas as idéias partem de um pressuposto basicamente ‘eu-achista’. A filosofia, inclusive, é quase que fundamentada sob esse princípio. Mas é claro que existe uma diferença primordial entre a encheção de lingüiça e a filosofia e ela passa, é claro, pela soberba. Até aí, apenas repeti com outras palavras o que já disseste anteriormente. O que se esqueceu de mencionar, e o que na realidade acredito eu ser nosso grande objeto de discussão nesse momento, são os textos soberbamente ‘eu-achistas’. Quando você fala em rastejância e dá exemplos do que seria isso, na hora me entrego ao pensamento de alguém que se acha absolutamente superior escrevendo aquilo que não passa, a grosso modo, de uma babaquice completa. A poesia de Augusto Magno é essencialmente ‘eu-achista’ e ao mesmo tempo pecaminosamente assoberbada. E é aí, exatamente aí, que reside nossa maior angústia no ato de escrever. Como ‘eu-achistas’ que somos, acreditamos em nossas próprias críticas quanto a classificação dos textos. E vira um ciclo. E novamente nos tornamos angustiados. Encontrar esse limiar não é nada trivial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto que quis levantar com tudo isso foi simplesmente considerar mais uma categoria dentro das duas que você mencionou na comparação com o voô (‘eu-achismo’ rastejante e soberba) e é exatamente isso que falo: ‘eu-achismo’ assoberbado. Diga-se de passagem, essa é a pior categoria na qual eu gostaria de ver um texto meu classificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que é engraçado? Li sua carta uma vez, duas, três. Na terceira compreendi inacreditavelmente cada palavra que li. Mesmo assim, escrevendo isso agora, volta e meia paro e volto para ler algum pedaço e dessa forma leio pela quarta, quinta vez. Parece até uma espécie de resenha, ou trabalho escolar sobre o assunto. Já parou pra pensar que a comunicação, mais precisamente a conversa entre duas ou mais pessoas, consiste numa espécie de estudo analítico sobre o que os demais objetos participantes falaram? A vantagem de fazer isso literariamente é que posso consultar quando quiser o que foi dito e também apagar eventuais merdas que tenha escrito. Mas no fundo, a essência é a mesma. A única circunstância em que não se analisa a fala anterior é quando se é o primeiro a falar. E talvez seja isso que queremos ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero fazer um exercício. Ao contrário da carta anterior, onde você acertadamente disse que escrevi de forma ininterrupta, farei uma, e apenas uma interrupção nessa. Será apenas uma pelo simples fato de querer saber de você em que momento ela ocorreu e sendo uma só fica mais fácil. Não pra você acertar, mas sim pra eu lembrar quando foi. Na verdade, pode ser até que ela já tenha ocorrido, fica a seu critério. Isso vai de encontro a uma outra grande angústia minha, que é exatamente essa questão de recomeçar um texto. Será que devo lê-lo por completo de novo? Escrevi inclusive um conto sobre um escritor à beira da morte muito angustiado com a possibilidade de morrer sem ter terminado sua história. Meu problema é diferente, meu receio é simplesmente não conseguir continuar uma história inacabada. Incapacidade. Não sei dizer direito. Mas é análogo ao dele, só que por motivos distintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a questão do ‘eu-achismo’, para finalizar esse assunto por hora. Os grandes nomes da literatura e da filosofia eram completamente ‘eu-achistas’. O que você pensa sobre as idéias de Nietzsche? Ou então do parnasianismo do Cortazar? O ciclo burocrático que o Kafka criava? Não existe nenhuma grande teoria formal por trás dessas coisas. Simplesmente ‘eu-achismos’ geniais e fantásticos. E você acha que esses problemas que nos trazem angústia eram esquecidos por eles? Não creio nisso. Inclusive, pensando agora, e sem nenhum resquício de soberba ou falsa modéstia, me conforta muito termos em comum ao menos esse tipo de questão e a coragem de falar sobre. Pode soar estranho e talvez só você mesmo entendesse, mas me sinto mais próximo de alguma coisa que não sei dizer o que é, quando me questiono sobre isso. Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito interessante o que disseste a respeito de nossas infâncias compartilhadas. Beira o saudosismo e chega a ser sentimental. Confesso que me emocionou sutilmente. Nunca havia pensado nessa questão de não formarem-se amigos em comum. E realmente nunca existiu. Incrível mesmo. Você já tinha conhecimento disso na época, ou descobriu só agora? Uma coisa que disse que vejo de forma diferente é quando fala que tivemos sempre essas questões e buscas desde a infância. Você sim sempre teve, e eu mesmo inclusive o fazia de chacota por conta disso vez por outra. Isso não estava em mim ainda, pelo menos não externalizado da forma como foi pra você. E talvez tenha sido isso a real causa da ruptura. Esse pequeno abismo existente entre o que você queria saber e o que eu nem sabia existir. E andei pensando nos motivos da reaproximação. Você conseguiu compreender que eu não compreendia aquilo naquela época ao mesmo tempo em que eu compreendia aquilo que você já havia compreendido na infância. Deu pra entender? Com certeza. É claro que o fator geográfico também teve sua participação, mas não foi principal. Saibas que comecei a ler teu blog antes mesmo de ter voltado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento me passam vários pensamentos saudosistas. Sim, você mesmo já me chamou disso antes. E essa merda de musiquinha feliz que está tocando aqui não ajuda, mas não quero tratar disso agora. Vamos às palavras propriamente ditas. Mas antes disso. Segundo exercício pra você. Definimos os tipos de textos. Temos o exemplo do Augusto Magno como ‘eu-achismo’ assoberbado, temos o seguinte para ‘eu-achismo’ rastejante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Poesia natural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu a pensar&lt;br /&gt;Procurando alegrias pra imaginar&lt;br /&gt;Percebi que a vida&lt;br /&gt;É feita pra rimar&lt;br /&gt;E também os outros amar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente encontrei&lt;br /&gt;As palavras que usei&lt;br /&gt;Nesse pequeno texto&lt;br /&gt;Que de coração vos dei”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. Sardinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora quero ver um exemplo do simplesmente assoberbado. Será que existe mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos às palavras então. Primeiro vou definir as unidades de medida que eu tenho. A primeira delas é a utilidade da palavra e é calculada mediante o valor máximo dos produtos da importância vezes o número de funções que o termo pode assumir. Presta atenção que o número é de funções e não de significados. Cabe aqui citar de cara o ‘enfim’. Essa palavra é capaz de resumir absolutamente qualquer texto com uma elegância incrível. Pode ser uma frase, um parágrafo, ou até um livro. O ‘enfim’ repete a idéia inteira de novo na cabeça de quem lê, de tão poderoso que é o efeito resumitivo dele. Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ‘então’ é oposto do ‘enfim’. Ao invés de resumir, parece que ele é um trailler do que vai ser dito. Sempre que alguém pergunta alguma coisa um pouco mais complicada, você pára uns instantes pra pensar e diz: “Então...” Acabou, você já disse que sabe responder e deu até uma dica de como é mais ou menos. Basta essa palavrinha antes. Muitas vezes o ‘então’ é precedido de um soluço, uma saliva engolida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, queria citar a O+ das palavras. ‘Coisa’. Bom, não preciso falar muito. Bastar saber que absolutamente qualquer COISA pode ser substituída por coisa, exceto a própria palavra, como é nítido pela explicação que lhe dei. É tão poderosa que não tem gênero:&lt;br /&gt;“Ela é uma coisa.”&lt;br /&gt;“Ele é uma coisa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser verbo, adjetivo, advérbio:&lt;br /&gt;“Bora coisar hoje?”&lt;br /&gt;“Você está todo coisado hoje!”&lt;br /&gt;“Pô, demorou muito, veio todo coisadamente hoje...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora no caso do advérbio eu tenha forçado um pouco a barra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda medida é o quociente da divisão da importância da palavra gramaticalmente pelo seu tamanho. E nesse quesito, ganha com muita vantagem o ‘e’. Aparece em noventa por cento das frases e noventa e nove por cento dos parágrafos, seja com, ou sem acento. O ‘e’ é o primeiro lugar com certeza. Em último, também com muita folga está o ‘inconstitucionalissimamente’. Em que circunstância alguém usaria essa palavra? Talvez em alguns autos de direito do século passado. Imagina alguém falando:&lt;br /&gt;“Consumi drogas inconstitucionalissimamente hoje.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito das palavras ‘lamentar’, ‘pesar’ (não sei se por pena) e ‘coitado’ pelos seus significados. Pelo mesmo motivo odeio ‘cortesia’, ‘cretino’, ‘foda’ e ‘piroca’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a segunda melhor parte. As palavras que gosto pela sonoridade: ‘bruma’, ‘blusa’, ‘cordilheira’, ‘cardume’, ‘ramalhete’, ‘tulipa’, ‘pétala’, ‘telhado’, ‘telha’, ‘agasalhado’, ‘pedregulho’, ‘irresistivelmente’, ‘molhado’... Em inglês: ‘umbrella’, ‘scuba diving’ (tem que ser a seqüência) e ‘squeeze’ (dá muita vontade de espirrar, onopatopéico). Gosto também de ‘fiancée’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor parte. As palavras que detesto. Em geral todas as que começam com jota. Pode imaginar qualquer uma agora. É feia. ‘Jaca’, ‘jaleco’, ‘jaqueta’, ‘jóia’, ‘jambo’, ‘jequitinhonha’, ‘jabuti’, e por aí vai. Também não gosto dos verbos no pretérito-mais-que-perfeito, prefiro futuro do pretérito, embora o use com menos freqüência. Outras: ‘labuta’, ‘laboratório’, ‘relva’, ‘risada’, ‘rinoceronte’, ‘hipopótamo’, ‘orca’, ‘ouvires’, ‘fidalgo’, ‘cerne’, ‘atiçar’, ‘gozado’, ‘balada’, ‘batuque’, ‘acordeom’, ‘cueca’ e ‘macaquice’. Não posso esquecer, é claro, da grande campeã: ‘FRONHA’. Que eu lembre de relance são essas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou dizer que você abordou cirurgicamente, no sentido mais atômico possível da palavra, a questão de expressarmos coisas que no fundo todo mundo sabe. Só não sei ao certo se realmente todo mundo sabe ou se acha que sabe. O fato é que nós já sabíamos, mas nunca havíamos pensado, e mais ainda, escrito sobre a pseudo-descoberta em questão. No fundo resta a mim a mesma impressão que tens. “Já sabíamos, mas não conseguíamos ver.” E é bizarro mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei umas questões aí pelo caminho e, ao contrário de como foi na sua última carta, espero ver pelo menos algumas delas respondidas. Acredito ter elucidado pra você alguns dos meus critérios quanto à classificação das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como não poderia terminar esse texto de forma menos óbvia. ‘Enfim...’&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um simpático abraço,&lt;br /&gt;Do Amigo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M L F&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-5898884540870194487?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/5898884540870194487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/carta-f-negreiros-de_20.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5898884540870194487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5898884540870194487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/carta-f-negreiros-de_20.html' title='Carta a F. Negreiros de http://supercarneiro.blogspot.com/'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7660050851773657831</id><published>2009-08-18T18:52:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T19:04:34.053-07:00</updated><title type='text'>Rupturas rompidas</title><content type='html'>Parei definitivamente de falar com André no dia em que me deu um soco no estômago. Não lembro o motivo, mas fiquei bem puto nesse dia. Não cheguei a revidar, era covarde e tinha medo. Foi na frente de todo mundo. Fingi que não doeu, pois não queria parecer frágil na frente dos meus amigos. Mas doeu muito e fiquei sem ar. Foi a primeira vez que rompi com uma pessoa. Na verdade eu não tinha exatamente essa noção na cabeça, mas involuntariamente passei a nunca mais falar com ele. Ignorava-o. Ainda éramos crianças, devia ter uns catorze anos e meu pai já me pressionava a trabalhar na padaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola, só tinha um amigo, Marquitos. Foi a segunda pessoa que rompi na vida. Desde criança desenvolvi isso de romper com os outros. E era um rompimento definitivo. Nenhuma das vezes voltei atrás, independente do tempo que tenha passado do fato que ocasionou a ruptura. Mesmo que me arrependesse, e isso aconteceu algumas vezes, não voltei atrás. Uma espécie de acordo comigo mesmo. Perdi muita gente assim, mas pouco importa, fui fiel aos meus princípios. A história da briga com Marquinhos foi ocasionada pelo fato dele ter mijado em cima de mim. No recreio fomos urinar na escada e ele simplesmente virou seu cano na minha direção e me usou de poste. Passei o dia todo fedendo e grudento. A essa altura, já tinha certa consciência do que era romper e o fiz formalmente. Virei e falei que estava enjoado da nossa amizade, que não falaria mais com ele e que procurasse outro amigo. Não lembro se pediu desculpas ou tentou me convencer do contrário, mas desse dia em diante, nunca mais dirigi a palavra a Marquitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As professoras me odiavam. Eu sempre questionava o que falavam e atrapalha a aula o tempo todo. Não fazia os deveres e não anotava nada, mas conseguia tirar boas notas. Fui expulso do primeiro colégio que estudei. Dona Martinha, professora de português escrevia alguma coisa no quadro. Como era velha aquela mulher. Mas não velha no sentido físico. Ela era velha de chata, de pensamento, de maneira de fazer as coisas. Parecia ter uns duzentos anos aquela senhora. Me irritava muito. Tem gente que já nasce velha, já nasce com mentalidade de sessenta anos. Ela era uma dessas pessoas, e somando essa idade a sua real, tornava-se uma pessoa insuportável. Pois bem, peguei uma caixa de giz e taquei no quadro, do lado dela. Ficou toda suja, cheia de pó. Parecia ter tomado um banho de talco. A turma foi a loucura de tanto rir. Ela não sabia quem foi, mas só esperava a indicação de alguém para me levar a diretoria. E alguém me acusou. Douglas, o garoto mais retardado da turma. Foi a primeira pessoa que rompi sem que antes tivesse existido qualquer laço de relacionamento que justificasse um rompimento. Meus pais foram chamados, minha mãe chorou, meu pai implorou, mas não adiantou. Fui expulso.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7660050851773657831?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7660050851773657831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/rupturas-rompidas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7660050851773657831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7660050851773657831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/rupturas-rompidas.html' title='Rupturas rompidas'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1958324183838369212</id><published>2009-08-17T16:16:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T16:33:46.153-07:00</updated><title type='text'>Arco-Íris sinfônico</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Acordei com um calor bemol&lt;br /&gt;mas o dia estava sustenido.&lt;br /&gt;As notas desafinadas&lt;br /&gt;e a percussão sem ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol fazia dó&lt;br /&gt;O mi fazia ré&lt;br /&gt;Chovia&lt;br /&gt;E nada fazia sentido...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;"Paulo Leminsk &amp;amp; Erasmo Patajornas"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1958324183838369212?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1958324183838369212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/sinfonia-estranha.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1958324183838369212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1958324183838369212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/sinfonia-estranha.html' title='Arco-Íris sinfônico'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1528857800906684363</id><published>2009-08-14T17:17:00.001-07:00</published><updated>2009-08-14T17:18:01.826-07:00</updated><title type='text'>Cantor de rua</title><content type='html'>Ovo,&lt;br /&gt;caco de vidro,&lt;br /&gt;copo,&lt;br /&gt;saco plástico com água...&lt;br /&gt;Papel higiênico molhado,&lt;br /&gt;e até uma fralda usada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pilha, bateria&lt;br /&gt;Cigarro,&lt;br /&gt;Garrafa vazia...&lt;br /&gt;Gelo,&lt;br /&gt;Tangerina,&lt;br /&gt;Uva&lt;br /&gt;E extrato de tomate...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da rua&lt;br /&gt;Altura do número quatro mil&lt;br /&gt;Tocando tudo&lt;br /&gt;De legião a Gilberto Gil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriram a janela&lt;br /&gt;Gritando um bando de palavrão...&lt;br /&gt;Xingaram minha mãe&lt;br /&gt;E me mandaram pra puta que pariu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles tavam nervosos&lt;br /&gt;Irritados e com sono&lt;br /&gt;E o mais exaltado&lt;br /&gt;era o cara do nono...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele desceu e me bateu com uma cadeira&lt;br /&gt;E eu sai rolando na merda da ladeira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ovo,&lt;br /&gt;caco de vidro,&lt;br /&gt;copo,&lt;br /&gt;saco plástico com água...&lt;br /&gt;Papel higiênico molhado,&lt;br /&gt;e até uma fralda usada...&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1528857800906684363?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1528857800906684363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/cantor-de-rua.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1528857800906684363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1528857800906684363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/cantor-de-rua.html' title='Cantor de rua'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8498673908428148119</id><published>2009-08-10T21:35:00.000-07:00</published><updated>2009-08-10T22:11:07.138-07:00</updated><title type='text'>Carta a F. Negreiros de http://supercarneiro.blogspot.com/</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pois é. Engraçado você ter falado de uma coisa ligada a sua era escolar juvenil que te marcou tanto. Interessante também você ter se dado conta do fato de que o que te afetava mesmo não era nunca a chacota em sí, e sim na verdade o simples fato de você ser o objeto dela. Em uma seqüência normal de conversação eu deveria, agora, talvez falar algum fato que tenha lembrado, ou então comparar o seu a alguma outra descoberta juvenil minha, mas não. Meu problema era exatamente o oposto e não vou seguir uma regra específica de ordenamento das coisas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu nunca fui, como você se dizia, grande objeto de chacotas. Na maior parte das vezes era eu o ‘chacotante’ e, acredite meu caro amigo, talvez essa posição seja bem mais desagradável do que a que você se dizia estar. Como bem lembrou, aliás, “são comparáveis aos seres mais baixos do planeta”. De qualquer maneira, estou longe de assumir o papel do Marcos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O que me deixa curioso também é como que alguém que se compara ao ser mais baixo do planeta consegue te atingir? Já parou pra pensar que, quando você era atingido por essas coisas, talvez se colocasse num patamar mais baixo do que este que era o suposto mais baixo? Lembro-me que, sempre que fazia chacota com você, era agindo exatamente nessa questão. De te colocar num patamar abaixo do meu, abaixo do ‘chacotante’, e era sempre por isso que você ficava tão puto. Achavas idiota o indivíduo que caçoava de ti daquela forma, e ao mesmo tempo idiotizava-se ainda mais pelo fato de ficar irritado por algo tão idiota. Como no caso do questionamento das coisas úteis que você havia feito na vida, está lembrado? Eu simplesmente me coloquei num patamar superior ao seu o que, pelo fato de você não ter conseguindo contradizer, te deixou profundamente irritado, e eu sabia exatamente que iria deixá-lo. Todas as chacotas uma hora passaram a ser isso pra você, daí a irrelevância do conteúdo delas para te irritar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Voltando ao meu problema juvenil. Eu sempre quis agradar a todos, sempre quis pertencer a todos os grupos. Hoje em dia, não me adapto a nenhum grupo específico, simplesmente sou o que sou em todos eles, igualzinho. Não tinha essa visão quando mais novo, seja por falta de personalidade, ou de experiência, o fato é que não tinha. Era o nerd descolado da turma. O que deveria, por um lado agradar aos mais estudiosos e aos professores pelo fato de ser nerd e por outro lado, também a chamada ‘galera do fundão’ por eu ser relativamente malandro, acabou gerando o oposto. Os nerds me odiando porque eu era descolado, e os descolados me odiando por eu ser nerd. Demorei até encontrar um lugar ali.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vou falar somente mais uma coisa dessas épocas, que me marcou talvez do mesmo modo que o seu “eu acho”. Era uma aula de religião, a professora era uma gordinha morena, acho que se chamava Glória, mas isso não é importante. O que aconteceu é que pela primeira vez os alunos eram obrigados a ler textos em voz alta, para toda a turma. Fui sorteado para ler e simplesmente, ao ter toda a atenção voltada a mim, fiquei muito nervoso e tímido e comecei a ficar rosa. E quanto mais rosa ficava, mais as pessoas olhavam pra mim falando ‘nossa, olha a cor dele’ e rindo. E eu ficando cada vez mais rosa. Desse dia em diante e durante muito tempo, sempre ficava rosa quando tinha a atenção voltada a mim. E por isso muitas vezes deixei de falar coisas que queria falar, deixei de entrar em discussões que queria entrar. Durante boa parte da minha vida, F. Negreiros, deixei de dizer ‘eu acho...’. Nunca considerei isso uma chacota, não sentia-me rebaixado. Mas... Será que eu era? Uma das coisas que admiro em você, é não ter parado de falar “eu acho”, apesar de te incomodar tanto os efeitos do ato.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Permita-me roubar sua idéia de uma de nossas velhas conversas e fazer um momento confessional. Comecei a pensar em escrever ao ler um texto que fala sobre as diferenças entre a vida real e o cinema. É claro que sempre tive idéias e vontades literárias, mas faltava coragem. Acho que era medo, medo de ficar rosa, não sei. Foi aí que vi essa perseverança ‘eu-achista’ desse seu texto e li onde ele estava postado. E pensei comigo mesmo: “Por que não?” Era uma quarta-feira três e meia da tarde ou qualquer outro momento igualmente desestimulante. Aí surgiu a teoria do ‘foda-se’ absoluto, ali eu criei coragem e saí da inércia inexplicável que me movia no sentido de ficar parado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Interessante sua constatação do “alívio do peso da responsabilidade do que escrevemos”, através de nossos achismos fantásticos. Por outro lado, achei uma porcaria sua comparação entre escrever e voar. Na verdade, ia até bem, quando você resolveu dizer que o achismo é rastejante e a soberba é queda livre. Por que se você está rastejando, não pode estar voando...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quanto aos comentários. Não acho que sejam mais interessantes que o próprio texto, até porque só existem em conseqüência dele. CS? Não é minha professora de português. É um parente próximo. Concordo com você quanto à jocosidade acentuada dos comentários, mas talvez as voltas não sejam tão rotativas assim. E, se o propósito do texto é parecer justamente que algo por trás está escrito mesmo que não esteja, o fato de parecer estar já é por si só um motivo de satisfação pra mim. Muito mais, diga-se de passagem, do que algo que quer parecer algo e realmente parece. O que acha?!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Estive pensando a respeito de nossa ruptura juvenil e percebi que não sei precisar cronologicamente esse momento. E nem os motivos e acontecimentos exatamente anteriores. Existiu um ápice? Uma gota d’água? O pouco que sei é o que você mesmo me disse há tempos, sobre meu questionamento sobre sua própria utilidade dentro do mundo. Tem mais alguma coisa interessante nessa história?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Queria tangenciar mais alguns assuntos, mas por hora, vou deixar para ocasiões futuras... E muito bom mesmo o Erasmo Patajornas, encontrei um verbete dele no wiki. Me passa tudo que tiver.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ah, e ‘eu-achismo’ é mais bonito que só “achismo”. Pelo menos ‘”eu acho”’.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Abraços,&lt;br /&gt;M. L. F.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8498673908428148119?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8498673908428148119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/carta-f-negreiros-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8498673908428148119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8498673908428148119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/carta-f-negreiros-de.html' title='Carta a F. Negreiros de http://supercarneiro.blogspot.com/'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8195263741330612408</id><published>2009-08-08T11:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-08T12:01:21.835-07:00</updated><title type='text'>Fome</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Se uma lixa de unha&lt;br /&gt;Lixa a unha até o fim&lt;br /&gt;A unha deixa de existir&lt;br /&gt;E a lixa vira só lixo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que coisas o que&lt;br /&gt;De tão pequenas&lt;br /&gt;Metaforizam o que?&lt;br /&gt;Viver é isso&lt;br /&gt;Quanto mais você vive, mais se aproxima da morte.&lt;br /&gt;Como a droga consome a quem a consome.&lt;br /&gt;Como o canibal come o próprio homem&lt;br /&gt;Como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Erasmo Patajornas"&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8195263741330612408?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8195263741330612408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/fome.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8195263741330612408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8195263741330612408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/fome.html' title='Fome'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-5161997810785804086</id><published>2009-08-06T19:08:00.000-07:00</published><updated>2009-08-06T19:11:20.205-07:00</updated><title type='text'>Aquele outro...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;O que mais me incomoda são os olhos&lt;br /&gt;Não é a boca nem o nariz.&lt;br /&gt;São os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os círculos, os cílios,&lt;br /&gt;A estrutura toda.&lt;br /&gt;Mais a luz que sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um olhar é uma luz refletida na outra&lt;br /&gt;Um olho olhando o outro olho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me incomoda quando eu olho e vejo&lt;br /&gt;Que me vêem e movem rápido os olhos&lt;br /&gt;E eu paro de olhar e vejo que voltaram a me olhar&lt;br /&gt;com aqueles mesmos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os olhos.&lt;br /&gt;Não é a boca nem o nariz.&lt;br /&gt;O que mais me incomoda são os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Erasmo Patajornas"&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-5161997810785804086?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/5161997810785804086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/aquele-outro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5161997810785804086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/5161997810785804086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/aquele-outro.html' title='Aquele outro...'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-2835838188246796856</id><published>2009-08-03T19:42:00.001-07:00</published><updated>2009-08-03T19:42:48.777-07:00</updated><title type='text'>Clubinho</title><content type='html'>Meu grupo de amigos de infância era basicamente de cinco pessoas, sem contar eu e meu irmão. André era meu vizinho de porta e um babaca completo. Vivíamos disputando coisas idiotas, tentando provar um ao outro quem era melhor. No fim das contas, ninguém provava nada, e os dois se davam mal. Beto morava mais longe, era um ótimo menino, de família mais humilde, seu pai era um militar aposentado. Gabriel era filho de um vereador ladrão, mas também era boa gente, apesar de nunca assumir uma opinião sobre nada. Mesmo criança, as vezes você toma certas decisões. “Não quero brincar de pega-pega, vamos jogar futebol.” Coisas mínimas, mas que são feitas por crianças. Ele nunca falava nada. Simplesmente fazia o que os outros fossem fazer. Lipe era o amigo rico, sua família tinha muito dinheiro. De todos nós, o único cujo pai tinha um carro. Por fim Nigel, que era viado. Quando criança, óbvio, nem percebia. Mas com o passar dos anos ficava cada vez mais nítido que o rapaz tinha uma vertente sexual diferente das nossas. Sem problemas, continuou sendo meu amigo. Nunca tive problemas com homossexualismo, tirando os episódios em que fui atacado, mas não quero comentar sobre isso agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós formamos um clubinho. Era uma espécie de organização hierárquica, cujo objetivo maior era montar bases. Bases pra nada basicamente, simplesmente arrumar lugares para guardarmos pedaços de pau, pedras e outras coisas inúteis. O pai do Lipe construiu uma casa na árvore da vila, e ela deveria ser nosso quartel general. Como não tínhamos chave, os meninos mais velhos acabavam invadindo e roubando nossas coisas e daí passamos a não usar mais o lugar para os fins que inicialmente queríamos. Havia um presidente, que era sempre eu ou André. Quando era ele, eu era expulso. E quando era eu, ele era. Minha vantagem era que, eu saindo, levava também meu irmão e diminuía demais o grupo. Por esse motivo todos preferiam que eu fosse o chefe, e votavam em mim. Sim, era por meio de votação que escolhíamos. Só existiam dois cargos, presidente e não presidente. A rigor, todos deveriam fazer o que ele mandava, mas sua autoridade na prática não representava nada.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-2835838188246796856?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/2835838188246796856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/clubinho.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2835838188246796856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/2835838188246796856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/clubinho.html' title='Clubinho'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-3162333239952602650</id><published>2009-08-01T16:27:00.000-07:00</published><updated>2009-08-01T16:29:50.871-07:00</updated><title type='text'>Pretérito mais-que-perfeito</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Eu ia aí&lt;br /&gt;É?&lt;br /&gt;É. Aí.&lt;br /&gt;Hum, e aí?&lt;br /&gt;Aí...&lt;br /&gt;Bom... num foi né.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"Erasmo Patajornas"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-3162333239952602650?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/3162333239952602650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/preterito-mais-que-perfeito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3162333239952602650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/3162333239952602650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/08/preterito-mais-que-perfeito.html' title='Pretérito mais-que-perfeito'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-1030496147431611625</id><published>2009-07-31T17:39:00.000-07:00</published><updated>2009-08-01T16:31:42.810-07:00</updated><title type='text'>Giro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Giro&lt;br /&gt;Gero o giro&lt;br /&gt;Gero o giro que o giro gera&lt;br /&gt;Jura de morte&lt;br /&gt;Do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma girada errada,&lt;br /&gt;Junto, uma girada errada&lt;br /&gt;Gira da que é junto&lt;br /&gt;Desengonçada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jujurar&lt;br /&gt;era juro jurar&lt;br /&gt;que gero laboratórios&lt;br /&gt;já era moratória&lt;br /&gt;cara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sei lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Erasmos Patajornas"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-1030496147431611625?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/1030496147431611625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/giro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1030496147431611625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/1030496147431611625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/giro.html' title='Giro'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-7719049623123622161</id><published>2009-07-29T18:41:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T18:44:20.592-07:00</updated><title type='text'>Internação</title><content type='html'>Vou colocar um circunflexo no ‘u’&lt;br /&gt;e um til no í.&lt;br /&gt;Escrever aniversário com cedilha&lt;br /&gt;e com dois ‘esses’ saci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou jogar futebol com bola de golfe&lt;br /&gt;e golfe com bola de basquete.&lt;br /&gt;Fazer natação com um paletó suado&lt;br /&gt;e correr uma maratona pelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou a pé pro Japão&lt;br /&gt;e aqui pra esquina de avião.&lt;br /&gt;Trocar meu carro por uma bicicleta&lt;br /&gt;e colocar no lugar do banco um guidón&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou entrar numa boca gritando pega ladrão&lt;br /&gt;e na delegacia vendendo maconha.&lt;br /&gt;Assaltar um banco com um pirulito&lt;br /&gt;e chupar o cano de uma metralhadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dizer que o Acre não existe&lt;br /&gt;o homem não foi pra Lua&lt;br /&gt;Elvis não morreu.&lt;br /&gt;E pra completar...&lt;br /&gt;Vou chamar Jesus Cristo de ateu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou chorar vendo comédia&lt;br /&gt;e rir num filme de tragédia.&lt;br /&gt;Ir a show com fone de ouvido&lt;br /&gt;e assistir DVD com a TV no mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou festejar sozinho&lt;br /&gt;e lamentar em grupo.&lt;br /&gt;Nascer no cemitério&lt;br /&gt;e morrer numa sala de parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou comer no quarto&lt;br /&gt;e dormir na sala.&lt;br /&gt;Jantar o almoço&lt;br /&gt;e almoçar a janta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou viver em liberdade poética&lt;br /&gt;pensar que meus erros são de propósito.&lt;br /&gt;E quando alguém achar que sou maluco&lt;br /&gt;dar aquela risada maléfica&lt;br /&gt;sair do hospício&lt;br /&gt;E me internar no mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-7719049623123622161?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/7719049623123622161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/internacao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7719049623123622161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/7719049623123622161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/internacao.html' title='Internação'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-627940822368674328</id><published>2009-07-21T18:58:00.001-07:00</published><updated>2009-07-21T19:15:24.417-07:00</updated><title type='text'>Inesperar o de repente</title><content type='html'>Eu acho que na vida só as coisas que acontecem de repente ficam efetivamente marcadas. Não que tenham mais importância ou que as conquistas mais demoradas não fiquem também registradas, mas a questão é que tudo que acontece de uma hora pra outra é registrado de forma muito mais forte e marcante na cabeça das pessoas. A questão do impacto, da pancada, tem muito a ver com isso. O repentino é como se fosse uma luz sendo ligada, em que o tempo que ela demora para acender é sempre muito menor do aquele que demoramos para conseguir acendê-la. E a única coisa que importa é o fato dela ter acendido, mesmo que isso tenha durado apenas alguns segundos. A transformação do breu em claridade, assim de repente, como se nada tivesse acontecido para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um árvore que cresce vagarosamente durante anos, fica enorme, dá uma série de frutos e demais apetrechos botânicos quando cai. Certamente o fato de ter caído ficará muito mais marcado, lembrado do que as outras coisas. Ninguém esperava que ela caísse, foi de repente, todos esperavam que ela desse frutos, que crescesse. Essa grande surpresa, e o fato do inesperado é que fazem com que a queda da árvore seja o que dela fique memorizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine o operário que trabalha loucalmente durante metade da vida, construa um patrimônio, tenha uma vida confortável como fruto desses duros anos e de repente ganhe uma bolada na loteria. Quem é essa pessoa? A que trabalhou durante anos ou a que ganhou na loteria? Ela será pro resto da vida a pessoa que ganhou na loteria. Vai virar o apelido dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria vida. Eu acho engraçado, sempre que morre uma pessoa famosa uma série de homenagens a ela brotam na TV, mesmo que não fizesse mais sucesso algum, que vivesse talvez até embaixo da ponte. O fato dela ter morrido faz com que todos comecem a lembrar dela, mas... Não por causa do que ela fez, mas pelo fato de ter morrido. Mesmo aliás, se a pessoa não tiver feito nada na vida, eles começam a mostrar. Aí fico pensando, será que estão mostrando isso por causa dos feitos do indivíduo ou simplesmente por ele ter morrido? E acho a resposta... Só estão mostrando porque ele morreu. Enfim. A partir daí o tempo passa e anualmente você vai pensar ou ouvir dizerem que fazem tantos anos que tal pessoa morreu. Ou seja, a lembrança que se tem é o que mais repentino aconteceu com ela, sua morte. Isso que ficou mais gravado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O repentino às vezes é como aquele resto de pó de Nescau que não se dissolveu no leite, aquilo que está bem misturado você nem percebe, mas aquelas exceções, aquelas coisas pontuais, incomodam, ficam ali totalmente perceptíveis atrapalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que define um dia do outro? É o aparecimento do sol. O exato momento repentino em que ele aparece. A partir dessa fração mínima de segundo o que era ontem vira hoje e o que era noite torna-se dia. Quando aquele prato de porcelana caríssimo se quebra, alguém vai lembrar de alguma refeição tida nele? Claro que não, ele será lembrado para a eternidade como o prato de porcelana que quebrou. Alcunhado pela única coisa diferente que aconteceu na existência dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade o grande ponto não é exatamente o repentino, é o inesperado.  E essas duas palavras são quase sempre traduzíveis uma pela outra. E é bom que seja assim. Quase sempre. Porque o repentino não será sempre inesperado, mas o inesperado vai sempre ser repentino. E a graça é toda essa...&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-627940822368674328?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/627940822368674328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/inesperar-o-de-repente.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/627940822368674328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/627940822368674328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/inesperar-o-de-repente.html' title='Inesperar o de repente'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8878228110873547076</id><published>2009-07-14T18:43:00.000-07:00</published><updated>2009-07-14T18:44:29.354-07:00</updated><title type='text'>Infância de alguém</title><content type='html'>Nasci numa cidade pequena, daquelas em que todos se conhecem. Meu pai era dono de uma padaria e minha mãe trabalhava com ele. Meu parto foi complicado, parece que não deu tempo de me levarem ao hospital. Até tentaram, mas resolvi nascer antes. Um amigo do meu avô era veterinário e foi ele quem executou os procedimentos médicos, diga-se de passagem, na mesa de jantar de sua casa. Assim que saí não respirava, apesar das palmadas. Demorei mesmo, parecia até que nasci morto. Mas estava vivo. Respirei atrasado. Mamãe dizia que essa tinha sido a primeira peça que preguei nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que isso não é uma lembrança minha, só comecei a tomar ciência das coisas da minha vida lá pelos sete ou oito anos. Essa história era contada por minha mãe, para tentar mostrar o quanto eu era valente e brincalhão, desde o nascimento. Meu avô também contava, só que uma versão diferente. Segundo ele, eu já estava com a cabeça pra fora antes de chegarmos à casa do seu amigo Adamastor. Ele dizia que percebeu que não conseguiríamos chegar a tempo no hospital e ligou para o compadre, suplicando que ajudasse. Meu avô era médico e Adamastor sugeriu que ele próprio cuidasse do assunto, enquanto vovô dizia que era impossível fazer o parto do seu primeiro neto. O fato é que nasci e desde o nascimento, a vida já era uma grande bagunça. Até o dia em que fui operado devido a uma apendicite (já adulto), meu umbigo era destacado para fora da barriga, como fruto do corte errado do cordão umbilical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pais, nessa época, moravam num dos piores lugares da cidade. Como já disse, ela era pequena, mas mesmo assim eles conseguiram arrumar um local longe, muito longe. Até hoje, acho que existia uma espécie prazer inexplicável na minha mãe. Ela adorava viver em dificuldade, ter coisas quebradas, velhas, brigar com todo mundo e se sentir sozinha, rejeitada. Era tão estranho. Certamente foi por causa dela que meu pai foi morar naquele fim de mundo. A casa não era propriamente ruim, apesar de rústica. Espaçosa, arejada e bem construída. Na verdade, era mais um sítio do que uma casa mesmo. Estábulos vagabundos, mangue e até uma lagoa com peixe e tudo. Eles cultivavam maconha lá. Meu pai era viciado, mas isso na época era até normal. Pouca gente conhecia aquilo. Os dois cavalos eram cheios de carrapatos e fediam muito. Obviamente eram pangarés, foram doados por um criador profissional, que sem querer deixou um selvagem cruzar com uma de suas éguas. O resultado? Aqueles estrupícios que meu pai adotou. Eu adorava andar neles, fiquei muito triste quando deixamos o sítio e fomos morar perto da escola.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8878228110873547076?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8878228110873547076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/infancia-de-alguem.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8878228110873547076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8878228110873547076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/infancia-de-alguem.html' title='Infância de alguém'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-282249779719021719</id><published>2009-07-11T10:06:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T10:08:41.767-07:00</updated><title type='text'>Exceções</title><content type='html'>Nem tudo que é quente queima&lt;br /&gt;Nem tudo que brilha está limpo&lt;br /&gt;Nem tudo que é amarelo é ouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo que tampa esconde&lt;br /&gt;Nem tudo que é liquido molha&lt;br /&gt;Nem tudo que fede é sujo&lt;br /&gt;Nem toda ferida sara&lt;br /&gt;E nem toda história de amor é novela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo que quero eu tenho&lt;br /&gt;Nem tudo que tenho eu quero&lt;br /&gt;Nem tudo que eu gosto faço&lt;br /&gt;Nem tudo que faço eu gosto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre que estou triste eu choro&lt;br /&gt;Nem sempre que eu choro estou triste&lt;br /&gt;Nem sempre que eu quero insisto&lt;br /&gt;Nem sempre que insisto eu quero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre quando chove faz frio&lt;br /&gt;Nem sempre quando está sol faz calor&lt;br /&gt;Nem sempre quem está longe está distante&lt;br /&gt;Nem sempre quem está perto está presente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre nem tudo&lt;br /&gt;Nem tudo nem sempre&lt;br /&gt;Sempre tudo&lt;br /&gt;Tudo sempre&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-282249779719021719?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/282249779719021719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/excecoes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/282249779719021719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/282249779719021719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/excecoes.html' title='Exceções'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-8767099263067351271</id><published>2009-07-09T11:06:00.001-07:00</published><updated>2009-07-09T11:06:51.202-07:00</updated><title type='text'>Obrigado</title><content type='html'>Agradeço por ter reclamado&lt;br /&gt;Pois pude perceber que estava errado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço por ter me acordado&lt;br /&gt;Percebi como o sono é agradável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço por ter me deixado só&lt;br /&gt;Me fez perceber como faz falta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço por ter falado de Deus&lt;br /&gt;Me fez ter certeza de que sou ateu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço por ter me dado drogas&lt;br /&gt;Percebi que não sou viciado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço por não ter me contado&lt;br /&gt;Tem horas que realmente é melhor ficar calado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço pelas caronas&lt;br /&gt;Eu não queria ir a pé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço por ter me humilhado&lt;br /&gt;Pois me fez perceber meus principais defeitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ter me castigado&lt;br /&gt;Me fez descobrir o que não devia ser feito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço por ter me feito de escravo&lt;br /&gt;Me fez perceber que não sou um rei&lt;br /&gt;e não tenho trono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço, enfim, por ter me matado&lt;br /&gt;Percebi que a vida não é,&lt;br /&gt;absolutamente,&lt;br /&gt;Nada daquilo que eu havia sonhado&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6954933990417944288-8767099263067351271?l=ponteiroapontado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/feeds/8767099263067351271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/obrigado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8767099263067351271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6954933990417944288/posts/default/8767099263067351271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponteiroapontado.blogspot.com/2009/07/obrigado.html' title='Obrigado'/><author><name>MLF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01490111412699314538</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6954933990417944288.post-6818191442196362528</id><published>2009-07-07T07:01:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T07:02:16.498-07:00</updated><title type='text'>Parágrafos de um Doente</title><content type='html'>Fui um homem decente. Sempre fiz tudo aquilo que achava certo e cumpri religiosamente com as obrigações mais desagradáveis que me eram atribuídas. Nunca matei ninguém, não roubei, não subornei aqueles malditos policiais, nada. Não fui santo, e na verdade nem acredito nessa questão cristã, nessa causa, nesse conjunto de axiomas que não servem para provar teoria alguma. Não passam de premissas em cima de premissas. Fui um nietzscheniano a maior parte de vida. Quando criança ainda rezava vez por outra ou me culpava ao achar que cometia algum pecado. Fui batizado e fiz primeira comunhão, mas isso não vem ao caso. Estou com meus muitos anos, sentado numa cama de hospital e sem ter o que fazer. Considero-me jovem para morrer, tem muita coisa ainda que ficou na esfera dos desejos, mas agora já é tarde. Sei que não resta tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra ser sincero, também nunca fui muito ligado nessa coisa de literatura. Não gostava de ler, não sabia escrever.  Poemas pra mim não passavam de parágrafos sem pontuação e onde se podiam cometer erros ortográficos em prol da arte. Uma baboseira completa, sem sentido. Não diziam nada, não serviam pra nada. Aliás, apesar dos tempos verbais no passado, essa ainda é minha opinião sobre o assunto. Como a probabilidade de esse texto ser lido após minha morte é grande, prefiro falar como se eu já estivesse morto. Pelo amor de Deus, não comece a me comparar com nenhum cortador de árvores. Não é um defunto que vos fala, estou vivo agora, e não tem nada de irônico ou criativo no que pretendo falar. Nunca gostei desse cara, apesar de todos falarem da idéia fantástica que é um livro escrito por um defunto, ou então de um mistério fabuloso sobre se não sei quem traiu fulano. Ah, faça-me o favor. Que babaquice... Ler já é chato pra cassete, ainda por cima um texto confuso e cheio de palavras que não sei o significado, construções verbais inversas, e outras formas de dificultar a leitura. Não entendo como gostavam disso, como gostavam de ler um livro tendo que parar o tempo todo para consultar o significado dos termos no dicionário. Tem muita coisa que não entendi e que continuo sem entender, e todas elas me deixam puto. Sou nervoso, e talvez por isso mesmo tenha sofrido esse problema de saúde. Mas não quero falar sobre isso, estou escrevendo justamente pra tentar esquecer, já que não posso me embebedar para fazê-lo, o que seria muito mais interessante e rá
